*Lulismo * Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fenômeno político ocorrído no Brasil, em torno da popularidade do Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva. O lulismo difere de outros movimentos ocorridos em torno de líderes políticos, os quais se formaram com base no culto a personalidade do lider em questão, como o peronismo na Argentina, quando forças políticas e populares se uniram em torno de um pensamento político personificado em um líder. O lulismo não é um culto a personalidade de Lula e nem mesmo representa um pensamento político. Trata-se de um complexo movimento de várias forças políticas antagônicas e heterogêneas, capaz de reunir desde antigos apoiadores do regime militar (1964-1985), como o Senador José Sarney, até ex-guerrilheiros que lutaram contra o mesmo regime, como a ministra Dilma Roussef. Dá-se a esse movimento em direção ao centro do poder o nome de lulismo porque sua força de atração advém da popularidade de Lula. Embora o lulismo já seja percebido no Brasil a partir do primeiro mandato do presidente Lula (2002-2006), ganhou força a partir do seu segundo mandato (2007-2010). Após o episódio do Mensalão e da CPI dos Correios, ocorrido durante o seu primeiro mandato, Lula formou uma base parlamentar heterogênea para exercer o segundo mandato através de uma grande coalisão de partidos políticos entre os quais, foram divididos os cargos do primeiro escalão de governo. Esta seja talvez a principal característica que diferencie o lulismo de um movimento político genuíno, que representa um pensamento político, o fato de que o lulismo não tem bandeira partidária. Ao contrário disso, o lulismo se sobrepõe aos partidos políticos, tranformando-os em meros coadjuvantes da cena política, onde deveriam ser protagonistas, pela própria essência da democracia político-partidária brasileira, que obriga o cidadão a se filiar a um partido, e seguir suas determinações, para adquirir plenos direitos políticos. Esta prática predatória, acaba por esfacelar os partidos, onde forças internas contra e a favor do lulismo, ou seja, da adesão ao governo Lula, entram em choque. (neste abaixo, peguei num trabalho acadêmico, na internet) * O sentido progressista do Lulismo.* Um dos maios argutos analistas da política do século 20, o italiano Antonio Gramsci, tecendo considerações sobre o cesarismo/bonapartismo, que considerava sinônimos, disse certa feita que esse fenômeno político, no qual aflora com destaque a figura do "chefe carismático", poderia assumir uma forma progressista ou reacionária: a impulsão fundamental dada pelas forças sociais de sustentação conferia um sentido de progresso ou de reação. César e Napoleão I seriam exemplos progressistas, e Napoleão III e Bismarck estariam atados ao universo reacionário. Este fenômeno esparramou-se pelo mundo afora, chegando aos trópicos. Perón, na Argentina, e Vargas, no Brasil, foram emblemáticos. Antes tivemos o curto ensaio do florianismo militar durante a "República da Espada". Poderíamos lembrar também, no espectro mais à direita, do janismo, externando um moralismo presente em setores da direita brasileira e do ademarismo, mais ancorado em setores do lumpesinato que também vislumbravam nas dádivas do Estado a alternativa para a sobrevivência. João Goulart e Leonel Brizola marcaram forte presença: o janguismo e o brizolismo foram herdeiros "de esquerda" do getulismo, cimentados pelo ideário nacionalista, o primeiro mais moderado, e o segundo mais acentuadamente reformista. Collor foi um espasmo, uma espécie de janismo que floresceu nos grotões. Quebrou-se logo e ensaia um retorno localizado, depois de longa invernada. E qual, então, o significado maior do lulismo, fenômeno relativamente recente? Se uma resposta mais conclusiva ainda é difícil, é possível ensaiar alguns caminhos. Poder-se-ia dizer, retomando a formulação gramsciana com a qual iniciamos esse artigo, que o lulismo mescla elementos progressistas e conservadores (e não reacionários) . O seu sentido progressista, presente em sua história, entretanto, exauriu-se em seu passado. O traço conservador se avoluma no presente. Sua máxima de que, quando se chega aos sessenta anos na "esquerda é porque tem problemas", é expressão fenomênica do seu conservantismo dominante. Se nos anos 1970/80 a autêntica espontaneidade de Lula o consolidou como o mais importante líder operário, neste novo milênio sua espontaneidade, esvaziada de sua origem, é preenchida pela contingência e pela vacuidade. Além de messiânico, capaz de "falar direto com Deus", tornando prescindível o partido que ajudou a criar, o lulismo é expressão de um pragmatismo que se molda às circunstâncias, que se atola no mesmismo e estanca no colaboracionismo. Não é por acaso que o único traço que Lula tem feito questão de repetir, em relação ao seu passado, é que era um conciliador, esquecendo-se que sua vitalidade floresceu por sua prática de confrontação. Alguém poderia dizer que a atual política de alianças de Lula também fora exercitada por outros políticos com carismáticos, como Leonel Brizola. Vale lembrar, como o líder dos pampas gostava de dizer, que poderia se aliar com qualquer um "porque tinha luz própria". Já a lanterna de Lula é de baixa amplitude; contenta-se com uma profusão de momentos "catárticos" em que viceja o estancamento e aumenta o regozijo dos áulicos. Seu governo de coalizão, abarcando um leque que vai de setores da esquerda a vários espectros da direita (malufiana e delfiniana inclusive, dois símbolos de monta), caminha celeremente para a colisão. Freqüentemente resvala para o pícaro. Se não bastasse sua recusa "madura" à esquerda, sua conhecida aversão ao trabalho intelectual, em breve poderá reeditar uma frase do ex-governador de São Paulo, Paulo Egídio, que gostava de se definir como "radical de centro". O apoliticismo sindical de Lula, também presente em sua origem, gerou, enfim, o lulismo, um pragmatismo desprovido do mais remoto radicalismo. O que parece ser um elemento central quando se procura compreender um pouco de fenomenologia do lulismo. -- ---- FG
