*Lulismo *

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Fenômeno político ocorrído no Brasil, em torno da popularidade do Presidente
da República Luis Inácio Lula da Silva. O lulismo difere de outros
movimentos ocorridos em torno de líderes políticos, os quais se formaram com
base no culto a personalidade do lider em questão, como o peronismo na
Argentina, quando forças políticas e populares se uniram em torno de um
pensamento político personificado em um líder. O lulismo não é um culto a
personalidade de Lula e nem mesmo representa um pensamento político.
Trata-se de um complexo movimento de várias forças políticas antagônicas e
heterogêneas, capaz de reunir desde antigos apoiadores do regime militar
(1964-1985), como o Senador José Sarney, até ex-guerrilheiros que lutaram
contra o mesmo regime, como a ministra Dilma Roussef. Dá-se a esse movimento
em direção ao centro do poder o nome de lulismo porque sua força de atração
advém da popularidade de Lula. Embora o lulismo já seja percebido no Brasil
a partir do primeiro mandato do presidente Lula (2002-2006), ganhou força a
partir do seu segundo mandato (2007-2010). Após o episódio do Mensalão e da
CPI dos Correios, ocorrido durante o seu primeiro mandato, Lula formou uma
base parlamentar heterogênea para exercer o segundo mandato através de uma
grande coalisão de partidos políticos entre os quais, foram divididos os
cargos do primeiro escalão de governo. Esta seja talvez a principal
característica que diferencie o lulismo de um movimento político genuíno,
que representa um pensamento político, o fato de que o lulismo não tem
bandeira partidária. Ao contrário disso, o lulismo se sobrepõe aos partidos
políticos, tranformando-os em meros coadjuvantes da cena política, onde
deveriam ser protagonistas, pela própria essência da democracia
político-partidária brasileira, que obriga o cidadão a se filiar a um
partido, e seguir suas determinações, para adquirir plenos direitos
políticos. Esta prática predatória, acaba por esfacelar os partidos, onde
forças internas contra e a favor do lulismo, ou seja, da adesão ao governo
Lula, entram em choque.

(neste abaixo, peguei num trabalho acadêmico, na internet)
*
O sentido progressista do Lulismo.*

Um dos maios argutos analistas da política do século 20, o italiano Antonio
Gramsci, tecendo considerações sobre o cesarismo/bonapartismo, que
considerava sinônimos, disse certa feita que esse fenômeno político, no qual
aflora com destaque a figura do "chefe carismático", poderia assumir uma
forma progressista ou reacionária: a impulsão fundamental dada pelas forças
sociais de sustentação conferia um sentido de progresso ou de reação. César
e Napoleão I seriam exemplos progressistas, e Napoleão III e Bismarck
estariam atados ao universo reacionário. Este fenômeno esparramou-se pelo
mundo afora, chegando aos trópicos. Perón, na Argentina, e Vargas, no
Brasil, foram emblemáticos. Antes tivemos o curto ensaio do florianismo
militar durante a "República da Espada".

Poderíamos lembrar também, no espectro mais à direita, do janismo,
externando um moralismo presente em setores da direita brasileira e do
ademarismo, mais ancorado em setores do lumpesinato que também vislumbravam
nas dádivas do Estado a alternativa para a sobrevivência. João Goulart e
Leonel Brizola marcaram forte presença: o janguismo e o brizolismo foram
herdeiros "de esquerda" do getulismo, cimentados pelo ideário nacionalista,
o primeiro mais moderado, e o segundo mais acentuadamente reformista. Collor
foi um espasmo, uma espécie de janismo que floresceu nos grotões.

Quebrou-se logo e ensaia um retorno localizado, depois de longa invernada. E
qual, então, o significado maior do lulismo, fenômeno relativamente recente?

Se uma resposta mais conclusiva ainda é difícil, é possível ensaiar alguns
caminhos. Poder-se-ia dizer, retomando a formulação gramsciana com a qual
iniciamos esse artigo, que o lulismo mescla elementos progressistas e
conservadores (e não reacionários) . O seu sentido progressista, presente em
sua história, entretanto, exauriu-se em seu passado. O traço conservador se
avoluma no presente.

Sua máxima de que, quando se chega aos sessenta anos na "esquerda é porque
tem problemas", é expressão fenomênica do seu conservantismo dominante.
Se nos anos 1970/80 a autêntica espontaneidade de Lula o consolidou como o
mais importante líder operário, neste novo milênio sua espontaneidade,
esvaziada de sua origem, é preenchida pela contingência e pela vacuidade.
Além de messiânico, capaz de "falar direto com Deus", tornando prescindível
o partido que ajudou a criar, o lulismo é expressão de um pragmatismo que se
molda às circunstâncias, que se atola no mesmismo e estanca no
colaboracionismo.

Não é por acaso que o único traço que Lula tem feito questão de repetir, em
relação ao seu passado, é que era um conciliador, esquecendo-se que sua
vitalidade floresceu por sua prática de confrontação.

Alguém poderia dizer que a atual política de alianças de Lula também fora
exercitada por outros políticos com carismáticos, como Leonel Brizola. Vale
lembrar, como o líder dos pampas gostava de dizer, que poderia se aliar com
qualquer um "porque tinha luz própria". Já a lanterna de Lula é de baixa
amplitude; contenta-se com uma profusão de momentos "catárticos" em que
viceja o estancamento e aumenta o regozijo dos áulicos. Seu governo de
coalizão, abarcando um leque que vai de setores da esquerda a vários
espectros da direita (malufiana e delfiniana inclusive, dois símbolos de
monta), caminha celeremente para a colisão.

Freqüentemente resvala para o pícaro. Se não bastasse sua recusa "madura" à
esquerda, sua conhecida aversão ao trabalho intelectual, em breve poderá
reeditar uma frase do ex-governador de São Paulo, Paulo Egídio, que gostava
de se definir como "radical de centro".

O apoliticismo sindical de Lula, também presente em sua origem, gerou,
enfim, o lulismo, um pragmatismo desprovido do mais remoto radicalismo. O
que parece ser um elemento central quando se procura compreender um pouco de
fenomenologia do lulismo.

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FG

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