Pelo visto a Júnia não participa da tribuna, mas vou responder mesmo assim.

A posição do Clube da Imprensa não é passível de críticas e até por isso não entrou em questão no debate em nenhum momento. O que se criticou, e com certa razão, foi a atitude de Wilson Bebel de negociar o referido evento sem ao menos conversar com os que ocupavam aquele espaço anteriormente. Mais do que isso, com as pessoas que batalharam para criar aquele espaço.

Não foi o Clube da Imprensa que procurou o produtor e sim o contrário, logo após o mesmo comparecer à roda de samba que acontecia ali anteriormente. Não estou aqui pra julgar ninguém, mas a argumentação de quem chama isso de oportunismo tem coerência. Não vou entrar no mérito da questão, mas existem formas mais corretas de se conseguir as coisas.

Existe uma coisa chamada educação e outra chamada respeito. Não custava nada conversar com o pessoal e chegarem a um acordo, ou pelo menos manifestar a intenção da realização do projeto, já que este era de interesse do clube. A forma com que as coisas foram feitas não é boa pra ninguém e episódios desse tipo só servem para gerar desunião entre os amantes do samba.

A minha crítica é somente essa. O cenário do samba em Brasília já não é essa maravilha, pelo menos então que haja união entre os músicos para tentar modificar esse cenário.

Aquele abraço,
Gabriel Gomes



Sonia Palhares Marinho escreveu:
Mensagem da Diretora Social do Clube da Imprensa:


A respeito da parceria que possibilitou o projeto Barracão do Samba e da roda 
de samba que acontecia esporadicamente desde o final do ano passado, como 
diretora social do Clube da Imprensa tenho a esclarecer o seguinte:
1 - Desde o primeiro contato com o Bruno Gaspar, que nos foi apresentado pela Sônia Palhares, o Clube da Imprensa tentou firmar uma parceria mais efetiva com o grupo da Roda de Samba, no sentido de estabelecer uma periodicidade que permitisse a divulgação do evento para os nossos associados e um retorno financeiro efetivo para a entidade. Ele me colocou que não seria possível estabelecer um cronograma para a realização do evento, pois algumas pessoas que faziam o samba, por compromissos profissionais, se ausentavam de Brasília de tempos em tempos. Também colocou que o grupo de maneira nennhuma aceitaria cobrança de ingresso (propusemos inclusive um valor simbólico, três reais, apenas para que pudéssemos arcar com as despesas com água, luz, segurança entre outros). Diante da negativa tentamos "passar o chapéu" para arrecadar qualquer valor que fosse, mas o valor arrecadado foi tão irrisório (além do constrangimento de rodar a sacolinha), que abandonamos a idéia. Após negociação com o arrendatário do Bar do Clube, acertamos um percentual da venda de bebidas durante o evento. 2 - A partir daí, acertamos com o Bruno que o grupo comunicaria a intenção de realizar a roda com uma antecedência mínima de uma semana. Caso não houvesse nenhum evento marcado para aquela data, o Clube cederia o espaço com satisfação. Todas as vezes que o Bruno ligava, e ele pode atestar isso, eu verifcava se o barracão não estava alugado e depois retornava liberando o espaço. Vale ressaltar que os eventos realmente não tinham nenhuma periodicidade, às vezes era quinzenal outras mensal outras não acontecia. Sempre deixei claro que, diante dessa falta de programação, o aluguel para eventos teria prioridade.
3 - Logo após a realização da última roda, fui comunicada pelo administrador do 
clube que naquela noite o Ecad tinha aparecido no local e ameaçado aplicar uma 
multa. Ele também colocou que as despesas com o evento estavam ultrapassando o 
valor repassado pelo bar.

