é preciso falar sério sobre Dilma Rousseff.

---------- Forwarded message ----------

 *A desmontagem da farsa exige mais que galhofa*

Augusto Nunes – em 16 de maio de 2010

“A galhofa já não basta”, escreveu Celso Arnaldo neste ótimo texto sobre a
ameaça que representa para o país a candidatura de Dilma Rousseff. Também
acho. A sucessora que Lula inventou é uma piada, mas uma piada no poder é um
perigo, e perigos devem ser tratados com seriedade. Ressalvo, contudo, que
nunca nos limitamos a galhofas, que aliás é coisa muito séria. Galhofa não é
brincadeira, sobretudo quando incorpora a ironia localizada na fronteira do
sarcasmo.

Para desmontar a fraude aqui identificada há oito meses, a coluna procura
dosar corretamente o humor que desconcerta o farsante e o ataque frontal que
traduz a indignação do país que presta. A fórmula tem sido aplicada com
eficácia? Boa pergunta para o timaço de comentaristas. Leia e diga o que
acha.
Por enquanto, levamos a coisa na brincadeira ─ e nos divertimos muito. Mas
acho que a coisa ficou séria. Porque ela não é a Hebe Camargo ou a Ana Maria
Braga ─ ainda pode ser eleita presidente da República.

Há oito meses ouço tudo o que Dilma diz em público. Não lhe ouvi ainda uma
frase inteligente. Um raciocínio límpido, criativo. Uma tirada esperta. Um
jogo de palavras que faça sentido lógico e tenha algum requinte metafórico.
Uma boa ideia própria. Uma resposta satisfatória e sincera. Um pensamento
sobre o Brasil que denote um juízo superior sobre nossas raízes, nossas
mazelas e nosso futuro. Um cacoete de estadista. Uma réplica ferina. Sequer
uma grosseria fina tirada do bolso do casaquinho como recurso dialético.
Só sandices, pensamentos toscos, construções que não param de pé, só o mais
absoluto desconhecimento das leis básicas da argumentação, da sintaxe, da
gincana política e da articulação de modernos conceitos de estado. Uma
incultura geral inédita entre pessoas públicas.

Decorou de orelhada meia dúzia de conceitos primários ─ o Brasil como quinta
potência, a creche como berço de tudo, a casa como identidade pessoal ─ e os
repete país afora, com um detalhe: a repetição, que normalmente produz
aprimoramento, só piora sua capacidade de expressão. Não consegue sequer
reproduzir, sem erros grosseiros, máximas, ditados e aforismos que já fazem
parte da psique popular.

Políticos cometem gafes, dizem asneiras, cometem atentados de estilo. Mas
não todos os dias. Não em todos os discursos, todas as entrevistas, todas as
frases. Todas, literalmente todas. Qualquer pessoa tem lampejos.
Em Dilma, nada se salva, rigorosamente nada. Não domina nenhum tema, nada
lhe é familiar. Nem sua doença, nem os livros que (não) leu, os filmes que
(não) viu. Nem sequer sua família lhe é familiar. Pior: apresenta a forma
mais profunda de ignorância, que é não saber que não sabe. Se se assistisse
no estarrecedor vídeo do Neymar/Ganso, diria que deu um show de bola.

Dilma Rousseff não chega a ser uma dona de casa caindo de paraquedas na
disputa da Presidência. Ela não tem nem mesmo os dons mínimos para ser “do
lar” – haja vista o omelete Superpop, cujos ovos ela mexeu antes de quebrar,
se é que isso era possível. Palmirinha seria uma candidata mais viável.
Dilma é nosso Zelig ─ e de Woody Allen só tem a feiúra. E olha nós aqui de
novo fazendo piada com algo seriíssimo.
Acho que basta. Uma coisa é chutar de canela ao falar de Vidas Secas, dos
instintos paternos, de Neymar e Ganso. Outra é divagar tão ignorantemente
sobre um hipotético arsenal atômico de um país hoje aliado. Dilma não é uma
ameaça ao vernáculo ─ mas à segurança nacional.

Essa mulher evidentemente não tem a menor condição de representar um único
brasileiro ─ sequer seu neto Gabriel, ainda “unborn”. O que dirá de
representar o Brasil, sujeitando-nos à galhofa, ao escárnio, a incidentes
diplomáticos irreparáveis ─ do que são prova o “meio ambiente como ameaça ao
desenvolvimento” e as agora reveladas bombas nucleares do Irã, país que ela
nem sabe onde fica. Impô-la ao país, sem medir as consequências, é uma
afronta ─ e, de todos os malfeitos do PT, o mais criminoso.

A bem da verdade: ela não tem culpa. Os escândalos do mensalão e dos
aloprados privaram Lula de suas duas apostas para a sucessão ─ Dirceu e
Palocci. Então, por instinto de sobrevivência, ele se lembrou da gerentona
do sub-solo, a mineira-gaúcha de poucas e duras palavras, que exigia para
ontem o que não podia ser feito hoje e nem seria feito amanhã — como as
obras do PAC.

Durante anos, a inegável eficiência dos técnicos do segundo escalão do
governo camuflou a fraude da falsa competência. No dia em que o Criador,
depois da última cinzelada na criatura, ordenou “Fala Dilma”, o mito começou
a ruir.
Mas, na busca desesperada pela continuidade da Ptcracia, os criadores fingem
que não percebem o cruel desmoronamento da criatura Dilma ─ e ainda fazem
questão de exibi-la, como uma avis rara mais primitiva que os Pterossaurus.
Se não me falha a memória, o mito começou a ruir aqui.

Mas a galhofa já não basta.
Agora, com a ameaça da bomba nuclear, é preciso falar sério sobre Dilma
Rousseff.

Responder a