Oi Caio e companheiros de lista,
O que coloquei é que muito do que se chama invenção mercadológica, se impõe
ao mercado, como o deprimente funque ou o brega (também chamado erradamente
de calypso, que existe a décadas no Pará, mas só a poucos anos virou
"sucesso nacional" com a banda Calypso/Assolan - processo muito independente
do
"mercado").
Qualidade é um conceito muito vago. Em quase todos os ritmos, existem
músicas que considero boas. O que é nascido nas camadas mais pobres ou, num
determinado momento, consumido por muita gente, não é necessariamente ruim.
Como exemplo cito o samba, o samba enredo de antigamente e o forró pé de
serra. Acho que para aproveitar mais essas conversas, seria melhor escrever
um pouco sobre o que é qualidade ou sobre qual qualidades estamos falando.
Não acho que a lambada, tenha ido embora. Ela veio e está aqui disfarçada e
misturada no forró, no axé, no brega...
No Brasil (exceto no sul, onde são muito ligados à tradição), a falta de
respeito/conhecimento mínimo do que a pessoa vai se propor a fazer (pego,
olho e faço), gera grande parte das misturas e novidades. Isso, dependendo
de como se veja, pode ser considerado virtude, já que nos deixa na posição
de povo mais criativo do mundo, mas também costuma ser um problema, pois
preservamos pessimamente a cultura (sem juízo de valor) feita ontem,
deixando tudo que acabamos de fazer pelo caminho como fantasias usadas ao
final de cada desfile.
É comum por aqui se tratar o movimento mais antigo (que já foi vanguarda e
moderno um dia) como velho, ultrapassado e fora de moda para buscar o novo
que, muitas vezes, nada mais é que o velho redescoberto como é o caso do
chorinho.
Só para ilustrar, hoje muitos chamam erradamente a dança lambada de zouk
(uma das principais músicas usadas para dançar a versão carioca da lambada),
pois o nome lambada (devido à música) está "queimado" e é brega, abrindo
espaço para que a França ou algum país do Caribe assuma a paternidade dessa
dança linda e totalmente brasileira.
O mais importante dessa parte do meu texto é que a fraquinha (sem a
qualidade que eu também prefiro) lambada (música) só foi tão longe pelo
valor da dança que a elevou. E que, com base no pouco de informações que
pude juntar (com olhar da dança para as músicas), ambas (a dança maxixe que
deu origem ao samba e a lambada) têm tudo a ver com o crescimento dos ritmos
musicais. Ou seja movimentos sociais de danças de par interferindo
fortemente no nascimento e/ou crescimento das músicas em questão.
Forte abraço,
Luís Florião
----- Original Message -----
From: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Alma" <[EMAIL PROTECTED]>; <[email protected]>
Sent: Monday, September 17, 2007 12:21 PM
Subject: Re: [S-C] Re: O Samba de Cuba
Luis, é aquela coisa, em tudo que existe no mundo tem seus pros e contras.
Eu particularmente, acho que essas invenções mercadológicas com um único
intuito de vender já é condenável na origem. Essas ondas de modismos
dentro da música também são igualmente condenáveis, pelo mesmo motivo,
quase sempre peca pela qualidade e mais ainda pela mesmice ou pelo
exagero. A Lambada foi uma onda que surgio no Pará e tomou o pais de
sopetão e foi embora do mesmo jeito que veio, essas músicas caribenhas
são muito ritimadas, cheias de suingue, e agradam a alguns por esses
motivos e também pelo seu apelo sensual, mas em sua grande maioria não tem
a qualidade músical que eu particularmente prefiro. Portanto vc não pode
colocar no mesmo balaio o fenomeno que gerou o Samba e a Lambada e seus
congeneres, foram motivos geradores muito diferentes e com propósitos
também diferentes. O mesmo eu diria do forró que tambem como o pagode era
um evento festivo e aqueles que vivem desse mercado passaram a apelidar
isso como sendo um gênero. Para fechar, o meu alento é que tudo (em
música) que não presta, nasce cresce e morre sem deixar herdeiros, as
vezes duram mais do que deviam, mas agente espera pacientemente seu
falecimento .....
