O PAC NÃO VAI DAR CERTO!!!

      Busato diz que MP que desvirtua destinação do FGTS é ilegal
      Fonte: Informativo OAB
      http://www.oab.org.br/noticia.asp?id=8822 
      Porto Alegre (RS), 23/01/2007 - O presidente nacional da Ordem dos 
Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, afirmou hoje (23) que considera 
ilegal a medida provisória que consta do Programa de Aceleração do Crescimento 
(PAC), divulgado nessa segunda-feira pelo governo federal, e prevê a destinação 
de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para obras de 
infra-estrutura. O presidente da OAB lembrou que existe uma lei que rege 
especificamente a destinação e aplicação do Fundo e afirmou que a decisão de 
reverter tais recursos para outras finalidades lhe parece absolutamente ilegal. 
"Nós ainda não fizemos a análise quanto à constitucionalidade desse aspecto, 
mas hoje, neste dia, a medida me parece ilegal".

      A OAB não tem planos imediatos de apresentar Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (Adin) sobre a matéria, uma vez que Roberto Busato passa 
o cargo de presidente nacional da entidade a seu sucessor, o atual 
secretário-geral, Cezar Britto, no próximo dia 1º. Caberá à nova gestão 
examinar, somente na próxima semana, o ajuizamento de ação nesse sentido.

      Busato acrescentou que, se o governo deseja utilizar recursos do FGTS, 
revertendo-os para outras pastas sob a intenção de promover o crescimento do 
país, deveria, antes, tê-lo discutido com a sociedade civil. "E ser feito, o 
que eu tenho dito, um grande conluio com a população brasileira e com todos os 
setores, Estado e Congresso Nacional, para que o plano - o Programa de 
Aceleração do Crescimento - realmente tivesse um avanço e apresentasse 
credibilidade". 

      As afirmações foram feitas por Busato ao conceder entrevista coletiva em 
Porto Alegre, onde participará da posse dos novos dirigentes da Secional da OAB 
do Rio Grande do Sul. 

      A seguir, a íntegra da entrevista coletiva concedida pelo presidente 
nacional da OAB, Roberto Busato: 

      P - A decisão do governo, de utilizar recursos do FGTS para financiar 
obras de infra-estrutura, é inconstitucional? O que o senhor tem a dizer sobre 
isso?
      R - Se temos uma lei que rege especificamente o FGTS, que dá uma 
destinação pontual a este Fundo, e agora se decide retirar parte disso para 
outras finalidades, por mais altruísta que seja auferir maior ganho dentro das 
aplicações, isso me parece absolutamente ilegal. Alguns juristas já 
consideraram a medida de inconstitucional. Nós ainda não fizemos a análise 
quanto à constitucionalidade desse aspecto, mas hoje, neste dia, a medida me 
parece ilegal.

      P - Sem contar que isso feriria a credibilidade do governo frente à 
opinião pública...
      R - Exatamente. O FGTS está muito atrelado na fidúcia, na confiança, 
porque envolve a aposentadoria do trabalhador, o que é algo muito caro. Por 
isso a lei estabelece posições absolutamente conservadoras de aplicação do 
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Portanto, é ilegal e é um tanto quanto 
temerário, dentro desse espírito, se lançar um plano de crescimento por medida 
provisória sem que tenha havido um pacto social com todos os segmentos que 
estarão envolvidos.

      P - Ainda se pretende buscar um diálogo, para que o governo esclareça as 
suas intenções quanto ao uso desses recursos?
      R - A Ordem está em constante diálogo com o governo depois da assunção ao 
cargo de ministro do gaúcho Tarso Genro. Sempre estivemos junto com ele e 
estamos, inclusive, bastante comprometidos com a realização de um projeto de 
reforma política dentro da Ordem. 

      P - O governo, querendo usar esses recursos, deveria mandar um projeto ao 
Congresso para discutir isso?
      R - Evidentemente que um assunto dessa natureza deveria ser discutido com 
a sociedade civil e ser feito um grande conluio com a população brasileira e 
com todos os setores, Estado e Congresso Nacional, para que o plano realmente 
tivesse um avanço e apresentasse credibilidade. Qualquer plano econômico e de 
crescimento sem credibilidade tende a ser uma ficção.

      P - A OAB pretende entrar com uma ação contra essa MP? 
      R - O meu mandato vai só até a próxima semana. Então, essa análise vai 
depender muito da próxima administração da Ordem. Nessa fase, agora, seria 
imprudente da minha parte dizer que vamos a juízo.  

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