O representante do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados, empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda) relatou as decisões tomadas na reunião da ABNT ocorrida no dia 09/8/07, no RJ, que causaram a sua indignação:
1 - a ausência de registro em ata da realização da 3ª reunião ocorrida em Brasília. 2 - Ao cobrar o registro da ata, foi surpreendido com a alegação, por parte de "revendedores de uma adeteminada empresa" de que a referida reunão não teria ocorrido. 3 - Para solucionar o impasse ficou aceito que não constaria na ata a realização da 3ª reunião da ABNT em Brasília, apenas suas decisões. Ou seja, a reunião não ocorreu, mas (pelo menos) ficaram registrados as decisões tomadas na mesma (!?). 4 - Para definir o voto do Brasil para ISO o método utilizado é o da unanimidade. O representante do SERPRO afirmou: Realmente é muito estranho este processo de decisão.Para mim isto já define a posição brasileira, pois será impossível obter consenso no grupo. 5 -SERPRO: "a postura do grupo de revendores continuava desrespeitosa. Eles que não haviam participado de nenhuma parte do trabalho, também evitavam qualquer assunto relacionado a discussão técnica, sempre tratando de maneira desrespeitosa os demais participantes." 6 - SERPRO: "No final veio o momento que motivou a nossa retirada da reunião. Foi dito pela ABNT que a decisão da cidade aonde se daria a definição do voto seria dela." 7 - SERPRO: "Mesmo assim solicitei à mesa que fosse colocado em votação uma solicitação para a ABNT que a reunião fosse mantida em Brasília." 8 - SERPRO: "No primeiro momento a coordenadora da Comissão (Maria de Fátima Porcaro) não aceitou a proposição e fomos obrigados a ser mais enfáticos na solicitação." 9 - SERPRO: "Eles decidiram então fazer um levantamento da cidade em que aconteceria a decisão entre Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, com o intuito de dividir as preferências e favorecer os apoiadores/revendedores da Microsoft que estão concentrados em São Paulo." 10 - SERPRO: "Desta forma, por ter nossa proposta ignorada pela mesa, que não demonstrou neste momento a imparcialidade necessária para conduzir este assunto, nós do SERPRO nos retiramos da votação." CONCLUSÃO SERPRO: "Pelo visto o Brasil não irá neste momento emitir qualquer comentário sobre a norma. Ficou claro para mim a estratégia por parte dos defensores do Openxml de forçar todos os países que estudaram a norma a se absterem da votação (Além do Brasil, EUA, Espanha, Itália, etc...)." ************************* Direto do Rio de Janeiro: Relato da Reunião da ABNT sobre ooxml Link para a matéria: http://www.softwarelivre.org/news/9726 Editoria: Colunistas do PSL Brasil 10/Aug/2007 - 05:36 Enviado por Deivi Lopes Kuhn No dia 09 de agosto foi realizada na sede da ABNT do Rio de Janeiro a 4ª Reunião do Comite 34, responsável por definir as posições do Brasil na ISO, refletindo o comitê JTC1/SC 34 que está analisando a proposta de tornar o OpenXML um padrão da ISO. A definição do voto iria ocorrer em Brasília, conforme decidido na 3ª reunião. Porém por algum motivo que ainda não entendemos esta decisão não constou na ata da ABNT. No ínicio da reunião solicitamos que fosse corrigida a ata. Para nossa surpresa parte dos participantes começaram a defender que não havia ocorrido aquela decisão. Foi um interessante fenômeno de amnésia coletiva de revendedores de uma determinada empresa. :) Por fim prevaleceu o bom senso. Não era correto mudar a ata de uma decisão já tomada. Ficou combinado que a discussão seria reaberta e que a ata iria refletir realmente o que ocorreu na 3ª reunião. Depois de aprovar a ata e já em clima pouco construtivo de alguns participantes, foi apresentado pela ABNT o processo de decisão que seria utilizado dentro do CE 34 do Brasil para definir o voto brasileiro. A Sra Marcia Cristina de Oliveira apresentou como funciona todo o processo desde a submissão de uma proposta na ISO até a definição do voto do país. Ficou informado que a ABNT define uma norma para o país utilizando o mesmo critério da ISO, isto é, para um novo padrão seja aprovado, ele precisa ter dois terços dos votos de aprovação e não pode ter mais que um quarto de votos "não". Porém para definir o voto do Brasil para ISO o método utilizado é outro, o da unanimidade. Isto é, se tivermos 50 pessoas a favor de uma norma e apenas uma contra, o Brasil não emite opinião sobre um assunto. Realmente é muito estranho este processo de decisão. Para mim isto já define a posição brasileira, pois será impossível obter consenso no grupo. Infelizmente todo o esforço do grupo trabalho que foi montado para analisar a norma e que está formulando um relatório com os problemas técnicos encontrados será jogado fora, já que não existe abstenção com comentários. Este processo de decisão não faz nenhum sentido para mim. Parece apenas uma forma de se abster da responsabilidade quando existe algum tipo de disputa. Realmente é uma pena que um órgão que deveria defender o interesse do país se omita de qualquer decisão, quando todas as pessoas não concordem. O correto seria adotar o mesmo critério de decisão da ISO. Depois o Grupo de Trabalho que está analisando o Openxml iniciou a apresentação sobre os avanços obtidos na análise da norma. Porém a postura do