27/10/2007 20:00:00

Layse Sapucahy mostra o que é moda nas rodas da cidade


Mulheres elegem o samba gênero preferido para cantar


Rio - Maria Rita viu surgir na sua frente um tapete vermelho, quando resolveu
gravar um disco cheio de pandeiros e tamborins. O samba reverencia a presença
feminina, respeito e admiração que vêm crescendo no eco de novas vozes,
talentos e personalidades que, muito além do charme, conferem qualidade
ao gênero. Do surdo ao tamborim, elas jogam nas onze. Pergunte a Layse Sapucahy,
a percussionista, passista e cantora que, segundo Maria Rita, ensinou-lhe
a ser ?mulher do samba?.

"A primeira coisa é saber se colocar num ambiente masculino e muitas vezes
machista. E depois é importante a sinceridade, ser apaixonada pela música
e pelo samba", diz Layse, percussionista das bandas de D2, Belo e Maria
Rita (que inicia turnê em dezembro) e que no Carnaval toca surdo de terceira
nas baterias da Beija-Flor e da Caprichosos de Pilares.

Seu irmão e maior influência musical, Leandro Sapucahy, é compositor e produtor
que passeia com desenvoltura por todas as esferas do samba e suas conexões
com o funk e o rap, e tanto produziu Maria Rita como está por trás do próximo
disco de Arlindo Cruz, sumidade no universo carioca do ritmo. "Antigamente,
havia o preconceito com a mulher sambista, que canta na noite. Algumas cantoras
abriram portas com muita dificuldade, como Beth Carvalho, Leci Brandão,
Alcione. Isso encorajou as mais novas", opina Leandro.

E Arlindo afirma, com sorriso de satisfação: "Tem Maria Rita, Teresa Cristina,
Ana Costa, Mart?nália, Zélia Duncan... Brilhantes, nos dando o prazer de
ouvir coisas novas", enumera o músico, autor de seis músicas no CD de Maria
Rita.

"Gravei porque amo o samba, e fui muito bem recebida por todos desde a primeira
vez que fui à quadra da Mangueira", disse Maria Rita a O DIA, no lançamento
do disco.

A cantora e violonista Ana Costa, citada por Arlindo e uma das maiores 
compositoras
atuais do samba, lembra que a amiga Teresa Cristina acaba de lançar disco
por uma multinacional, como prova da boa fase das vozes femininas. "São
cantoras que seguem seus caminhos autênticos", afirma Ana.

Na terça-feira, Ana cantará no Bar da Ladeira, na Lapa, como convidada de
Roberta Sá, cantora mais elogiada na nova geração, com repertório variado
na chamada MPB, acolhedora do samba como parte intrínseca e indispensável.

Motivos de sobra para rir à toa

Terceira geração de uma família fundamental ao samba do Rio, e caçula entre
as mulheres já lançadas por grandes gravadoras, Juliana Diniz, 21, neta
de Monarco, tem as mulheres do passado e do presente como fontes constantes
de inspiração e repertório. Ouve tudo e todas, enquanto busca repertório
para o segundo disco da carreira. Além de fazer parte do elenco do musical
?Sassaricando?, Juliana tem feito shows pelo Brasil com o avô.

"Minha estréia no samba foi com ?Alvorecer?, de Dona Ivone Lara, e sempre
ouvi Clementina de Jesus. Há muitas mulheres surgindo para o samba e dando
continuidade. Antes eram as cabrochas, ficavam no coro, hoje são as estrelas",
diz, citando Dorina, que há muito faz sambas de alta qualidade, e rasgando
elogios à estréia de Maria Rita no ritmo. "Ela veio com a corda toda. Devia
cantar sambas para sempre", aconselha Juliana.

A filha de Elis Regina, por sinal, também é só elogios para suas companheiras
de geração, que vieram antes pavimentando a trilha. É fã de Teresa Cristina
(conta rindo que já levou uma cantada com uma música da cantora) e aponta
Roberta Sá como nome fundamental para o novo reinado das cantoras.

