Isso confirma a tese de que o país caminha para o chavismo. O pai dos pobres... a mãe do PAC... Marina tocou muito bem nesse tema no ultimo debate do UOL: querem passar uma idéia de infantilização do país. Classes oprimidas que têm um pai, o qual obedece. E em breve terão uma "mãe" que irá cuidar, puxar as orelhas e passar a mão na cabeça.
FG Em 20 de agosto de 2010 08:13, AKA <[email protected]> escreveu: > > > MIRIAM LEITÃO - Página 32 > *O donatário* > Miriam Leitão > > O presidente Lula se despedindo da Presidência, no programa eleitoral de > Dilma Rousseff, com a música “entrego em suas mãos o meu povo” me lembrou o > pior Brasil. O Brasil dos donatários, das capitanias hereditárias. Como se > não fosse suficiente, ainda há o discurso que infantiliza o povo brasileiro > com essa história de pai e mãe do povo. > > Desde “Coronelismo, enxada e voto”, de Victor Nunes Leal, o Brasil conhece > bem esse seu pior lado. O do patrimonialismo brasileiro, do qual nasceram > outros defeitos: o populismo, o paternalismo, o clientelismo. Com a > manipulação das massas, os donatários do Brasil mantêm o poder e o entregam > aos seus herdeiros. > > Além do “deixo em suas mãos”, há ainda a ameaça continuísta implícita: “Mas > só deixo porque sei que vais continuar o que eu fiz.” Como se Lula pudesse > decidir não passar a Presidência à pessoa que for eleita este ano. > > Ninguém duvida que apelos emocionais funcionam em campanha eleitoral. Mas > não garantem eleição. Difícil esquecer até hoje o contagiante “Lula lá, > nasce uma estrela, Lula lá”. E ele perdeu aquela eleição. São muitas as > razões do voto e a história eleitoral brasileira é curta demais para que > sejam traçadas leis gerais. > > Mas espera-se que ela não se explique pelo retrocesso, por essa visita ao > passado. > > A economia é decisiva na maioria das eleições, mas nem sempre. A economia > americana estava num dos seus melhores momentos ao final do governo Bill > Clinton e mesmo assim Al Gore perdeu. É bem verdade que Al Gore quis > distância de Clinton por causa do escândalo Monica Levinsky. > > Se por acaso o então presidente democrata fizesse uma campanha > paternalista, cantando que entregava o povo americano nas mãos de Gore — > como se fosse sua propriedade — certamente causaria rejeição ainda maior. > Lá, eles não acham que eleitores passam de mão em mão como uma massa sem > vontade própria. Nem mesmo ocorreria a um presidente decidir pelo partido > quem deve concorrer à sua sucessão, porque existe o saudável ritual das > primárias em que os candidatos a candidatos enfrentam o desafio de convencer > seus próprios militantes. Aqui, nem governo nem oposição escolhem > postulantes de forma transparente. > > O Brasil está crescendo forte, a inflação está em queda — foi zero em julho > — o crédito se expandindo, o consumo aumentando, o desemprego caindo. > > Alguns números são mais elevados por causa da base de comparação, mas há > crescimento de fato. A crise de 2008/2009 derrubou a economia e, da > perspectiva da campanha governista no Brasil, a recuperação está ocorrendo > na hora exata para ajudar o governo na campanha. Todos esses fatores são > mais poderosos na definição do voto do que apelos populistas. > > É a sensação de conforto econômico que fortalece a campanha da > continuidade. > > Na onda mistificadora na qual todos no governo estão empenhados, o > Ministério da Fazenda divulgou ontem um pretenso estudo para provar que a > atuação do BNDES garantiu que o país evitasse uma recessão de 3,2% no ano > passado e sustentou 4 pontos percentuais do crescimento deste ano. > > A História econômica recente do Brasil mostra que o crescimento do PIB tem > duas características: não sustenta taxas altas por muito tempo; não tem > grandes quedas. No ano passado, vários países do mundo tiveram quedas > grandes do PIB como os 7% da Rússia e do México. O Brasil ficou no -0,2%. > Pela visão do ministro Guido Mantega, foi a ação do BNDES. > > Mas na crise da Ásia todos os países que tiveram colapsos cambiais > enfrentaram recessões enormes: Coréia, -7%; Indonésia, -17%. O Brasil não > teve resultado negativo. E não teve esse jorrar de dinheiro do Tesouro para > as empresas brasileiras através do BNDES. Segundo Mantega, esses empréstimos > subsidiados com dinheiro do Tesouro garantiram 7% de crescimento. Esse > número é tão científico quanto o ocultismo. > > Ninguém discute a importância do BNDES na economia brasileira, é claro que > ele é importante. O problema são os desvios que reforçam o patrimonialismo: > a ideia de que o Tesouro pode ser apropriado por alguns. Reduzir o custo de > capital, incentivar empresas, estimular a economia o banco sempre fez. Só > nos seus piores momentos, como na época dos militares no poder nos anos > 1970, escolheu donatários do dinheiro público, concentrou recursos nessa > proporção, transferiu impostos para alguns poucos como está fazendo agora. > > É por isso que os grandes empresários brasileiros estão tão contentes e > querem mais do mesmo. O presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, na série > de ideias obsoletas que exibiu na entrevista que concedeu esta semana ao > “Valor Econômico”, disse que quer não um, mas três BNDESs. > > Pode-se imaginar que está sendo sincero. Pediu que o governo “feche o país > por um tempo.” Pode-se imaginar por quê. Com a economia fechada, funciona > melhor o sistema das capitanias hereditárias, do mercado interno entregue > como donataria para alguns proprietários. Há 20 anos o Brasil começou a > abrir a economia, por isso já se pensava, a esta altura, que ninguém teria > mais a coragem de fazer um pedido como esse. A crise de 2008/2009 e as > eleições de 2010 viraram uma espécie de licença para propor qualquer > velharia: dos subsídios ao fechamento do país. A campanha governista nas > eleições está fortalecendo a ideia de que o país não tem um líder, nem um > presidente; tem um dono. > > Um donatário. > > > -- ---- FG
