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Fa,
Eu vou a Belém levar as msgs para
você.
E não precisa me receber de camiseta. Ela fica pra
depois.
Gabeira: Tudo o que ele disse é, infelizmente,
verdade.
O grande equívoco de alguns esquizóides de direita
é misturar os que combatiam a ditadura por ideologia e por idealismo, com os
aproveitadores que vieram depois.
Havia a esquerda festiva sim, mas era pensante.
Ficava no Garota de Ipanema ou no Amarelinho, porém com propostas libertárias e
não de tomar o poder para dele usufruir e locupletar-se. A luta era por
liberdade. Nada tem a ver com o PT, surgido muito depois do período mais
crítico, com o Lula, vagabundo esperto, pinçado num movimento sindical e elevado
a líder por espertalhões que
ao mesmo tempo faziam o jogo da ditadura e posavam
de oposição. O ideal daquela juventude nada tinha com o Zé Dirceu, com o
Genoíno, com o Mercadante, manipuladores
inescrupulosos que mostraram a verdadeira cara ao
assumir o poder. E ao conseguirem o intento, aliaram-se aos que sempre estiveram
bajulando o governo, fosse ele qual fosse. E oficializaram a roubalheira, tão
antiga quanto a república mas não tão despudorada e safardana como é
agora.
O fato de eu ter participado de movimentos sérios
contra o regime ditatorial, não impedia que eu tivesse amigos militares e que
nunca compactuaram com os métodos empregados. Alguns já se foram e outros
conservo até hoje
para minha alegria.
Com o Gabeira nunca tive muita proximidade naquela
época. Mas depois da anistia, numa palestra que ele fazia na Faculdade de
Filosofia Santa Dorotéia, em Friburgo, tivemos um atrito sério e quase quem sai
preso fui eu, por vê-lo aproximar-se daqueles que pura e simplesmente
aproveitaram-se e se estavam aproveitando mais ainda da abertura política apara
atender os seus interesses.
O resultado aí está.
Já de algum tempo o Fernando começou a enxergar
isso e hoje faz o lamento que fez por ver ir para o esgoto político que comanda
o país os ideais que tínhamos de uma sociedade mais justa e
equilibrada.
Creia, Fa, não se pode misturar, nem de um lado e
nem de outro, todos num mesmo balaio.
Temos um Congresso que nos envergonha e envergonha
os poucos que se pode excluir dele como pessoas de bem.
Sobre o executivo, desnecessário falar. E o
judiciário é também , em sua maioria, uma corja a serviço da ilegalidade e da
impunidade.
Por tudo isso o Gabeira reviu posições e desabafou.
E o fez como um desafio a quem quer que seja a provar que não seja verdade tudo
o que disse.
E conclui de maneira irrefutável quando diz que o
único modo de mudarmos o triste quadro que estamos vivendo é continuar o
combate.
Um beijão.
Carlos Antônio.
----- Original Message -----
From: Fatima Conti
To: goldenlist-L
Sent: Saturday, May 27, 2006 6:40 AM
Subject: [gl-L] Fernando Gabeira - Os bandidos na mesa do
café oi Ai, ai, fiz uma besteira aqui e perdi quase todas as msgs de ontem e hoje de madruga Se não respondi algo importsnte me mandem de novo, por favor. Enquanto isso, você viu as considerações de Gabeira sobre o "mundo ruindo"? -- Beijins Fa ---------------------------------------------------------------- "Quando os pais deixam de ser quadrados, a filha fica redonda." ---------------------------------------------------------------- 20 de maio de 2006 Fernando Gabeira - Os bandidos na mesa do café Depois de uma hora de braçadas tranqüilas, saio da piscina e subo numa arquibancada de madeira para tirar a toalha da mochila. Olho para uma edificação baixa de tijolos vermelhos, com uma placa: alameda Paissandu. Diante dela, mesas brancas, cadeiras. Numa delas dorme o gato Amaral. O sacana do Amaral, como o chamamos: gordo, castrado, sonolento, ainda assim faz das suas, encostando-se nas gatas, irritando a torcida do Flamengo, "precisamos acabar com esses gatos no clube". Nesses momentos de contemplação, nuvens desenhando anéis em torno da estátua do Cristo, sinto uma dor por ter dedicado tantos anos à política, com tão escassos resultados. Invade-me uma vontade de mudar de vida, fazer como o narrador do romance "O Enigma da Chegada" (de V.S. Naipaul), que se retira para o interior e passa apenas a observar e escrever o que está na sua frente. Segunda-feira, auge da crise de violência em São Paulo, parti para Brasília para fazer um discurso de solidariedade e propostas, pensado durante o fim de semana sangrento. Não pude realizá-lo até o fim, embora o plenário estivesse vazio. Minha palavra foi cortada por um presidente ocasional. Ele vem do Norte toda segunda-feira e assume a presidência porque não há ninguém para abrir as sessões. Dá a impressão