Sonia, Sem se falar  numa das melhores releituras  do lado "B" de Noel, feita 
pela ótima Ione Papas no excelente  Noel por Ione, que é muito mais substancial 
que este trabalho de "resgate"  ... Ô termozinho chato.
Mas afinal, quem é Ione Papas?

Abração

Ary



________________________________
De: Sonia Palhares Marinho <[email protected]>
Para: [email protected]
Enviadas: Terça-feira, 11 de Maio de 2010 16:28:03
Assunto: [S-C] Martinho da Vila resgata a obra de Noel Rosa (JB Online)

 
 
Resgata? Como assim? Todo mundo grava Noel Rosa desde que o  homem morreu.
 
 
Sonia Palhares (BsB-DF)
 
 
 
Martinho da Vila resgata a obra de Noel Rosa
 


Luiz Felipe Reis, Jornal do Brasil 
  
  
RIO - Foi por acaso, sem planejar, que Martinho José Ferreira começou a moldar 
Poeta da cidade, álbum-tributo lançado agora em homenagem aos 100 anos de 
nascimento do poeta maior da Vila Isabel, Noel Rosa. Convidado pelo 
departamento de Letras da PUC-Rio, que preparava um livro de ensaios sobre o 
compositor, Martinho passou a selecionar e gravar algumas versões para 
clássicos do mestre, que serviriam de luxuoso adendo aos trabalhos burilados 
por 14 pesquisadores. Mas aos 72 anos, o compositor que cultivou por décadas o 
bordão “devagar, devagarinho” como retrato de sua persona relaxada, pisou firme 
no acelerador e deu ponto final às linhas melódicas antes que o registro 
escrito estivesse pronto. 
  
– Eu sempre pensei em gravar um disco com algumas coisas de Noel, mas não andei 
com a ideia. Até que o pessoal da PUC pediu que eu gravasse algumas músicas, 
que estariam num CD encartado no livro, mas acontece que o CD ficou pronto e o 
livro, não – explica. – Acho que lidar com 14 escritores é mais difícil, fiz o 
meu tranquilamente e terminei. Aí o pessoal da Biscoito ficou sabendo e veio me 
dizer que a gente não podia deixar a data passar em branco. 
Entre tantos poetas, filósofos ou menestréis da música popular brasileira, Noel 
Rosa é, sem dúvida, um dos precursores. Homem branco da cidade, mas desprovido 
de preconceitos, cruzou a linha invisível que separa o morro do asfalto para 
bebericar da fonte dos compositores instalados no cume. Ao aliar o olhar 
aguçado de andarilho urbano à sensibilidade boemia que rescende ao talento 
artístico inato dos compositores do morro, Noel rabiscou emboladas, toadas e 
cateretês até abraçar o samba como sinônimo de sua existência. Fez do gênero a 
plataforma espelhada que retratava os costumes de uma sociedade moderna em 
formação, no início do século passado. 
  
– Noel foi importantíssimo para a definição do samba como o conhecemos hoje. 
Ele surge num período em que o samba era amaxixado... É a partir dele que se 
configura esse jeito carioca que vemos hoje – teoriza. – Isso foi possível 
porque Noel admirava os sambistas do morro. Ele se aproximou dos compositores 
favelados, como o Cartola e o Ismael Silva. A partir daí, mudou e urbanizou a 
linguagem. Noel não tinha preconceitos, fazia parceria com todos. E por isso 
ele é importante não só pela obra, mas pela postura social que adotou. 
  
Apesar das múltiplas parcerias que colecionou em seus oito anos de curta mas 
profícua atividade como compositor, Poeta da cidade ilumina a trajetória 
solitária do autor, jogando luz em 14 faixas que levam apenas a sua assinatura, 
sem parceiros. O recorte surgiu para nortear o trabalho de Martinho e do 
produtor e arranjador Rildo Hora. Mergulhando cada vez mais fundo no manancial 
criativo deixado pelo poeta, em vez de se achar, se perdiam sempre que 
esbarravam com mais uma pérola do extenso repertório do compositor. 
  
– Quando se pensa em fazer um disco sobre Noel, as opções são muitas, a gente 
fica perdido – revela. – É como uma mulher que tem no guarda-roupas dezenas de 
bolsas e sapatos, na hora de se vestir fica toda enrolada. Aí, decidimo: “Pô, 
vamos fazer o Noel autor”. Ficou mais fácil, mas não foi fácil. Sobraram muitas 
canções. 
  
Mesmo com todo cuidado, Filosofia, assinada com André Filho, passou 
despercebida pelo crivo de Martinho. Quando percebeu o esquecimento em relação 
ao parceiro de Noel na faixa já era tarde. 
  
– Esqueci completamente, mas deixamos passar – reconhece. 
  
Em Poeta da cidade, além de retomar parcerias com Rildo Hora, com quem não 
trabalhava há uma década; e Elifas Andreato, cuja assinatura dos traços no 
encarte não ocorria há 20 anos, Martinho se empenha em estabelecer novas 
parcerias. Por sugestão de Rildo, foi selecionado um naipe luxuoso de vozes 
femininas que fazem duetos com Martinho ao longo de quase todo o trabalho. Além 
das suas filhas mais conhecidas, Mart'nália (Minha viola e Rapaz folgado) e 
Analimar (Coisas nossas e Quando o samba acabou), o cantor apresenta Maíra 
Freitas (Último desejo) que se une às revelações Ana Costa (Século do progresso 
e Eu vou pra Vila) e Aline Calixto (Fita amarela e O x do problema). Também 
participa Patrícia Hora, filha de Rildo, que assume os vocais m Três apitos. 
  
– Rildo veio com a ideia de trazer gente nova, cantoras que não estavam tão na 
cara do gol. Aí ele falou que seria interessante apresentar a minha filha 
Maíra. 
  
Eu aceitei, mas só se ele viesse com a Patrícia – brinca Martinho. – Depois ele 
escolheu a Ana Costa, e eu sugeri a Calixto, porque já havia feito um Som 
Brasil com ela. Já conhecia e admirava o trabalho. Analimar e Mart'nália são de 
casa... 
  
Como o seu título indica, Poeta da cidade amplifica o lastro de influência do 
autor para além dos arredores que usou como inspiração: os bairros de Vila 
Isabel, Estácio e Vila da Penha. Cronista atento do espaço urbano, pintou em 
versos carregados de pessimismo, desilusões amorosas e redenção absoluta ao 
samba imagens que permanecem incrustadas ao inconsciente coletivo. De corpo 
franzino e saúde fragilizada, saboreava em sílabas, versos e melodias 
sofisticadas os elementos que compunham o ideal do malandro romântico, se 
afastando da celebração aos truculentos brigões que empunhavam suas navalhas 
nas noites quentes pelas cercanias da Lapa. 
  
– Poeta da cidade é uma promoção ao Noel. Ele sai da Vila e abraça a cidade. 
Era um autor de muitos temas, que cantava o que via e absorvia da cidade. 
  

23:47 - 10/05/2010
 
Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/05/10/e100512449.asp
________________________________
POR ANO SÃO ENCONTRADOS 609.000 SITES QUE ROUBAM DADOS. VEJA COMO SE PROTEGER 
AQUI. 


      
_______________________________________________
Tribuna mailing list
[email protected]
http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna

Responder a