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Música
Terça, 16 de outubro de 2007, 10h05 Atualizada às 10h05
"CD da Maria Rita foi bom para o samba" diz cantora Teresa Cristina
Thiago Kaczuroski
Considerada uma das maiores revelações do samba atual e já bastante conhecida
nas rodas de samba da Lapa - tradicional bairro musical do Rio de Janeiro - a
cantora e compositora Teresa Cristina começa a conquistar o grande público com
o lançamento de seu quarto disco, Delicada.
Em entrevista ao Terra antes de sua viagem à Europa, onde faz shows até
novembro, Teresa Cristina contou como foi a gravação do disco, comentou o novo
álbum da cantora Maria Rita e falou da importância da umbanda em sua música.
Dona de uma voz suave, Teresa Cristina gravou o primeiro disco em homenagem a
Paulinho da Viola (que assina uma das canções de Delicada). Desde então seu
trabalho com o grupo Semente se tornou reconhecido no Rio de Janeiro e até
mesmo fora do País.
Confira abaixo a entrevista da cantora:
Como foi a gravação de Delicada?
Trabalhei novamente com o grupo Semente, que me acompanha desde 1998. A gente
já tem um jeito muito próprio de trabalhar: fizemos uma pré-produção de um mês
e meio na minha casa, para acertar arranjos e repertórios e como nos conhecemos
e tocamos juntos há tanto tempo, tem coisa que a gente já acerta no olhar, já
sabe o que o outro quer. A presença do produtor Paulão Sete Cordas também foi
fundamental neste processo. Depois disso, foi só entrar no estúdio e gravar.
O que te deixa mais satisfeita: seu trabalho como intérprete ou como
compositora?
São dois momentos diferentes. Compor é uma realização maior, mas é mais
sofrido. A hora de terminar uma música, para mim, é angustiante, é um momento
meu, entre quatro paredes. Cantar é contar uma história, entender o que quer
dizer aquela música. Aprendi a gostar de cantar e hoje me divirto muito mais no
palco.
Como você vê o momento atual do samba?
Foi um ano muito bom para o samba. Um ritmo que atravessou um século ter mais
espaço é muito bom. Acho que, por exemplo, uma cantora como a Maria Rita gravar
um disco só de sambas é muito bom. Tem rádio onde agora vai ter que caber o
samba da Maria Rita. O samba voltou a ser assunto. Só espero que não confundam
com moda, que é uma coisa que passa e não tem comprometimento nenhum com nada.
Essa coisa de Brasil, futebol e samba... Que bom ter o samba como um símbolo do
nosso País.
E como você vê essa onda de novas cantoras, como Céu, Maria Rita, Roberta Sá,
entre outras, que têm conquistado cada vez mais espaço na mídia?
Quem ganha com isso é o ouvinte, quem gosta de música. Acho ótimo que tenha
espaço para várias cantoras sem que elas tenham que soar todas iguais, isso é o
mais importante. Cada uma tem sua característica, sua sonoridade.
E como foi o ano para a sua carreira? Dos lugares que você visitou, qual foi o
mais "diferente"?
Este ano estive em vários lugares muito bacanas. Fui para Tenerife, na Espanha,
toquei na Cidade do México, em Quito, no Equador, Mas os lugares mais
diferentes foram Nova Délhi, na Índia e Amsterdã na Holanda. Por incrível que
pareça, o holandês tem muito dessa coisa de pegar a confiança logo. Então
quando você vê, já está dançando, tentando entender aquele ritmo. Foi
memorável. Já na Índia, a diferença da cultura choca no primeiro momento. É
tudo diferente, um país onde faz 44 graus, a sociedade tem o sistema de castas,
as pessoas se tratam de um jeito diferente do que estamos acostumados. Mas
quando a música começa, você sente aquela unidade, como em todo lugar.
E como é a reação deste público?
É engraçado. Tem gente que fica chocada com aquele barulho dos instrumentos.
Simplesmente fica parado, sem reação. Tem outros que recebem o samba e tentam
se mexer, você vê gente pulando, se chacoalhando para os lados. E é uma dança
tão sincera, tão bonita... A pessoa está ali sentindo a música.
Qual a influência que a umbanda tem na sua música.
A primeira música que eu fiz foi um ponto de umbanda, que eu compus uma outra
letra em cima daquela melodia. Fui muito atraída pela música, aquele batuque,
aquele canto. Sou umbandista desde os 15 anos e sempre tento incorporar alguma
coisa no meu repertório. Ela está sempre presente no som que eu faço.
E como você vê a questão da pirataria e da música sendo distribuída na Internet?
Não acredito que quem baixa música na Internet está "roubando" do artista. Em
um País como o nosso, um CD custar R$ 40, R$ 50, é um absurdo. Como uma pessoa
que ganha um, dois salários mínimos vai comprar os discos que quer ouvir? Acho
que baixar na Internet é uma maneira da pessoa conhecer o artista, aí sim
comprar um disco, ir a um show. As gravadoras precisam - e já devem estar
fazendo isso - pensar em um novo jeito de ver a coisa, porque, como o pirateiro
consegue vender um CD a R$ 5? Será que ele também não lucra, ou está fazendo
filantropia? Eu sou um pouco tiete de disco, então gosto de ter a arte, saber
quem tocou, adoro encarte de CD, gosto mesmo do produto.
E depois da turnê na Itália, quais são seus planos para o próximo ano?
Quero viajar o Brasil. Tocar em lugares onde nunca estive. Já tenho algumas
datas até o final do ano Em Porto Alegre, de volta no Rio, quero levar minha
música a lugares onde ainda não fui.
Redação Terra
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