Amigos tribuneiros de copo e de fé,esse manifesto....ah  esse manifesto.... 
tem-se que pendurar em todas as paredes, onde houver um tijolo prá pendurar 
este quadro crítico e sensível de uma verdadeira tomada de posição pela nossa 
cultura, pela nossa conduta de gente  . Há muito sentimos que a areia esvai-se 
por entre os dedos.
Penso sempre que atuar onde o estado ausenta-se é o pé na bunda dessa cambada 
que não respeita mais nada além do própio ego, além do própio bolso. Faz tempo 
que não quero saber dessa cambada. E o pior, entitulam-se arautos da cultura.. 
Que merda!

Sou eu sim quem escreveu,
Ary Marcos



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De: Eduardo S. Martins <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [email protected]
Enviadas: Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008 11:32:37
Assunto: [S-C] Hermínio Bello de Carvalho critica mudanças no Projeto 
Pixinguinha

Deu  no JB:
http://jbonline.terra.com..br/extra/2008/11/03/e031118557.html


Hermínio Bello de Carvalho critica mudanças no Projeto Pixinguinha
JB Online
RIO - O compositor, produtor musical e poeta brasileiro Hermínio Bello de 
Carvalho escreveu uma carta ao atual ministro da Cultura, Juca Ferreira, 
criticando as mudanças ocorridas no Projeto Pixinguinha. Carvalho é considerado 
um dos maiores conhecedores de MPB do país. O documento foi divulgado 
publicamente no blog do ator Antônio Grassi, que ocupou o cargo de presidente 
da Funarte entre 2003 e 2007 e foi o responsável pela revitalização do 
Pixinguinha.
O projeto musical, que integra os editais da Funarte (Fundação Nacional das 
Artes), antes promovia o intercâmbio entre artistas de diferentes Estados 
brasileiros, agora restringe a mobilidade geográfica dos músicos: segundo o 
novo edital, os participantes devem se apresentar em três munícipios de seus 
próprios Estados.
As mudanças ocorreram durante a gestão de Celso Frateschi que deixou o cargo em 
momento polêmico, quando foi acusado de beneficiar a companhia de teatro Ágora, 
fundada pelo próprio Frateschi. Na última sexta-feira o ministro Juca Ferreira 
anunciou o ator Sérgio Mamberti como o novo presidente da Funarte.
A seguir confira na íntegra a carta de Hermínio Bello de Carvalho:

"Em defesa do Projeto Pixinguinha e da palavra empenhada"
Poderia usar um artifício em defesa do Projeto Pixinguinha, fazendo uma colagem 
dos textos de Gilberto Gil defendendo aquele programa cultural nos catálogos 
editados pela Funarte - mas acho que você conhece fartamente o pensamento do 
ministro recém demissionário. E o "você", no caso, não subtrai o respeito ao 
cargo de ministro, mas sim uma absoluta dificuldade em fazer salamaleques, ou 
mesmo usar de adjetivos hipócritas - que seriam logo desvendados, talvez pela 
falta de prática no ofício.
Se há quase 50 anos eu já reverenciava Pixinguinha e Cartola, a vida me deu 
oportunidade de prestar atenção aos talentos que iriam enriquecer (não no 
sentido vil da palavra) a minha vida, possibilitando me tornar parceiro de 
vultos geniais iguais àqueles dois.
O Projeto que leva o nome de Pixinguinha faz parte desses ritos reverenciais - 
assim como outros projetos que deixei aí na Funarte que, nem na época da 
ditadura, sofreu com episódios como os que aconteceram recentemente.
Também esse aprendizado me fez conhecer Clementina de Jesus, tão representativa 
na minha vida quanto o foi Chico Antonio, o cantador que a Mário de Andrade 
tanto impressionou. A arte de prestar atenção você pode constatá-la num texto 
meu de 1966, na contracapa do LP Muito Elizeth, no qual pedia que reparassem 
num jovem compositor que estava surgindo - esse mesmo Gilberto Gil que, depois 
Ministro, permitiu que a chama do projeto fosse reacesa na administração do 
Grassi.
Que não se enxergue hipocrisia ou adulação quando o cultuo como o grande 
artista que nunca deixará de ser (acima de poderes ministeriais provisórios). E 
também como um colega de profissão, que veio em minha casa quando fundamos a 
Sombrás, isso há 30 anos, para deixar uma procuração que eu, vice do então 
presidente Tom Jobim, o representasse nas lutas pela moralização dos direitos 
autorais, numa época em que éramos assediados pela censura, no rastro do AI-5, 
que a Gil e Caetano aprisionou indecentemente.
Não, decididamente não creio que Gilberto Gil tenha renegado seus textos em 
favor do projeto ou anulado, moralmente, a referida procuração. Quanto à 
extinção do Pixinguinha, logo anunciada na troca de Ministros, soa como traição 
ou insubordinação aos ideais daquele importante músico.
No ano passado, quando fui chamado para fazer a curadoria do Pixinguinha, não 
imaginava que, na verdade, estavam me entregando uma urna ainda vazia, na qual 
iriam depositar as cinzas daquele Projeto.
Aceitei o cargo sob algumas condições: que reativassem também os projetos Lúcio 
Rangel de Monografias e o Radamés Gnattali (discos paradidáticos), além de 
propor a reabertura da Sala Sidney Miller e a reedição de livros do grande Jota 
Efegê.
Me senti traído quando o Projeto Pixinguinha foi extinguido e mutilado, e a 
edição dos livros de Jota Efegê não ganharam a merecida distribuição. Mau uso 
do dinheiro público, fazendo reverter ao ostracismo aquelas reedições. E as 
outras promessas feitas? Caíram no ossário do esquecimento. Também me 
impressionou o clima de terrorismo que encontrei infestando aquela Casa.
É consenso que a utilização da mesma marca Pixinguinha num projeto totalmente 
inverso ao original foi manobra que a ninguém iludiu. É a máquina pública 
modorrenta e preguiçosa, viveiro de incompetentes moscas varejeiras que 
infectam de burocracia o fazer cultural.
E criminosamente extirparam a principal característica daquele programa apoiado 
por Gil: a circulação da música brasileira por todo o país. Cultura que não 
circula morre de inanição, é devolvida ao anonimato.
Assim como confiei em Gil em 1966, não haveria porque não dar crédito àqueles 
que executavam sua política cultural, com especial destaque para os textos em 
que defendia o Projeto. Ou seriam apócrifos?
Portanto, não poderia dormir direito com minha consciência se não viesse 
lembrá-lo que estar Ministro até 2010 não o desonera de fazer cumprir o que foi 
prometido pela gestão anterior que comandava a Funarte.
É a homenagem que presto à minha consciência, ao não me silenciar diante de 
tais iniqüidades. Estou certo de que você, igualmente avesso a desajeitados 
salamaleques, há de compreender que o ano e pouco que ainda terá à frente do 
Ministério da Cultura o obrigará a um olhar reflexivo sobre esse ato de 
vandalismo e genocídio cultural que vem dizimando aqueles que ainda reverenciam 
a palavra empenhada e se sentem desrespeitados por esse caos.
Atenciosamente,
Hermínio Bello de Carvalho
[16:32] - 03/11/2008

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