Novamente um texto bem escrito... o cara tá demais...

*MARCO ANTONIO VILLA

Onde está a oposição? *

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*Lula lançou a pecha da herança maldita e não houve resposta; estavam
assustados ***
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A OPOSIÇÃO perdeu a batalha ideológica. E não é de hoje. Quando Lula assumiu
o governo, rapidamente construiu um discurso negador do passado -sua
especialidade. Com uma diferença: agora estava na Presidência e com muito
mais poder para impor a sua versão da história.
Lançando a pecha de que teria encontrado uma herança maldita, não recebeu
uma resposta eficaz e convincente dos oposicionistas. Estes estavam
assustados e desestimulados. Ser oposição é tudo o que não queriam ser.
Como disse Nícia, na comédia "A Mandrágora", de Maquiavel: "Para os que não
têm poder, não existe nem mesmo um cachorro que lhes ladre na cara".
Sem combatividade, estavam prontos para aderir ao governo. Só não o fizeram
porque surgiram escândalos envolvendo altas autoridades governamentais,
devido às divergências regionais e por uma razão simples: não foram
cooptados para fazer parte do governo.
Se os militares golpistas latino-americanos não resistiam a um "cañonazo" de
milhares de dólares, os políticos brasileiros não resistem ao "Diário
Oficial" e suas nomeações. Apesar da derrota de 2006, a oposição manteve o
comportamento light. Nada de críticas. Era necessário pensar na
governabilidade. O tempo foi passando e a eleição foi se aproximando.
A cada omissão, mais o discurso oficial se transformava em verdade absoluta,
sobre o passado e o presente. Excetuando a batalha contra a prorrogação da
CPMF, quando a oposição foi oposição e venceu, nos últimos quatro anos a
eficiência governista foi exemplar.
A oposição poderia ter criticado o rumo da economia, a segurança pública, os
milhões de analfabetos ou a péssima situação da saúde.
Mas silenciou. Abdicou do combate. Acreditou que o relativo crescimento da
economia blindava o governo de críticas. Ledo engano.
No quinquênio juscelinista, o país cresceu a taxas superiores às atuais,
realizou grandes obras (o que não ocorre agora) e JK não elegeu o sucessor.
Por quê? Porque a oposição fez o seu papel, como em qualquer democracia que
se preze. Com a proximidade das eleições, a oposição ficou sem saber o que
fazer. Esqueceu uma lição básica (e óbvia): é preciso fazer política. Ao
menos enquanto há tempo. A recusa ao debate pode abrir caminho para o
autoritarismo.
Afinal, o filho de um oligarca calou o "Estadão", proibindo noticiar suas
negociatas; enquanto um partido ocupou ao seu bel prazer as páginas de
"Veja". E tudo com a chancela da "justiça". Deste jeito logo começaremos a
achar que o México, sob domínio do PRI, era uma democracia.

*MARCO ANTONIO VILLA* é professor do Departamento de Ciências Sociais da
UFSCar


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FG

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