O fato de nós queremos preservar o que ainda existe de autêntico naquilo que queremos consumir e apenas querer constatar que existe nas platéias televisivas uma massa que é manipulada por essa mídia que quer pura e simplesmente vender, não importando se o produto é bom ou não, somos chamados de facistas, de nefelibatas (acho que nem ele sabe o que é isso) e o escambau. É necessário que certos críticos da crítica baixem um pouco a bola, pois nesses termos fica realmente difícil dialogar, pois esses mesmos não querem dialogar, mas sim guerrear, como temos visto em alguns outros episódios por aqui. Está feito aqui o meu apelo, mais uma vez.

Caio Pontual.

----- Original Message ----- From: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Eduardo S. Martins" <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>; "Tribuna" <[email protected]>
Sent: Thursday, December 20, 2007 8:28 AM
Subject: Re: [S-C] Re: Re: Paulinho da Viola - faustao


Edu,

É muito triste mesmo perceber que tem gente que acha que o povo não
está preparado para a "verdadeira cultura popular de qualidade".

O que se disse aqui sobre quem vê Faustão, as generalizações que se
fizeram sobre "as massas ignaras" e suas preferências, as ilações mais
aberrantes ainda e toda a carga de preconceito que se produziu ao
longo dos comentários revela um forte rança fachista.

Os fantasmas de 1922, do Canto Orfeônico obrigatório nas escolas,
imposto pelo autoritário Villa Lobos em pleno Estado Novo fascista, da
Funarte, do Projeto Minerva, do MIS de Ricardo Cravo Albim, das
Fundações Roquete Pinto e Padre Anchieta (instrumentos políticos,
cabides de emprego), da Embrafilme e de toda esta tutela cultural
notadamente fascista que se criou no Brasil para a "educação
artística" da gentinha ainda permanecem, mais vivos do que nunca.

O fato de gostarmos muito de samba e choro e nos propormos a usar
parte de nosso tempo para discutir isso nesta Tribuna não nos
credencia a nada. Não somos, nunca fomos, nem jamais seremos
autoridades culturais. Nenhum de nós aqui tem capacidade para nortear
as preferencias culturais populares, muito menos criar critérios que
definam o que ou não é "qualidade artística". Não somos Vanguarda de
nada, nem temos o direito de achar que podemos educar musicalmente os
ouvidos de quem quer seja.

NÓS NÃO SOMOS NADA. UM BANDO DE NINGUÉNS. É UMA PENA QUE BOA PARTE
DESSES NINGUÉNS QUE AQUI BATUCAM NAS TECLAS SE JULGUE NO DIREITO DE
DECIDIR O QUE É OU NÃO "BOM PARA O POVO".

"FAUSTÃO É UM CÂNCER";
"DANIEL É SUBCULTURA"
"A INDÚSTRIA CULTURAL É O SATANÁS CONTRA O POVO QUE É MASSA DE MANOBRA
DESSA GENTE QUE SÓ QUER O LUCRO".
"O POVO AINDA NÃO ESTÁ PREPARADO PARA O SAMBA DE RAIZ"
"AS DANÇARINAS DO FAUSTÃO SÃO CAFONAS"(O que será que a elite branca e
afrancesada desse país nos anos 20 e 30 pensava das pastoras que
sambavam e cantavam ao fundo das rodas de samba? Leiam o s artigos de
madame Mag...É a mesma o pinião que vocês têm a re´peito das
dançarinas do Domingão).

Nefelibatas, preconceituosos e cheio de um ranço cultural fascista. É
a síntese desse tipo de mentalidade.

VIVA ODAIR JOSÉ!!!




Em 19/12/07, Eduardo S. Martins<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Caio, defina o que é o "o bom samba" e a "verdadeira cultura popular".
abraço,
Edu Mar

----- Original Message -----
From: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>


A questão de a plateia do Faustão ser ou não ser >povo< não é a questão, o
problema é que não existe um unico tipo de povo, existe um povo (via de
regra mais jovem) que se deixa levar pelos apelos (?) da mídia, pelas
propagandas e pelas modas lançadas pelas novelas globais, esse é o publico
que acompanha o Faustão, que em última análise é uma grande maioria (isso é um bom mercado...) espalhada por esse Brasil a fora, esse mesmo público não tem qq tipo de crítica ou autocrítica, eles querem é consumir qq coisa que a
TV apresente seja ruim ou não. Portanto essa discussão não tem cabimento.
Essa entidade tão falada por aqui (povo), não é assim tão homogênea como
pensam alguns, mas que seria muito bom que fosse (a tão propalada
massificação) , diz a mídia. O Público do Faustão quer mais é ouvir as
bandas da moda, são os Calypsos da vida, são os Leonardo & Cia, são aqueles
que querem ver e ouvir grupos de funk com todas as suas cachorras,  esse é
um tipo de povo, outro povo é o que acompanha o bom samba, é aquele que
valoriza a verdadeira cultura popular esse povo é outro povo.

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