Roberta, que em seus dois primeiros discos ? ?Braseiro? e ?Que Belo e Estranho
Dia Para se Ter Alegria? ? gravou belos sambas, mesclando canções pouco
óbvias de mestres do passado aos melhores autores da nova geração, lembra
que o talento das mulheres é fundamental ao cancioneiro do País.

"A voz feminina reina há muitas décadas no Brasil. Acho bonito esse lugar
que elas ocupam", diz. Teresa Cristina, que já teve música gravada por Roberta,
acaba de lançar ?Delicada?, seu novo disco, produção impecável na qual comprova
a qualidade de compositora e intérprete que a tornou um símbolo da retomada
do samba na Lapa, ao lado do Grupo Semente. Sua importância como um elo
entre diferentes gerações de compositores de samba, com seu jeito suave
de cantar, é hoje reconhecida e aplaudida em uníssono.

"O que é de raiz não morre"

A velha guarda está de olho nas novas sambistas. Alcione, Leci Brandão e
Tia Surica, da Portela, acompanham e aprovam a leva de

cantoras que têm surgido. "Há 10 anos eu perguntava: não vai aparecer ninguém
para levar a bandeira do samba? Hoje eu já estou bem mais calma", brinca
Alcione. "As moças estão bem na fi ta", diz Tia Surica. "Elas provam que
o que é de raiz não morre", completa Leci.

Mart?nália é citada por Alcione e Leci como a grande cantora da nova geração
de sambistas. "Ela é o carro-chefe", diz a Marrom. Tia Surica tem carinho
especial por Teresa Cristina. "Ela começou aqui em casa, na roda de samba
da Velha Guarda", orgulha-se. Leci, sempre combativa, não compra toda novidade
sambista. "Tem muita cantora aí que recebe uma decoreba do produtor e diz
que curte Carmen Costa. É tudo caô", diz, mas se derrama em elogios para
Juliana Diniz, neta de Monarco, e Cassiana, filha de Jovelina Pérola Negra.
"Sou da turma do DNA", brinca. (Ricardo Calazans)

PARA ENTRAR NO CLIMA

A cantora Roberta Sá faz show na quarta-feira, dia 31, no Bar da Ladeira,
dentro do Circuito Original, convidando Ana Costa. O bar fica na Rua Evaristo
da Veiga 149, Lapa (2224-9828).

Juliana Diniz canta hoje na Casa Rosa Cultural, com o grupo Batuque na Cozinha,
como parte do Projeto Raízes. A Casa Rosa fica na Rua Alice 550, Laranjeiras
(2557-2562).

Além do show na Lapa, Ana Costa cantará no próximo dia 6 no Canecão, com
a cantora Mariana Baltar e o Grupo Galocantô. O mesmo palco receberá na
terça-feira, dia 30, o show de lançamento de ?Certidão?, o novo CD do grupo
Casuarina. O Canecão fica na Rua Venceslau Brás 215, Botafogo (2105-2000).

Roda que promete ser um dos destaques do samba no verão, o Samba Luzia atrai
sambistas de todas as matizes. O evento comandado por Moacyr Luz rola às
sextas-feiras no Clube Santa Luzia, atrás do MAM, na Avenida Almirante Silvio
de Noronha 300, Aterro do Flamengo.

Outra roda concorrida e bem freqüentada é o Terreiro do Galo, do Galocantô,
aos domingos, às 17h, no Grajaú Tênis Clube. Rua Engenheiro Richard 83,
Grajaú (8712-4697).

No Clube dos Democráticos, o grupo Anjos da Lua, da cantora Mariana Bernardes,
comanda o baile às quintas-feiras. O clube fica na Rua Riachuelo 91, Lapa
(9644-1713).

Um dos pontos fundamentais do samba nos anos 90, o Sobrenatural volta a
ter rodas às quartas e domingos, com feras como Gallotti e Pedro Holanda.
Rua Almirante Alexandrino 432, Santa Teresa (2224-1003).


http://odia.terra.com.br/cultura/htm/layse_sapucahy_mostra_o_que_e_moda_nas_rodas_da_cidade_131204.asp





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