4 - Antes dessa última roda, fomos contactados por telefone pelo produtor Wilson Bebel, que estava interessado em um espaço para a realização de um samba manifestou interesse em conhecer o espaço do clube, e esteve na roda de samba a convite de Sônia Palhares. Manifestamos todo o interesse, afinal o Clube da Imprensa enfrenta dificuldades financeiras, como de resto boa parte dos clubes em Brasília enfrentam, e já havíamos tentado parcerias para ocupar o espaço nas sextas-feiras, mas não haviam vingado. Solicitei que ele fosse ao local para ver o espaço e que depois conversássemos.
5 - Uma semana depois, Wilson Bebel me procurou, disse que tinha gostado muito 
do espaço e que achava que seria possível firmar uma parceria. Disse que não 
gostaria de tomar o espaço da roda, e que uma sexta-feira poderia ser destinada 
ao grupo. Eu expliquei que isso não seria possível porque o grupo não tinha 
qualquer periodicidade na realização do evento.
6 - Com a evolução das negociações para a parceria, entrei em contato com o Bruno Gaspar, relatei o episódio do Ecad, dos custos e comuniquei a decisão de fazer a parceria com o produtor. Disse também que o Clube estava aberto à negociações com o grupo, e resolvido o problema do Ecad e dos custos, se eles quisessem qualquer outro dia da semana,dentro do mesmo esquema, também estaríamos dispostos a dialogar. Ele me disse que estava um pouco afastado da organização e perguntou se poderia repassar o meu telefone para o Gustavo para que ele entrasse em contato comigo. Falei que não haveria problema algum, pelo contrário, gostaríamos de conversar porque afinal de contas o evento realizado por eles era muito agradável e samba nunca é demais.

7- Não fomos procurados pelo Gustavo e demos prosseguimento à negociação com a produção do Wilson Bebel, que, diga-se de passagem, agiu com absoluto profissionalismo, apresentando custos de cada item do projeto, discutindo e debatendo em várias reuniões um contrato de parceria que fosse vantajoso para ambas as partes. 8 - O projeto Barracao do Samba foi pensado e idealizado não exclusivamente pelo Wilson Bebel. Faz parte de um projeto maior de inserir a entidade novamente na agenda cultural da cidade e fortalecer a cultura do Distrito Federal, como é a tradição do Clube. E é claro, para dar retorno financeiro. Não vemos nennhum mal nisso. Desde que a atual diretoria assumiu, em mandato delegado pela categoria, assumimos o compromisso de revitalizar o clube, que já foi um espaço de resistência cultural importante na cidade, mas que estava em quase insolvência financeira. Mas para isso, é claro, dependíamos de recursos (ninguém vive num mundo capitalista sem o vil metal, muito menos uma entidade de classe). Muito antes do primeiro contato com o Bruno já idealizávamos a possibilidade de fazer uma sexta-feira de samba, e antes mesmo da roda tentamos parcerias que pelos mais diversos motivos não vingaram. Ao ceder o espaço de forma informal para o grupo do Bruno e do Gustavo acreditávamos que, se não tínhamos um projeto ideal de ocupação do espaço, pelo menos estávamos movimentando o clube com alegria e boa música. Mas sempre deixamos claro que o espaço seria cedido somente se o clube não tivesse nada agendado, pois convenhamos, a ausência de compromisso em ter um calendário, a recusa sistemática em cobrar um valor mínimo que fosse, a informalidade que marcava todo o processo, não permitiria que o clube, por exemplo, priorizasse o samba em detrimento de evento organizado por um associado do clube, por exemplo.
9 - Por fim, lamento que as manifestações a respeito do assunto neste site 
tenham sido feitas de forma tão desrespeitosa à pessoa do Wilson Bebel, que 
apenas propõs um evento com retorno financeiro, periodicidade certa, ampla 
divulgação  e que venha a dar lucro para a produtora e para o clube. Lamentamos 
as ofensas e agradecemos a todos que direta ou indiretamente participam deste 
momento histórico de revitalização do Clube da Imprensa de Brasília, em 
especial à Sonia Palhares, que sempre torceu por isso  e que nos apresentou de 
maneira transparente, tanto o grupo da roda de samba quanto o Wilson Bebel. 
Aproveito a oportunidade para convidar a todos para o evento de logo mais à 
noite e  renovar a confiança no sucesso da parceria que acabamos de firmar com 
a WB Produções, bem como reiterar que continuamos abertos ao diálogo com todos 
os produtores culturais da cidade.
Júnia Lara - diretora social do Clube da Imprensa

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