grupo de revendores continuava desrespeitosa. Eles que não haviam participado de nenhuma parte do trabalho, também evitavam qualquer assunto relacionado a discussão técnica, sempre tratando de maneira desrespeitosa os demais participantes. Achei curioso esta atitude, pois os que defendem o Software Livre têm sido acusados de ter um discurso cheio de ideologia. Porém, agora os defensores desta proposta de padrão têm um posicionamento claramente ideológico e ainda dificultam o trabalho de avaliação e discussão técnica dos que lá estavam tentando mostrar os problemas da proposta de padrão. No final veio o momento que motivou a nossa retirada da reunião. Foi dito pela ABNT que a decisão da cidade aonde se daria a definição do voto seria dela. Mesmo assim solicitei à mesa que fosse colocado em votação uma solicitação para a ABNT que a reunião fosse mantida em Brasília. No primeiro momento a coordenadora da Comissão (Maria de Fátima Porcaro) não aceitou a proposição e fomos obrigados a ser mais enfáticos na solicitação. Eles decidiram então fazer um levantamento da cidade em que aconteceria a decisão entre Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, com o intuito de dividir as preferências e favorecer os apoiadores/revendedores da Microsoft que estão concentrados em São Paulo. Desta forma, por ter nossa proposta ignorada pela mesa, que não demonstrou neste momento a imparcialidade necessária para conduzir este assunto, nós do SERPRO nos retiramos da votação. Pelo visto o Brasil não irá neste momento emitir qualquer comentário sobre a norma. Ficou claro para mim a estratégia por parte dos defensores do Openxml de forçar todos os países que estudaram a norma a se absterem da votação (Além do Brasil, EUA, Espanha, Itália, etc...). Todos as pessoas que são a favor da padronização viram de maneira positiva a proposta de padronizarmos o formato de armazenamento de documentos. Infelizmente estamos sendo sucessivamente impedidos de contribuir na construção deste formato. Em primeiro lugar a ISO aceita o Openxml como "Fasttrack" o que faz com que ele pule várias etapas de discussão. Agora todos os países que pretendem discutir a norma e fazer contribuições a ela são levados a se abster da votação. Nos cabe agora apenas solicitar que os defensores do Openxml, que pelo visto ainda estão tentando aprender a trabalhar com padrões, que aceitem as sugestões de alteração da norma que foram apresentadas e submetam nossas propostas para que a norma seja corrigida antes de avançar no processo de padronização. ****************** Em Segunda 13 Agosto 2007 10:52, Olivier Hallot escreveu: > É muito simples: o Brasil ("esse país" como os politicos sempre dizem), > pode aprovar um padrão que contém erros e indefinições. > > Aprovado, o padrão pode ser usado por outras empresas de software que ao > tentar implementar, irão se deparar com os erros e indefinições. Dai > cada um tem de se virar pra encontrar uma solução para contornar os > erros do padrão. > > Conclusão: não haverá compatibilidade entre duas implementações do mesmo > padrão. Bagunça geral, com beneficios claros para a unica empresa que se > diz capaz de produzir um documento no padrão que ela mesma definiu e que > com certeza irá dar direitos de cobrar dos outros (patentes, etc...) a > compatibilidade: "Se você implementou deste jeito, ficou igual ao nosso, > e não esta claro no padrão, você copiou a gente". > > Andre Cavalcante escreveu: > > Em 13/08/07, Renato S. Yamane <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > >> [EMAIL PROTECTED] escreveu: > >>> ABNT - Manobra Golpista? > >>> > >>> A Redação do PSL-Brasil foi informada por Deivi Kunh, representante do > >> > >> SERPRO > >> > >>> no evento, que a ABNT, de forma golpista, propôs a mudança do local da > >>> reunião que vai definir a posição brasileira. Em vez de manter na data > >> > >> do dia > >> > >>> 23 de agosto em Brasilia, propuseram e venceram a votação para alterar > >> > >> para > >> > >>> São Paulo. > >> > >> Eu, sinceramente não vejo nada de "golpista" em mudar a reunião para a > >> capital FINANCEIRA do país. > >> > >> Você poderia me informar onde está o suposto "golpe"? > >> > >> Att, > >> Renato > > > > Renato, isso se deve ao fato de a Microsoft ter mais poder de fogo em São > > Paulo que em Brasília. De fato esta vai ser uma decisão política e > > infelizmente as decisões políticas no Brasil acabam não sendo tão > > democráticas quanto parecem. No mais a Microsoft tem um duro caminho, mas > > que dificilmente não vai conseguir trilhar: tornar o OpenXML um padrão e > > torná-lo um padrão sem alterações. Para tanto, fica claro que eles vão > > forçar a barra para que países como o Brasil, em que não há um consenso, > > simplesmente se abstenham (abstenção não tem recomendações, como no caso > > de um não). Eles precisam que o "padrão" não sofra muitas alterações (de > > preferência nenhuma) até porque já existe um software no mercado que > > salva no padrão (o MS Office 2007). Já pensou se eles tivessem que > > modificar algo que tornaria os documentos do MS Office 2007 obsoletos? > > > > André Cavalcante > > Manaus, AM. --------------------------------------------------------------------- To unsubscribe, e-mail: [EMAIL PROTECTED] For additional commands, e-mail: [EMAIL PROTECTED]
