Ora Sandra,
Sandra: " Em que o discurso é sectário exatamente? as pessoas podem e devem tocar o que gostam e afirmar o que acreditam. Ou não?" Eu: Peraí. O conceito de sectarismo é escolher um lado (um sector, raiz geradora) e só acreditar neste lado. Eles mesmo se autodenominam xiitas. Eles escolheram um lado e fazem questão de dizer que odeiam qualquer que seja o outro lado. Sandra: Esses músicos, são amadores, ou seja, não vivem da música que divulgam. Pensei que isso estivese claro na mensagem a qual respondi anteriormene. Eu: Subliminarmente eles estão também criticando o artista profissional. É, com certeza, uma postura hipócrita. Se a roda começar a se tornar convidativa, e a matéira vai auxiliar nisso, logo eles vão viver de música e gravar um CD com mais apuro que será distribuído por uma gravadora major. A mais pura das hipocrisias. Falso como nota de 3 reais. Sandra: Não ouvir ou evitar, caro colega professor, não significa necessariamente excluir ou discriminar. Eu: Dizer que rejeita, não ouve, não gosta é exclusão e -subliminar e intencionalmente - discriminar.Me lembrou o abominável discurso vegetariano. Quem (diz) não comer carne sempre se apresenta com uma áurea de superioridade, de superação intelectual e espiritual. Como se pés de alface não fossem seres vivos asssassinados para servirem de alimento todos os dias. Como esses talibãs do samba. Sandra:"Como assim ouvem, mas dizem que não ouvem? Ficou estranha essa colocação. Como vc. pode afirmar isso? Baseado em que vc. considera que há 'mau-caratismo intencional'?" Eu: É evidente que ouvem. Aliás, é dever do artista contactar-se com outras manifestações diversas da dele. Dizer que não ouvem, não gostam, é um rótulo. O neopentecostalismo agora encontra também o samba. Sandra:O que significa exatamente continuidade da cultura popular? Qual o problema de um grupo de músicos se dedicar aos compositores de décadas passadas? Eu: Já imaginou se a gente se deparasse com artistas que só fizessem réplicas da Mona Lisa? Simplesmente porque é muito difícil produzir algo melhor e os renascentistas sempre serão melhores do que os outros? Ainda bem que existiram Mirós, Picassos Van Goghs. Não há problema nenhum num grupo de músicos que se dedica aos compositores das décadas passadas. Mas há um enorme problema em se tentar dizer que a arte acabou aí, porque o que veio depois é lixo. E eles dizem isso sim. O que vem depois é ruim, comercial, etc. Sandra:Afinal, qual é a sua questão? Em que momento alguém julga que a arte de Paulo Professor, Manacéa ou Cartola está sendo sufocada por músicos mais jovens? Essa afirmativa é que parece uma tremenda má vontade. Eu: Quando há uma intenção deliberada em dizer que não toca, não ouve, não gosta (de Zeca Pagodinho e similares), esse discurso não é artístico. É político. Eles não querem saber se a obra tem qualidade. Basta ser sonhecida. Se alguém conhece, então, na opinião tosca desses talibãs, é ruim. Sandra: "Eu afirmo: acho que você deturpou as linhas de minha mensagem e está tão preocupado em defender uma posição que em tudo enxerga uma oposição. Suas respostas beiram ao questionamento pessoal." Eu: Quem enxerga oposição em tudo é Didio, Tuco, Careca e Alexandre Cardoso. Gente obtusa, que em nada contribui para que a grande arte que julgam defender saia do esquecimento. Não é guetificando Manacéa e Wilson Batista que fará com que as massas passem a escutá-los. Isso só vai elitizar e aristocratizar ainda mais a música popular feita há décadas. Misturá-los a ídolos do presente só os engrandece. Muita gente só conhece Sinhô porque o Zeca gravou e virou abertura de novela. E o pior é que Didio, Tuco, Careca e Alexandre Cardoso acham que são muito mais guardiães da cultura popular do que Zeca Pagodinho, que ousou ficar rico com sua música. Sandra: "Mas fico tranqüila por entender que todos nós temos o direito de sermos radicais em pelo menos alguns momentos de nossas vidas." Eu: Já deixei minha dolescência há muito tempo. Nesse ponto eu já fiz minha parte. Deixo pros meninos essa tarefa. Esse papel não cabe bem em quem já passou dos 18, feito Didio, Tuco, Careca e Alexandre Cardoso. Esses caras nada acrescentam à cultura popular. Em 01/09/07, SANDRA FARÁ<[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > -------Mensagem original------- > > Assunto: Re: [S-C] Radicais di SAMBA (Folha de São Paulo) > > Olá de novo! > Continuo feliz! > > > Eugênio afirma: > Eu: Não vi nenhum tipo de referência a respeito das tais "imposições"da > indústria fonográfica. Aliás, em tempos de pós-pirataria, pós-copyleft, > pós-umquetenha, nunca a a tal da INDÚSTRIA FONOGRÁFICA foi tão complacente. > Nunca tantos discos independentes foram absorvidos positivamente) pelas > decadentes "majors". Até mesmo artistas com resultados profundamente de > sucesso iniciaram-se na marginalidade, no disco