Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_48.htm
mpb
Sangue de sambista nas veias
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Ailton Magioli
Do Estado de Minas
Washington Possato/Divulgação
Diogo Nogueira não nega a herança genética: possui o mesmo timbre do pai, João
Nogueira
O Brasil pode até ter perdido um jogador de futebol, mas acabou conquistando um
intérprete de primeira linha para o time do samba. A estréia da promissora
carreira, em dose dupla, vem com o CD e DVD Diogo Nogueira ao vivo, gravado no
Teatro João Caetano, do Rio, que a EMI está lançando. “Queria ser jogador de
futebol, tentei até os 23 anos, no Esporte Clube Cruzeiro, do Rio Grande do
Sul. Uma lesão no joelho me levou de volta à música, que também vivo desde a
infância”, relata o jovem cantor, cuja herança genética vocal é perceptível até
na fala. À primeira audição do disco, qualquer dúvida se desfaz.
Filho de João Nogueira, Diogo, de 26 anos, que tem o samba nas veias, é mais
uma revelação da Lapa carioca, onde o gênero passa por período de revitalização
intensa. Talentos como ele, Teresa Cristina, Moyseis Marques e Casuarina, entre
outros, fazem do tradicional circuito da boemia palco de sua música. “Cantei no
Carioca da Gema, Sacrilégio, Rio Scenarium, Clube Democrático e outras casas”,
lista Diogo. Bastou atender os convites para shows e rodas de samba na Lapa e
não teve como segurar a carreira.
“Sempre cantei, nunca toquei instrumentos”, revela o sambista que, além de
cantar muito bem, faz letras e músicas com o talento legado pelo pai. “As
pessoas sempre comentaram sobre meu timbre ser igual ao dele”, afirma,
orgulhoso da “voz de trovão”. “Mas não o imito”, ressalta Diogo que, não por
acaso, gosta mais do samba à moda antiga. “Tudo evolui na vida e no mundo e a
evolução do samba vai muito bem. Mas há coisas difíceis de entender. Às vezes,
por exemplo, entra um grupo para cantar samba, depois vem outro e não muda
nada”, critica, referindo-se ao pagode romântico, que prolifera principalmente
via São Paulo. “O samba moderno é o que está na Lapa, no Rio, que tem o pagode
mas também a tradição do samba”, explica, citando como exemplos os grupos
Revelação e o Exaltasamba, “que mantêm tal casamento”.
Diogo tem passagem também por segmento criticado ultimamente, o do
samba-enredo. Venceu dois concursos recentes da Portela, ao lado de parceiros.
“Entrei nesse mercado por amor, não para usar como recurso financeiro”, diz o
autor de Os deuses do Olimpo na terra do carnaval, uma festa do esporte, da
saúde e da beleza, tema do ano passado da Portela, além do deste ano, sobre a
natureza. “Tive a sorte de ganhar a primeira vez e agora novamente”, comemora o
portelense, que torce para a escola desde pequeno. Ele elogia a ala feminina da
escola, ainda restrita (são quatro compositoras): “São mulheres inteligentes,
aguerridas. Deveria haver mais”, reivindica.
Acervo
Antes da estréia na EMI, Diogo Nogueira começou a negociar com a Universal
Music. O projeto inicial era um disco-tributo ao pai, cuja idéia está de pé.
Detentor do acervo de João Nogueira, o filho revela possuir pelo menos 100
composições inéditas do pai, entre as quais parcerias com Paulo César Pinheiro,
Paulo César Feital e Carlinhos Vergueiro. No DVD, um dos momentos mais tocantes
é quando João começa a cantar o clássico Espelho, em imagem projetada na tela,
seguido pelo filho.
Quando montou o show para apresentar o trabalho a executivos de gravadora,
Diogo Nogueira confessa que não esperava ser convidado, de imediato, para
gravar o DVD. “Não foi decisão minha, mas da empresa”, conta, afirmando que o
fato de gravar ao vivo não o assustou porque nunca havia tido experiência de
estúdio. “Foi até melhor, apesar do pouco tempo de carreira”, reconhece.
No repertório, das 20 faixas, estão presentes sete de autoria de João Nogueira,
algumas de sua própria, como o samba-enredo da Portela do ano passado e
composições de outros autores.
Entre os famosos da platéia registrados pela câmera, Beth Carvalho, a madrinha
do samba com quem Diogo já tinha se apresentado. “Cantei com ela, Alcione e
outros. Isso é tranqüilo para mim”, revela o cantor, que recebe também como
convidados no CD e no DVD o violonista Marcel Powell, filho de Baden Powell; o
cantor Xande de Pilares e o rapper Marcelo D2, fã declarado de João Nogueira.
“O versar, tão comum no partido alto, nada mais é do que o rap”, afirma Diogo,
explicando o casamento do samba com o gênero. Já o funk carioca não atrai o
filho de João Nogueira, “por denegrir a imagem da mulher nas letras”.
DIOGO NOGUEIRA AO VIVO
CD e DVD do sambista. EMI, 20 faixas. R$ 34,50.
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