Essa visão, digamos, meio "socialista" dos desfiles tem até uma certa
coerência, mas ignora totalmente o fator humano, as pessoas que "vivem" as
escolas de samba. Eu tenho um site, exclusivamente sobre as escolas do
Rio, que teve 1.600.000 visitantes no ano passado. Ontem, durante a
apuração do Grupo Especial, o fórum do site tinha quase 500 pessoas.
Nenhuma dessas pessoas está à mando do capital. Muito pelo contrário, se
dedicam às suas escolas por puro prazer. O resultado do carnaval também
desmente sua tese. O Salgueiro fez um enredo totalmente criado e
desenvolvido por seu carnavalesco, com a colaboração do Departamente
Cultural da escola, do qual faço parte. A escola gastou apenas as verbas
de direitos de imagens, subvenção da prefeitura, venda de ingressos para o
desfile, e o que conseguiu arrecadar nos eventos da quadra, sempre lotada.
A despeito disso, apresentou belas alegorias e, dos 4.100 componentes,
quase 3.000 ganharam suas roupas. Depois de participar de ensaios durante
quatro meses. Acreditar que os desfiles e as escolas se resumem ao que a
Globo mostra, durante os dois dias de carnaval, é um erro. Elas são muito
maiores. O povo das escolas é ainda maior.
André Albuquerque
[email protected]
-----Mensagem Original-----
De: Carolina
Para: André Carvalho
Cc: Eduardo S. Martins ; [email protected] ; Carmen ;
[email protected]
Enviada em: quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009 22:12
Assunto: Re: [S-C] Re: Deu a louca nos jurados. Garfaram o Império
Serrano
Bom acho que o André tocou no ponto da questão. Os desfiles estão
totalmente
à mando do capital. Tem que ter fomento do governo e de empresas
privadas.
Canta-se a França, se a França mandar a grana, o Japão se o Japão mandar
a grana. Canta-se o Maranhão se o governo maranhense manda a grana e por
aí
vai... As escolas de São Paulo e do Rio seguem no mesmo ritmo, o ritmo do
capital. É bom lembrar que a tradicional Mangueira não tinha dinheiro
para
terminar suas fantasias e quem esteve na avenida pode ver carros mal
acabados... um fiasco. Salve o povo mangueirense que participa de coração
aberto pela escola. O desfile esse ano foi um fiasco nesse sentido... A
própria campeã, o Salgueiro, teve fantasias sendo terminadas em plena
avenida. Tudo em nome do grandioso Carnaval onde não se brinca e não se
dança. Em nome do luxo e com fantasias pesadas as escolas estão se
perdendo
cada vez mais. Desfilei na Porto da Pedra, uma escola nova e como alguns
já
disseram, que veio com muitos problemas. Mas considero que o maior deles
é
permitir uma "caralhada" de gringos na avenida que mal cantam o samba,
fazem
buracos a torto e a direito deslumbrados com o brilho da Sapucaí. Sou
portelense de coração, mas nesse quesito bato palmas para a Beija-flor e
esse ano para a Vila que vieram quase sem fantasias pagas. Carnaval é
comunidade, é coletividade, é pegar o ônibus na escola às 15:00hs numa
tarde
de sol a pino pra desfilar cheio de gás cinco ou seis horas mais tarde, é
cantar o samba com uma força que vem do coração, é carregar fantasia
pesada,
fazer calos nos pés de tanto sambar, nas mãos de tanto tocar. E aí me
desculpem os desfiles tanto de SP como os do RJ. Hoje quase não se vê
mais
isso. É só chegar, pagar 500 paus, chegar a 30 min do desfile que tá tudo
certo. No fim da avenida eu cansada porém muito satisfeita ainda recebi
uma
proposta em dólar para vender minha fantasia... o Carnaval virou isso
minha
gente. Por isso é que eu saúdo o renascimento do Carnaval de rua do Rio.
Faz
tempo que o povo deixou sambódromo...
Abraços Carol.
2009/2/26 André Carvalho <[email protected]>
> é sempre bom esclarecer alguns fatos.
>
> tanto desfile das escolas de samba de São paulo quanto o desfile das
> escolas
> do Rio, hoje, são um produto da Globo. é um espetaculo visual em
detrimento
> à toda história de samba que as escolas construíram. Isso é fato
notório.
>
> Assim como as escolas de samba do Rio, as escolas de samba de São Paulo
> também têm muita tradição. Só não vê quem não quer. A Vai-Vai, por
exemplo,
> nasceu como cordão em 1930, apenas dois anos depois da Deixa Falar
nascer
> no
> Estácio.
>
> Os desfile do carnaval da antiga, em SP, era de cordões. As mais
> tradicionais (hoje) escolas de samba de São Paulo nasceram como
cordões.
> Apenas na década de 70 o desflie de SP foi regulamentado e os cordões
> viraram escolas de samba. Lamentavelmente, foi copiado o modelo do Rio,
> eliminando tradições históricas dos cordões (como os porta-estandartes,
por
> exemplo), e o Carnaval daqui passou ser uma cópia mal feita do carnaval
do
> Rio
>
> Hoje em dia porém, tá tudo igual. Os sambas-enredos são ruins aqui em
SP e
> lá no Rio também. Carnaval virou espetaculo visual. Produto global.
Como
> o futebol brasileiro. É triste.
>
> 2009/2/26 Eduardo S. Martins <[email protected]>
>
> > Os índices do IBOPE mostram que quem gosta de assistir o carnaval
pela TV
> > gosta também do carnaval das escolas de São Paulo. Mas eu entendo o
medo
> de
> > vocês cariocas, há tempos já perderam para São Paulo a hegemonia do
> > futebol,
> > perder a do carnaval seria demais da conta..., he! he! he! he! he!
> > abs.
> > Eduardo Martins
> >
> > PS: O Almir Guineto só não morreu à mingua, naquela fase de
ostracismo,
> > porque foi acolhido pelo VAI-VAI.
> >
> > "...Agora que eu quero ver
> > você chorar
> > você vai entristecer
> > quando o Vai-Vai passar
> > Bem que eu lhe avisei
> > e você sabia
> > porque não aprontou
> > a sua fantasia
> > se você não sai
> > é por culpa sua
> > pra te consolar o Vai-Vai está na rua..."
> >
> >
> >
> > ----- Original Message -----
> > From: Roberto Ponciano
> >
> > Edu, Ibope não é critério de nada, por conta do burro Ibope aturamos
> > Faustão, Gugu e Big Brother. O espetáculo de Sampa dá dó, é de doer e
> está
> > sendo imposto a nós pela Globo, com dois dias de chatransmissão.
> > Sâo 12 escolas por que a globo não pode perder um dia de novela, não
pode
> > atrasar jornal e tem que mostrar a chatice de Sampa.
> > Bairrismo?
> > Bem, amigo, tenho direito a achar aquilo chato e meramente copiativo,
> > aliás,
> > os passinhos marcados e coreografados das escolas do RIo já são uma
> chatice
> > que está difícil de aturar. Uma coisa boa da vitória do Salgueiro é
que a
> > escola brincou e sambou com poucas alas de passo marcado.
> > Tomara que esta seja uma tendência, senão daqui a pouco, em lugar de
> > escolas
> > de samba, vamos ver escolas de balé.
> > Escola de samba de Sampa, só vejo amarrado na cadeira, tomando porre
de
> > Nova
> > Schin.
> >
> >
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Beijos Carol.
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