independente, nos bares da > vida (comprovem a teoria com Vitor & Leo e Cesar Manotti & Fabiano). Não vi > nada a respeito disso. O que vi foi um discurso sectário, estúpido e > marrqueteiramente blasé > "anti-zecapagodinhoporquelevendemuitoemuitagentegosta". > > Resposta: Em que o discurso é sectário exatamente? as pessoas podem e devem > tocar o que gostam e afirmar o que acreditam. Ou não? > > Eugênio afirma: > > Eu: Eu não fico não, Sandra. Fico muito chateado de saber que músicos > qualificados dependam de outra modalidade CAPITALISTA para a própria > sobrevivência. Músicos devem viver de música, vender músicas, > comercializarem músicas. Eu sou professor e vivo das minhas aulas. > Vendo minhas aulas. Comercializo minhas aulas. > > Resposta: Esses músicos, são amadores, ou seja, não vivem da música que > divulgam. Pensei que isso estivese claro na mensagem a qual respondi > anteriormene. > > > Eugênio afirma: > Eu: Disposição para evitar a arte, porque veio de determinada origem? > Disposição para excluir? Disposição para discriminar? > > Resposta: Não ouvir ou evitar, caro colega professor, não significa > necessariamente excluir ou discriminar. > > E. afirma: > > Eu: Eu entendi bem, Sandra. Eles ouvem, mas, evidentemente, dizem que > não ouvem. Não querem compartilhar seu paladar musical com a massa > ignara. Então dizem que não ouvem. Mas, na verdade, fico chateado pelo > fato de escutarem esse tipo de arte. Zeca, Leci, Nei, Luis Carlos, > Paulo César, Arlindo, Jorge(s), Bandeira Brasil, Wanderlei Monteiro, > Dorina, Moacyr...essa gente - com 46 cromossomos, os mesmo 46 de > Pixinguinha, Manacéa e Cartola - talvez não se chateie de ser ouvida e > renegada mau-caratismo intencional de Didio, Tuco, Careca e Alexandre > Cardoso > > Minha resposta: Como assim ouvem, mas dizem que não ouvem? > Ficou estranha essa colocação. Como vc. pode afirmar isso? > Baseado em que vc. considera que há 'mau-caratismo intencional'? > > E. afirma ainda: > > Eu: Radicais feito Didio, Tuco, Careca e Alexandre Cardoso sempre > empobrecem, desmerecem e torturam a continuidade da cultura popular. > São inúteis, sectários e obtusos. Julgar que Zeca, Jorge, Chico ou Leci > surgiram para sufocar a arte de Manacéa, Paulo da Portela ou Cartola ou é > mau-cartismo ou má-vontade. Qualidade musical relaciona-se com "décadas > passadas"? > > Minha resposta: > O que significa exatamente continuidade da cultura popular? > Qual o problema de um grupo de músicos se dedicar aos compositores de > décadas passadas? > Afinal, qual é a sua questão? Em que momento alguém julga que a arte de > Paulo Professor, Manacéa ou Cartola está sendo sufocada por músicos mais > jovens? Essa afirmativa é que parece uma tremenda má vontade. > > Eu afirmo: acho que você deturpou as linhas de minha mensagem e está tão > preocupado em defender uma posição que em tudo enxerga uma oposição. Suas > respostas beiram ao questionamento pessoal. > > Mas fico tranqüila por entender que todos nós temos o direito de sermos > radicais em pelo menos alguns momentos de nossas vidas. > > Um abraço, > Sandra. > > Em tempo: > concordo que os versos abaixo são belíssimos! > Sandra > > > Eu, que abandonei há muito o politicamente correto, digo pro Didio, > Tuco, Careca e Alexandre Cardoso: > > "Se a gente nota, que uma só nota > Já nos esgota > O show perde a razão > Mas iremos achar o tom > Um acorde com um lindo som > E fazer com que fique bom > Outra vez o nosso cantar > E a gente vai ser feliz > Olha nós outra vez no ar > O show tem que continuar" > > (Arlindo Cruz/Sombrinha/LC da Vila) > > Se alguém acha que isso é desprezível, > > Abs, > > Eugenio > > > Em 31/08/07, SANDRA FARÁ<[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > > > -------Mensagem original------- > > > > Assunto: [S-C] Radicais di SAMBA (Folha de São Paulo) > > > > Olá! > > Fiquei feliz pela notícia de um grupo intitulado 'Radicais'. Não há nada > > mais radical nesse país do que a indústria fonográfica tão cheia de > > imposições. Fico feliz que um grupo de músicos, amadores ou não, tenham > > disposição para divulgarem a música que acham que devam divulgar, sem > > compromisso comercial. Fico feliz que tenham disposição para evitar um > ídolo > > do samba (que pessoalmente admiro). Não entendi bem: não gostam ou se > > permitem não ouvir este ou aquele sambista? Resolveram se dedicar aos > > compositores de décadas passadas? Maravilha! > > Pois que venham outros radicais... > > E ser radical em nome de se preservar ou > > resgatar valores, lembrar e cultivar boas composições, sem releituras e > > arranjos arrojados, talvez. Só pra curtir, como provavelmente meu pai e > > muita gente mais antiga que eu curtiu um dia. Talvez radical seja apenas o > > compromisso de ser autêntico. > > Um abraço, > > Sandra Fará. > . > > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