Abs.
Caio Pontual
PS. O fato de turista gostar de alguns desses rítmos "modernos" não quer
dizer que tenhamos que apludir. Gringo gosta de muita porcaria, haja visto
uma tal de Conga la Conga, e outras desse tipo.
----- Original Message -----
From: "Alma" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Friday, September 14, 2007 3:39 PM
Subject: Re: [S-C] Re: O Samba de Cuba
Oi Caio,
A música lambada realmente não tinha poesia e sua melodia não era
rebuscada
assim como acontece na maioria dos brasileiros axés, forrocks, sambrega,
muitos dos
forrós, modas de viola, vanerões, sertanejos, breganejos, bregas, rock
brasil, ainda em alguns sambas e bossa novas... Mas creio que,
independente
da nossa vontade, as musica romântica, as bobinhas e as apelativas,
sempre
terão espaço, assim como os muitos programas: Gugú, Faustão, A Praça é
Nossa, Zorra Total...
As artes em geral podem servir para o crescimento e/ou para o
entretenimento
e o caminho usado pode ser mais rebuscado ou mais direto.
A mídia tanto lança, como acompanha modas, quando lança, geralmente
escolhe as não muito
rebuscadas, pois busca números, não qualidade - infelizmente ainda temos
uma
grande massa de pessoas que não puderam estudar o mínimo para escolher
conscientemente o que gosta (como bem sabemos, aqui na lista muitos
defendem
as músicas consideradas pela maioria como brega).
Sempre fiquei surpreso porque eu gostava da música lambada e hoje sei que
era por
causa da dança. Creio que o grande motivo da música
lambada ter ido tão longe, foi a dança, que é realmente linda.
Para muitos a lambada e o samba (inicialmente maxixe) nem deveriam ter
nascido, se fosse assim o Brasil perderia no mínimo duas belíssima danças
de
par, o samba e a lambada, essa última em duas versões, a de Porto Seguro
e a carioca, que usa principalmente músicas lentas (zouks, kizombas...).
Esse estilo novo (o carioca) , vem crescendo ano a ano e ganhando o
mundo: Espanha,
Inglaterra, Argentina, Holanda, Austrália, Japão e Suíça já aderiram. Há
professores em muitos dos países e em algum tempo poderemos ter, caso
esse
movimento continue crescendo, um fluxo turístico como tem a Argentina com
o
tango.
Acabo de chegar de Lima* onde a maior sensação foi a lambada e muitos
pretendem vir conhecer mais do Brasil. Nas minhas viagens à diversos
países
da Europa e no congresso internacional que realizo (Br Danças) o carro
chefe
é a lambada e por causa dela podemos apresentar a eles o samba, o forró,
o
frevo, o samba no pé, as danças gaúchas, as maranhenses etc.
Após essa pequena exposição, pergunto: se você tivesse o poder de
condenar a
música lambada, você ainda faria?
Lembrando que esse poder seria dado a todos, inclusive aos que na época
do nascimento do samba (fim do séc. XIX, início do XX)
nas classe média-baixa, consideravam o gestante maxixe/samba como coisa
execrável.
Abraços,
Luís Florião
*Sai pouco antes do terremoto.
----- Original Message -----
From: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Tribuna" <[email protected]>
Sent: Tuesday, July 31, 2007 1:04 PM
Subject: Re: [S-C] Re: O Samba de Cuba
Nessa eu tô dentro ... pra começar eu colocaria a Lambada e derivados
(bandas Calypso e cia).
Caio Pontual.
----- Original Message -----
From: "Sonia Palhares Marinho" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[EMAIL PROTECTED]>; <[email protected]>
Sent: Monday, July 30, 2007 9:19 PM
Subject: Re: [S-C] Re: O Samba de Cuba
Gente:
Isso é pura gozação. Sou totalmente contra a pena de morte, viu?
Sonia Palhares
PS: A gente podia fazer um paredón de gênero musical.:-):-):-)
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