aos seus eleitores de que é importante, embora já tenha sua prisão preventiva decretada e inúmeras processos. Limitei-me a dizer: "Vossa Excelência é um bandidaço", embora soubesse que até os insultos seriam usados por ele junto aos eleitores como sinal de importância. A um jornal de Brasília, declarou que aqueles que assistem à TV no seu Estado pensam que é o presidente da Câmara. Ele é desse numeroso e sórdido grupo com que, depois de tantos anos de lutas e sonhos, tenho de conviver no café da Câmara: contas fantasmas, entidades fantasmas, ambulâncias superfaturadas, desvios de verbas no hospital do câncer. A própria luz do Planalto atravessando as vidraças e banhando os flocos de poeira que flutuam nos torna também fantasmas, e você olha a mancha de iogurte na mesa do café, duvida se aquilo não é um ectoplasma desses putos que pintam o cabelo e beliscam a bunda das secretárias. Marcola, o líder do PCC, já leu mais livros do que todos eles juntos; os da minha geração, que tiveram uma base político-militar -não no sentido de terem feito ações armadas, mas por terem curiosidade em relação às leis da guerra-, esses praticamente saíram de cena. Fiquei surpreso ao perguntar por um grande nome do Partido Verde alemão, que surgiu nos anos 60, e soube que, ao deixar o governo, está quase aposentado. Lembrei de tantos outros que se voltaram para suas especialidades acadêmicas, dos que morreram, dos que simplesmente deram uma banana para a idéia de transformar o mundo. De uma certa maneira, foram poupados dessa humilhação que sinto todos os dias ao ver que os bandidos estão triunfando na vida pública, que não só tomaram conta de tudo mas também tomam café ao seu lado, riem para você, falam sobre o tempo e reclamam da dureza da vida política. É uma ilusão pensar que o mundo do crime ignora essas variáveis. Marcola já esteve aqui depondo e, nos poucos minutos que passei pela sala, olhou-me com muita freqüência, como se quisesse dizer: com esse tipo de gente me interrogando jamais sairá outra coisa, além do desprezo recíproco. O mundo que está ruindo aos meus pés é muito desconcertante, pois leva consigo toda uma forma de pensar a política que nos reduz ao ridículo de tentar trazer a guerra urbana de São Paulo para o parlamento e ser interrompido por um idiota que está posando de presidente para seus eleitores do Norte. O mundo que está ruindo nos impõe a humilhação de chamar de Congresso brasileiro um lugar onde os dirigentes da mesa estão mergulhados num escândalo e nem sequer pedem licença para serem investigados, um lugar onde o corregedor, num ano eleitoral, foi o primeiro a ser multado pela Justiça por fazer propaganda fora de tempo. Numa semana tão importante, talvez não devesse enfatizar minhas frustrações. Acontece que não estou sendo humilhado sozinho, nem o está a pequena parcela de deputados honestos. Enquanto não se desvendar o elo entre as quadrilhas que queimam ônibus, metralham policiais, fuzilam inocentes e os bandidos que nos cercam, poucos vão sentir a humilhação que sinto. E quando falo de vínculo não me refiro a advogados, emissários ou mesmo um ou outro deputado que possa estar ligado ao crime organizado. Refiro-me ao plano simbólico tão bem expresso na célebre frase carioca: está tudo dominado. O tudo dominado revela-se não apenas em números mas também em encenações falsas, pequenas omissões, um rígido controle da agenda para que venha à tona o debate dos verdadeiros problemas do país. Aqui as matracas, os "treisoitões", as bananas de dinamite transfiguram-se em questões de ordem, permita-me um aparte, regimentos internos. Aqui e ali, no Planalto, onde instalamos um governo destinado precisamente a mudar tudo isso e que, no fim das contas, apenas exacerbou o processo, degradando-se e nos degradando. Só penso em aposentadoria quando vejo o Amaral, gordo, castrado e sacana: divagações à beira da piscina. Não rolei tanto barranco para entregar o ouro aos bandidos. Se há uma boa maneira de viver os últimos dias, essa maneira ainda é o combate. Retirado de http://www.gabeira.com.br/blog/blog.asp?id=2235 ------------------------ Yahoo! Groups Sponsor --------------------~--> Protect your PC from spy ware with award winning anti spy technology. It's free. http://us.click.yahoo.com/97bhrC/LGxNAA/yQLSAA/IRislB/TM --------------------------------------------------------------------~-> --- Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se. Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages Yahoo! 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- Re: [gl-L] Fernando Gabeira - Os bandidos na mesa do café ccarloss
