Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_74.htm



Vozes da bossa


Ícone do movimento que renovou a música brasileira, Os Cariocas abrem o ano do 
Clube do Choro, participando do projeto semanal em homenagem a Tom Jobim

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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio 


No começo da década de 1960, enquanto a bossa nova florescia, reuniões eram 
promovidas na casa de Vinicius de Moraes e de Tom Jobim. Num daqueles 
encontros, entre bebidinhas, fumaça de cigarro e muito bate-papo, Severino 
Filho pediu a Tom e ao Poetinha uma música que exaltasse a mulher brasileira 
para ser gravada por Os Cariocas. 

Duas semanas depois, Tom entregou ao arranjador, vocalista, pianista e líder do 
grupo a partitura e a letra de Ela é carioca, canção que desde então se tornou 
símbolo do conjunto – considerado um dos ícones do movimento. Essa é uma das 
muitas histórias que o maestro paraense radicado no Rio desde a infância 
armazenou de um dos períodos mais férteis da música popular brasileira. 

O convite feito pelo Clube do Choro para Os Cariocas abrirem a programação do 
projeto Tom Jobim – Maestro Brasileiro, portanto, não foi aleatório. Severino 
Filho (piano, arranjos e primeira voz), Elói Vicente (violão, quarta voz e 
solos), Neil Teixeira (contrabaixo e terceira voz) e Hernane Castro (bateria e 
segunda voz) estréiam hoje, às 21h30, e ficam em cartaz até sexta-feira. 

“Várias composições de Tom e Vinicius foram consagradas com arranjos vocais 
sofisticados e interpretações primorosas de Os Cariocas, grupo mais 
representativo da bossa nova. Pensamos na participação do conjunto assim que 
começamos a elaborar a programação. Como eles tinham datas na agenda, os 
trouxemos para abrir o projeto”, explica Henrique Santos Filho, o Reco do 
Bandolim, presidente do Clube do Choro. 

Quanto à escolha do maestro soberano para patrono do projeto de 2008, ele 
justifica: “Além de todas as outras virtudes que reuniu e da importância de seu 
legado para a MPB, o Tom foi um grande chorão, sob os pontos de vista harmônico 
e melódico. Tinha profunda admiração por Pixinguinha, era próximo de Radamés 
Gnattali, para quem fez o choro Meu amigo Radamés. Segundo o mestre Jacob do 
Bandolim, o clássico Chega de saudade tinha muito de choro em sua estrutura”. 

Severino e Badeco, seu ex-companheiro de grupo, testemunharam a busca 
incessante de João Gilberto pela batida do violão que viria a ser marca 
registrada da bossa nova, inaugurada em Chega de saudade, clássico criado por 
Tom e Vinicius. “Quando o movimento começou, compositores como Roberto 
Menescal, Carlos Lyra, Durval Ferreira e Marcos Valle apareciam em meu 
apartamento para mostrar músicas, que Os Cariocas acabava gravando. O João, 
também, me visitava e chegamos a dividir shows”, lembra. 

“Conhecemos o Tom na época de ouro da Rádio Nacional, onde seus arranjos para 
orquestras eram muito requisitados. Logo nos tornamos amigos e ele gostava dos 
arranjos vocais que eu criava para as músicas dele”, revela. “Os Cariocas 
cantaram Garota de Ipanema no histórico show Encontro, no restaurante Au Bon 
Gourmet, em Copacabana, que reuniu Tom, Vinicius, João Gilberto, o baterista 
Milton Banana, o contrabaixista Otávio Bailey e nós”, recorda-se Severino, 
saudoso. 

Casos da turma 

Algumas dessas histórias Severino vai contar no Clube do Choro, onde, há cinco 
anos, o baterista Hernane fez sua estréia no conjunto. “Costumo relembrar 
passagens vividas ao lado de toda aquela turma boa da bossa, com quem convivi 
intensamente. São pequenos relatos que entremeiam blocos de canções”, observa. 
O repertório do show terá como referência os seis discos gravados por Os 
Cariocas naquele período. Não faltarão Pra que chorar, Samba do avião, Só danço 
samba, Samba de uma nota só, Samba do avião, Samba de verão, Tem dó, Garota de 
Ipanema, Insensatez, Preciso aprender a ser só e, claro, Ela é carioca. 

“No nosso repertório de show sempre incluímos uma canção que considero uma das 
mais belas feitas por um compositor brasileiro, Pra você, de Sílvio César, além 
de uma homenagem a Tim Maia, com quem gravamos disco dois anos antes de ele 
morrer. Cantamos, com arranjo à capela, Descobridor dos sete mares”, adianta. 
“Quando o Tim ia lançar o CD, ligou para o Erasmo Carlos e provocou, dizendo 
que ele nunca havia conseguido gravar com a gente. No ano passado, porém, 
participamos do álbum Erasmo convida II e dividimos a interpretação de Pão de 
Açúcar, parceria dele com o Roberto Carlos.” O disco mais recente do grupo é A 
bossa dos Cariocas, de 2005. 


OS CARIOCAS 
Show do grupo na abertura do projeto Tom Jobim – Maestro Brasileiro. De hoje a 
sexta-feira, às 21h30, no Clube do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de 
Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (estudantes). 
Informações: 3224-0599. Não recomendado para menores de 14 anos. 
 

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Licitada a nova sede

A abertura do projeto Tom Jobim – Maestro Brasileiro com show de Os Cariocas 
não é o único motivo de festa para Reco do Bandolim, o presidente do Clube do 
Choro. Ele também está comemorando a licitação da Novacap para a escolha da 
empresa que vai construir o Espaço Cultural do Choro em área no canteiro 
central do Eixo Monumental (ao lado do Planetário). A vencedora foi a JC 
Gontijo. 

“Estamos agora na expectativa de a Secretaria de Obras e a Novacap determinarem 
o início das obras. Como é do conhecimento do público, o projeto para o Espaço 
Cultural do Choro (que abrigará o Clube do Choro e a Escola Raphael Rabello) 
tem a assinatura de Oscar Niemeyer. Assim, teremos futuramente na capital mais 
um prédio com a grife do genial arquiteto”, celebra Reco antecipadamente. 

Também a parceria entre o Clube do Choro e a Universidade de Brasília começará 
a ser posta em prática. “Tivemos, há pouco, um encontro com o reitor da UnB, 
Timothy Mulholland, o decano Murilo Camargo e a diretora do Departamento de 
Música, Beatriz Salles, quando tratamos das ações a serem desenvolvidas num 
primeiro momento. Estamos felizes com essa troca de experiências”, observa o 
presidente do Clube do Choro. 
 



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