Auditório lotado no debate sobre mulheres e software livre

22 de Julho de 2010, por Thaís Rucker

Fonte:
http://softwarelivre.org/fisl11/noticias/auditorio-lotado-no-debate-sobre-mulheres-e-software-livre

Cerca de 200 pessoas assistiram ao debate sobre mulheres e software
livre, que aconteceu na manhã desta quarta-feira, 22, durante o fisl11.
A atividade foi organizada pelo Grupo de Trabalho Feminino Livre.

Entre as debatedoras, a professora Clarisse Abrahão fez um panorama
sobre o papel da mulher na área de educação, espaço ocupado
predominantemente por mulheres. Mas quando se trata de tecnologia, a
situação não é muito animadora: “Professora chama homem até para ligar o
DVD”, lamenta. Na opinião dela, isso se deve a uma questão cultural.
“Desde a infância, as meninas são criadas para brincar com bonecas”, diz.

A administradora de sistemas Fernanda Weiden iniciou sua carreira na
informática em 2001, numa área eminentemente masculina. Talvez por isso,
foi surgindo uma grande insegurança: “Eu não sabia se eu realmente sabia
fazer aquilo a que eu tava me propondo. É um sentimento que ainda tenho,
mas eu controlo”, diz.

Quando fez a sua prova de certificação, era a única mulher. Nos
empregos, nas palestras também era a mesma coisa. Mas isso pode ter um
lado bom: “Pelo fato de ser mulher e trabalhar com tecnologia,
automaticamente somos consideradas experts”. Fernanda apresentou uma
palestra e foi convidada pelo Google para realizar uma entrevista de
emprego na Suíça. Foi contratada. Hoje em dia é gerente de uma equipe de
engenharia da empresa. Dos cerca de 600 engenheiros, ela é a única mulher.

A superintendente de Inovação Tecnológica da Caixa Econômica Federal,
Cleusa Takakura, além de dar o ponto de vista feminino, falou sobre a
história da implantação de software livre na entidade. “Foi m
dificuldade grande, mas as batalhas foram vencidas”, diz. Cleusa fez
questão de estudar a fundo várias ferramentas livres antes de iniciar o
planejamento. “A gente tem que ser expert, não pode parecer”, afirma.
Mas as dificuldades encontradas estavam longe das dificuldades técnicas:
“Sempre tem alguém questionando e quando a gente é mulher questionam
mais, para ver se vamos desistir mais rápido. Chorei muitas vezes
sozinha”, conta. Cleusa sabia o que os colegas pensavam sobre ela: “além
de estar inventando, está endoidando”.

Mas ela venceu. “Com braço de ferro, a gente segura. Com braço de
mulher, a gente mantém o que faz” é frase que ela usa para falar da
experiência dolorosa, mas de sucesso. Cleusa se diz extremamente feliz
por estar no fisl11 compartilhando as suas experiências. Para ela,
trata-se de uma forma de a entidade contribuir para a construção da
confiança sobre o software livre, já que, ao mostrar que funciona no
ambiente corporativo, outras empresas passam a se interessar.

Finalizando, a coordenadora do Grupo de Usuários BrOffice.org de São
Paulo, Vera Cavalcante, faz uma analogia entre a filosofia do software
livre e a personalidade feminina: “Colaboração é uma coisa bastante
instintiva da mulher”. Segundo conta, quando participa de eventos,
apresenta projetos, treinamentos, etc., sempre busca um jeito feminino
de convencer as pessoas sobre o uso do software livre.

O compartilhamento e a colaboração são outros aspectos importantes,
conforme destaca: “Acho que a mulher consegue fazer isso melhor pelo seu
instinto feminino”, diz. Vera, que trabalha na área administrativa do
Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro, lembra que não é
necessário ser da informática para contribuir com software livre.

Por Rochele Prass

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