CORREIO BRAZILIENSE Brasília, domingo, 14 de junho de 2009 Caderno Cultura
memória Pixinguinha inédito em CDs Nahima Maciel O maestro pernambucano Caio Cezar ficou deslumbrado quando entrou na sala da casa de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. Há uma década, conduzido por Marcelo Vianna, neto do compositor que acabara de gravar um disco de músicas inéditas do avô, Cezar descobriu uma coleção de partituras inéditas. Também percebeu que o Pixinguinha mestre da flauta e do sax não se limitara às dezenas de xotes e choros que o elevaram ao patamar de mais importante compositor brasileiro no campo da orquestração da música popular. Depois de um levantamento tive noção exata do que era obra dele e de outra área de composições pouco conhecidas. Ele compôs muitos baiões, frevos e sambas. Isso era uma área que quase não se conhecia. E era um extraordinário orquestrador, não só pela qualidade, mas pelo volume de coisas que fez, conta o maestro, que depois da constatação se juntou a Vianna para montar a Série Pixinguinha, cujos primeiros três discos acabam de ser lançados. Os CDs, primeiros de um conjunto de 10, serão vendidos separadamente e apresentam três vertentes pesquisadas por Vianna e Cezar. Pixinguinha sinfônico, gravado pela Orquestra Petrobras Sinfônica, com regência de Silvio Barbato, apresenta o repertório característico com faixas inéditas. Músicas como Canção da odalisca, na qual Carlos Malta é o responsável pelo solo de sax soprano, Stela, Caboboclo do mato e Tango nº1 não têm registros anteriores. Carinhoso, gravada dezenas de vezes na história da música popular brasileira, abre o disco com uma orquestração inédita preservada à risca pela batuta de Barbato. O CD é uma das últimas gravações do maestro, morto em 31 de maio no acidente do voo 447 da Air France. Chamamos a Petrobras porque queríamos uma grande sinfônica tradicional e pelo fato de produzirem séries de artistas populares. E chamamos o Silvio porque era preciso um regente que tivesse entendimento maior da cultura popular. Ele era um especialista em ópera e já havia feito projetos com Egberto Gismonti, tinha uma prática com o universo popular, explica Cezar. Arranjos Em Sinfônico popular, o ineditismo fica por conta dos arranjos, todos de autoria do próprio Pixinguinha e muitos, como os clássicos Lamentos e Dengoso, nunca antes registrados. Os produtores escolheram para a tarefa a Orquestra Sinfônica do Recife, sob regência de Osman Gioia, acostumada a um repertório popular e rica nos sopros que formam a base do frevo. Para liderar o naipe de sax os produtores convidaram Carlos Malta. A intenção era dar um tempero por meio da experiência de um músico íntimo das composições do mestre. Já Pixinguinha no cinema foi uma das mais celebradas descobertas de Vianna e Cezar. Entre 1962 e 1963, em parceria com Vinicius de Moraes, o compositor criou a trilha sonora para o filme Sol sobre a lama, de Alex Viany. Algumas canções do projeto foram gravadas ao longo do tempo, mas a trilha completa e boa parte dela permaneciam inéditas. Ao encontrar as partituras apenas para trios como flautim, tuba e clarineta, Cezar acreditou que parte da obra estava perdida e que a recuperação seria impossível. Então, abandonamos o projeto até que descobrimos o filme, que ficou meio perdido. Quando ouvimos, vimos que ele escreve exatamente para isso (trios) e que não tinha nenhuma partitura perdida. Me deparei com um tipo de escrita dele que jamais tinha sido visto, uma escrita minimalista, um verdadeiro experimento, conta Cezar. Pixinguinha arquitetou a trilha de acordo com cada cena do filme e Vinicius de Moraes fez as letras de cinco das 16 músicas. Quando iniciou a pesquisa e percebeu o que tinha em mãos, Marcelo Vianna decidiu ceder o arquivo do avô ao Instituto Moreira Salles (IMS), que digitalizou boa parte das partituras e documentos como cartas e fotografias. As partituras são muito antigas e minha maior preocupação na época era que não virassem poeira, lembra. Pixinguina Sinfônico Com Orquestra Petrobras Sinfônica sob regência de Silvio Barbato. Produção de Lu Araújo, Caio Cezar e Marcelo Vianna. 10 faixas. Lançamento Sesc Rio e Crioula Records. R$ 24,90. Pixinguinha Sinfônico Popular Com Orquestra Sinfônica do Recife sob regência de Osman Gioia. Produção de Lu Araújo, Caio Cezar e Marcelo Vianna. 10 faixas. Lançamento Sesc Rio e Crioula Records. R$ 24,90. Pixinguinha no cinema Com Andrea Ernest Dias, Dirceu Leite, Carlos Malta, Vittor Santos, Ana de Oliveira, Eliézer Rodrigues, Toni 7 Cordas e Carlos Negreiros. Produção de Lu Araújo, Caio Cezar e Marcelo Vianna. 16 faixas. Lançamento Sesc Rio e Crioula Records. R$ 24,90. http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_108.htm _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
