Sera que o Brasil precisa mesmo de um Ministerio da Cultura  ?
Eu sinceramente nao vejo  necessidade alguma. Juntamente com o ministerio dos
esportes eh uma das pastas mais inuteis do governo federal.

E essas porcarias de leis  do tipo Rouanet deveriam acabar com todas.
No lugar poderiam  criar  festivais, mostras todas   competitivas onde
os melhores colocados garantiriam   premios  para financiar suas
producoes.

Eh claro que os julgamentos seriam mas polemicos do que apuracao de
escola de samba..
Mas pelo menos existiria um criterio competitivo e mais justo do que o atual.

flw
fabio padilha.




"Ministério não tem vocação para irmã Dulce", diz Juca Ferreira
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MARCIO AITH
da Folha de S.Paulo

"Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O
ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de
Calcutá." Com essas palavras o ministro da Cultura, Juca Ferreira,
indicou à Folha que irá rever a decisão que proibiu produtores do
músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para
divulgar o novo CD do artista, "Zii e Zie".

Em reunião em maio, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC)
decidiu que o projeto, no valor de R$ 2 milhões, não precisa da
Rouanet por ser comercialmente viável.

A CNIC é um órgão colegiado que pertence ao Ministério da Cultura. O
ministro pode, a seu critério, rever as decisões da comissão. Ferreira
negou ter sofrido pressões da empresária Paula Lavigne, ex-mulher e
empresária de Caetano, para que a decisão fosse revertida: "Ela não
fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha
sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado
para outras pessoas". Leia a seguir a entrevista.

Folha - O sr. vai rever o veto a Caetano Veloso?

Juca Ferreira - A produção de Caetano entrou com o recurso, que vai
ser analisado pelo ministério. Estou acompanhando. Evito ao máximo
rever decisões da CNIC. Só quando ocorre um erro muito contundente
procuro chamá-los à razão.

Folha - Que erro foi esse?

Ferreira - O que houve é o seguinte. Não é possível aplicar um
critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem
nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter
seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter. No ano passado,
quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC
também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado
projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em
todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem
critérios legais.

Folha - A empresária Paula Lavigne pressionou-lhe para rever a decisão
sobre Caetano?

Ferreira - Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou
qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia
que tinha sido usado para outras pessoas. Eu, da mesma maneira que
ela, também estranhei. Eu e Caetano nem tratamos do assunto.

Folha - Sobre o que o senhor conversou com Caetano?

FERREIRA - Falamos de uma série de coisas, menos do projeto. Eles
[Caetano e Paula Lavigne] têm agido com uma delicadeza enorme. Eu é
que estou mobilizado porque esse assunto surge neste momento final de
discussão para a reforma da Lei Rouanet. Estamos ganhando a opinião
pública, trazendo os artistas para uma escala de confiança maior. E
não é justo que [a CNIC] tome essa decisão. Podem estar querendo me
atritar com Caetano. Estão tentando arregimentar artistas consagrados
contra a reforma.

Folha - O senhor diz que não há critério legal para negar o projeto de
Caetano Veloso. Se não existe critério, por que musicais como "Peter
Pan" e "Miss Saigon", e exposições como "Leonardo da Vinci" e "Corpo
Humano" foram negados?

Ferreira - Não vou aqui discutir casos. Frequentemente há erros, eu
tenho dito isso. É justamente a falta de critérios que cria ambiente
para julgamentos subjetivos. Um dos objetivos da reforma da lei é
adotar critérios previamente legitimados pela discussão pública.

Folha - Não há uma contradição entre o espírito da reforma da Lei
Rouanet, baseada no uso de dinheiro público para quem precisa, e a
decisão de estender a lei a Caetano, um artista consagrado?

Ferreira - De modo algum. O show já está em turnê, cobrando um preço.
Seus produtores se dispuseram a reduzi-lo para pouco menos da metade
se for incorporado dinheiro público. Ao que parece, o ingresso cairia
para R$ 40 inteira, e R$ 20 meia. Isso possibilita a ampliação de
pessoas na plateia. Atende a uma demanda nossa, a de que um artista
bem-sucedido amplie seu público. Não é contraditório. Queremos uma
política cultural sólida, mas não faremos isso sem os grandes artistas
brasileiros.

A única coisa que apontamos é que, da maneira como a lei é hoje, os
artistas novos, de diversos Estados, não têm acesso à lei. Não sou
masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério
não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um
artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para
uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os
preços de um espetáculo popular. Deve-se avaliar economicamente cada
projeto, o que hoje a lei sequer prevê.

A discussão não está aí.

Folha - Qual é a discussão?

Ferreira - Mais de 20% dos recursos da lei vazam por meio de serviços
de "garantias", assim, com aspas, de aprovação de projetos no
Ministério e de captação em departamentos de marketing de empresas. A
sociedade não aguenta mais negociações por baixo da mesa
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