-------Mensagem original-------

Assunto: Re: [S-C] Radicais di SAMBA (Folha de São Paulo)

Olá de novo!
Continuo feliz!


Eugênio afirma:
Eu: Não vi nenhum tipo de referência a respeito das tais "imposições"da
indústria fonográfica. Aliás, em tempos de pós-pirataria, pós-copyleft,
pós-umquetenha, nunca a a tal da INDÚSTRIA FONOGRÁFICA foi tão complacente.
Nunca tantos discos independentes foram absorvidos positivamente) pelas
decadentes "majors". Até mesmo artistas com resultados profundamente de
sucesso iniciaram-se na marginalidade, no disco independente, nos bares da
vida (comprovem a teoria com Vitor & Leo e  Cesar Manotti & Fabiano). Não vi
nada a respeito disso. O que vi foi um discurso sectário, estúpido e
marrqueteiramente blasé
"anti-zecapagodinhoporquelevendemuitoemuitagentegosta".

Resposta: Em que o discurso é sectário exatamente? as pessoas podem e devem
tocar o que gostam e afirmar o que acreditam. Ou não?

Eugênio afirma:

Eu: Eu não fico não, Sandra. Fico muito chateado de saber que músicos
qualificados dependam de outra modalidade CAPITALISTA para a própria
sobrevivência. Músicos devem viver de música, vender músicas,
comercializarem músicas. Eu sou professor e vivo das minhas aulas.
Vendo minhas aulas. Comercializo minhas aulas.

Resposta: Esses músicos, são amadores, ou seja, não vivem da música que
divulgam. Pensei que isso estivese claro na mensagem a qual respondi
anteriormene.


Eugênio afirma:
Eu: Disposição para evitar a arte, porque veio de determinada origem?
Disposição para excluir? Disposição para discriminar?

Resposta: Não ouvir ou evitar, caro colega professor, não significa
necessariamente excluir ou discriminar.

E. afirma:

Eu: Eu entendi bem, Sandra. Eles ouvem, mas, evidentemente, dizem que
não ouvem. Não querem compartilhar seu paladar musical com a massa
ignara. Então dizem que não ouvem. Mas, na verdade, fico chateado pelo
fato de escutarem esse tipo de arte. Zeca, Leci, Nei, Luis Carlos,
Paulo César, Arlindo, Jorge(s), Bandeira Brasil, Wanderlei Monteiro,
Dorina, Moacyr...essa gente - com 46 cromossomos, os mesmo 46 de
Pixinguinha, Manacéa e Cartola - talvez não se chateie de ser ouvida e
renegada mau-caratismo intencional de Didio, Tuco, Careca e  Alexandre
Cardoso

Minha resposta: Como assim ouvem, mas dizem que não ouvem?
Ficou estranha essa colocação. Como vc. pode afirmar isso?
Baseado em que vc. considera que há 'mau-caratismo intencional'?

E. afirma ainda:

Eu: Radicais feito Didio, Tuco, Careca e Alexandre Cardoso sempre
empobrecem, desmerecem e torturam a continuidade da cultura popular.
São inúteis, sectários e obtusos. Julgar que Zeca, Jorge, Chico ou Leci
surgiram para sufocar a arte de Manacéa, Paulo da Portela ou Cartola ou é
mau-cartismo ou má-vontade. Qualidade musical relaciona-se com "décadas
passadas"?

Minha resposta:
O que significa exatamente continuidade da cultura popular?
Qual o problema de um grupo de músicos se dedicar aos compositores de
décadas passadas?
Afinal, qual é a sua questão? Em que momento alguém julga que a arte de
Paulo Professor, Manacéa ou Cartola está sendo sufocada por músicos mais
jovens? Essa afirmativa é que parece uma tremenda má vontade.

Eu afirmo: acho que você deturpou as linhas de minha mensagem  e está tão
preocupado em defender uma posição que em tudo enxerga uma oposição. Suas
respostas beiram ao questionamento pessoal.

Mas fico tranqüila por entender que todos nós  temos o direito de sermos
radicais em pelo menos alguns momentos de nossas vidas.

Um abraço,
Sandra.

Em tempo:
concordo que os versos abaixo são belíssimos!
Sandra


Eu, que abandonei há muito o politicamente correto, digo pro Didio,
Tuco, Careca e Alexandre Cardoso:

"Se a gente nota, que uma só nota
Já nos esgota
O show perde a razão
Mas iremos achar o tom
Um acorde com um lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar"

(Arlindo Cruz/Sombrinha/LC da Vila)

Se alguém acha que isso é desprezível,

Abs,

Eugenio


Em 31/08/07, SANDRA FARÁ<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> -------Mensagem original-------
>
> Assunto: [S-C] Radicais di SAMBA (Folha de São Paulo)
>
> Olá!
> Fiquei feliz pela notícia de um grupo intitulado 'Radicais'. Não há nada
> mais radical nesse país do que a indústria fonográfica tão cheia de
> imposições. Fico feliz que um grupo de músicos, amadores ou não, tenham
> disposição para divulgarem a música que acham que devam divulgar, sem
> compromisso comercial. Fico feliz que tenham disposição para evitar um
ídolo
> do samba (que pessoalmente admiro). Não entendi bem: não gostam ou se
> permitem não ouvir este ou aquele sambista? Resolveram se dedicar aos
> compositores de décadas passadas? Maravilha!
> Pois que venham outros radicais...
> E ser radical em nome de se preservar ou
> resgatar valores, lembrar e cultivar boas composições, sem releituras e
> arranjos arrojados, talvez. Só pra curtir, como provavelmente meu pai e
> muita gente mais antiga que eu curtiu um dia. Talvez radical seja apenas o
> compromisso de ser autêntico.
> Um abraço,
> Sandra Fará.
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