Ótimo artigo (o da Thaís Rucker). Ele suscita uma reflexão mais do que
necessária.
Este outro documento, de 2002, do The Linux Documentation Project aponta,
entre outros fatores, o assédio e as piadas sexistas como responsáveis por
manter as mulheres afastadas da tecnologia...
http://www.tldp.org/HOWTO/Encourage-Women-Linux-HOWTO/x168.html - Será que
mudou muita coisa no comportamento masculino de lá pra cá?

2010/7/26 Paulo Francisco Slomp <[email protected]>

>
> Auditório lotado no debate sobre mulheres e software livre
>
> 22 de Julho de 2010, por Thaís Rucker
>
> Fonte:
>
> http://softwarelivre.org/fisl11/noticias/auditorio-lotado-no-debate-sobre-mulheres-e-software-livre
>
> Cerca de 200 pessoas assistiram ao debate sobre mulheres e software
> livre, que aconteceu na manhã desta quarta-feira, 22, durante o fisl11.
> A atividade foi organizada pelo Grupo de Trabalho Feminino Livre.
>
> Entre as debatedoras, a professora Clarisse Abrahão fez um panorama
> sobre o papel da mulher na área de educação, espaço ocupado
> predominantemente por mulheres. Mas quando se trata de tecnologia, a
> situação não é muito animadora: “Professora chama homem até para ligar o
> DVD”, lamenta. Na opinião dela, isso se deve a uma questão cultural.
> “Desde a infância, as meninas são criadas para brincar com bonecas”, diz.
>
> A administradora de sistemas Fernanda Weiden iniciou sua carreira na
> informática em 2001, numa área eminentemente masculina. Talvez por isso,
> foi surgindo uma grande insegurança: “Eu não sabia se eu realmente sabia
> fazer aquilo a que eu tava me propondo. É um sentimento que ainda tenho,
> mas eu controlo”, diz.
>
> Quando fez a sua prova de certificação, era a única mulher. Nos
> empregos, nas palestras também era a mesma coisa. Mas isso pode ter um
> lado bom: “Pelo fato de ser mulher e trabalhar com tecnologia,
> automaticamente somos consideradas experts”. Fernanda apresentou uma
> palestra e foi convidada pelo Google para realizar uma entrevista de
> emprego na Suíça. Foi contratada. Hoje em dia é gerente de uma equipe de
> engenharia da empresa. Dos cerca de 600 engenheiros, ela é a única mulher.
>
> A superintendente de Inovação Tecnológica da Caixa Econômica Federal,
> Cleusa Takakura, além de dar o ponto de vista feminino, falou sobre a
> história da implantação de software livre na entidade. “Foi m
> dificuldade grande, mas as batalhas foram vencidas”, diz. Cleusa fez
> questão de estudar a fundo várias ferramentas livres antes de iniciar o
> planejamento. “A gente tem que ser expert, não pode parecer”, afirma.
> Mas as dificuldades encontradas estavam longe das dificuldades técnicas:
> “Sempre tem alguém questionando e quando a gente é mulher questionam
> mais, para ver se vamos desistir mais rápido. Chorei muitas vezes
> sozinha”, conta. Cleusa sabia o que os colegas pensavam sobre ela: “além
> de estar inventando, está endoidando”.
>
> Mas ela venceu. “Com braço de ferro, a gente segura. Com braço de
> mulher, a gente mantém o que faz” é frase que ela usa para falar da
> experiência dolorosa, mas de sucesso. Cleusa se diz extremamente feliz
> por estar no fisl11 compartilhando as suas experiências. Para ela,
> trata-se de uma forma de a entidade contribuir para a construção da
> confiança sobre o software livre, já que, ao mostrar que funciona no
> ambiente corporativo, outras empresas passam a se interessar.
>
> Finalizando, a coordenadora do Grupo de Usuários BrOffice.org de São
> Paulo, Vera Cavalcante, faz uma analogia entre a filosofia do software
> livre e a personalidade feminina: “Colaboração é uma coisa bastante
> instintiva da mulher”. Segundo conta, quando participa de eventos,
> apresenta projetos, treinamentos, etc., sempre busca um jeito feminino
> de convencer as pessoas sobre o uso do software livre.
>
> O compartilhamento e a colaboração são outros aspectos importantes,
> conforme destaca: “Acho que a mulher consegue fazer isso melhor pelo seu
> instinto feminino”, diz. Vera, que trabalha na área administrativa do
> Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro, lembra que não é
> necessário ser da informática para contribuir com software livre.
>
> Por Rochele Prass
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