Um político (acho que o Marcelo Alencar) propôs isso uma vez (direcionar o 
pouco investimento que tinha para a os mais novos, já que uma geração estava 
perdida.)

Sofreu linchamento do pessoal dos direitos humanos e teve de continuar com o 
que é feito até hoje.

Investimento em educação não é custo, não é gasto. Economiza-se em uma série de 
coisas, mas leva tempo para dar resultado.



  ----- Original Message ----- 
  From: ccarloss 
  To: [email protected] 
  Sent: Friday, February 16, 2007 8:31 PM
  Subject: Re: [gl-L] Maioridades penais


   

  É um dos caminhos.
  Há nos bolsões do crime que estão em todos os pontos do país
  Uma geração entre ao 10 e 16 anos totalmente irrecuperável. Quem duvidar que 
verifique in loco. Limitei a faixa etária pois falar nos maiores nem adianta. 
Não há como ressocializar essa turba.
  Pelo menos enquanto tivermos o modelo carcerário que temos.
  Controle de natalidade e educação começando agora é um investimento para 
melhorar a qualidade do povo com uma nova geração. Esta que aí está e enveredou 
pelo caminho da criminalidade não tem mais jeito. Sem chance de recuperá-la.

  Carlos Antônio. os´´´´´´´´´´um dos caminhos.


  ----- Original Message ----- 
  From: marco figueiredo 
  To: [email protected] 
  Sent: Friday, February 16, 2007 5:06 PM
  Subject: Re: [gl-L] Maioridades penais



        contribuição ao debate :a fabrica de miseráveis que aos 16 anos 
elegerão oPresidente da Republica ou inflarão as estatisticas criminais : 
DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO, JÁ !!! 

        após breve pausa, de volta para a cerveja e à "meditação" em Floripa ( 
BOM CARNAVAL A TODOS !!! )

        *********************************************

        A multiplicação da pobreza (Revista Veja - 9/6/2004) 
        Nos bolsões de miséria do Brasil, o número de filhos por mulher se 
iguala ao dos mais pobres países africanos 


        NESTA REPORTAGEM 
        Gráfico: Queda menor no Norte e Nordeste 
        Gráfico: Na Europa faltam bebês 

        EXCLUSIVO ON-LINE 
        Taxas de crescimento de outros países 


        Para definir a taxa de fecundidade "ideal", que aponta para a 
estabilização do crescimento populacional de um país, demógrafos partiram de um 
pressuposto simples: o de que crianças são geradas por duas pessoas que, um 
dia, irão morrer e deverão, portanto, ser substituídas por outras duas. A 
chamada "taxa de reposição" é, por esse motivo, de 2,1 filhos por mulher. O 
Brasil já teve uma média quase três vezes superior a essa. Hoje, as famílias 
têm, em média, 2,3 crianças – índice bem próximo do necessário para o 
equilíbrio populacional. Estaria tudo muito bem não fosse o fato de que essa 
aparente normalidade escamoteia uma realidade preocupante: a de que persistem 
no mapa brasileiro regiões onde as mulheres têm um bebê por ano e chegam ao fim 
de sua vida fértil com mais de vinte filhos, reproduzindo um quadro semelhante 
ao exibido por países tão miseráveis quanto Somália e Uganda, na África. Mais 
grave que isso: diferentemente do que ocorria até pouco tempo atrás, esses 
bolsões de descontrole populacional não se situam apenas em rincões, mas nos 
grandes centros urbanos também – as favelas se tornaram ilhas de explosão 
demográfica dentro das metrópoles. 

        Um dado extraído do Censo do IBGE indica que, na última década, a 
população de favelas aumentou num ritmo quase três vezes superior à média 
brasileira. As maiores expansões ocorreram nas cidades de São Paulo, Belém e 
Rio de Janeiro. Nesta última, enquanto a população cresceu a uma taxa de 0,74% 
ao ano na década passada, o número de habitantes de favelas aumentou a um ritmo 
de 2,4%, segundo pesquisa feita pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas 
do IBGE, em conjunto com o Instituto Pereira Passos. Ao decomporem os fatores 
responsáveis pelo crescimento populacional nesses bolsões, os pesquisadores 
concluíram que a razão principal (com peso de 35%) foi o aumento da 
fecundidade, seguido pela imigração (com peso de 17%). Há outros elementos que, 
isoladamente, tiveram influência menor, como o aumento da expectativa de vida e 
a chegada de pessoas empobrecidas da própria cidade. Uma projeção feita pela 
Fundação Getúlio Vargas indica que a população favelada brasileira irá mais do 
que dobrar nos próximos dez anos: poderá chegar a 13,5 milhões de pessoas caso 
o ritmo de crescimento populacional nessas áreas permaneça estável. 


        As favelas encravadas em centros urbanos não compartilham o isolamento 
dos minúsculos municípios rurais, mas se assemelham a eles em outro aspecto: os 
baixos índices de educação formal. Segundo pesquisa do Centro de Políticas 
Sociais da Fundação Getúlio Vargas, os habitantes das favelas do Rio de 
Janeiro, as mais populosas do Brasil, estudam, em média, 4,5 anos – pouco mais 
da metade do tempo que permanece na escola a média dos moradores da cidade. 
Além da pouca escolaridade, há outras razões que explicam as altas taxas de 
fecundidade nesses locais. Em meados da década de 80, técnicos do Banco Mundial 
desembarcaram na favela da Rocinha, a maior do Rio, com o objetivo de 
desenvolver um programa de planejamento familiar. Os resultados foram 
insatisfatórios. Ao retornarem ao local para entender os motivos do fracasso da 
iniciativa, concluíram que ele se deveu, em grande parte, ao peso que certos 
aspectos culturais tinham sobre a gravidez. As mulheres declaravam que tinham 
filhos porque com isso ganhavam "status e respeito" na vizinhança, além de 
conquistar "independência dos pais". Já os homens diziam que se sentiam "mais 
viris" com a paternidade. 

        Há muito se sabe que é um equívoco creditar ao simples aumento da 
fecundidade o crescimento da pobreza e da desigualdade. Fosse assim, o 
contrário também deveria ser verdadeiro: o fato de o Brasil ter atingido uma 
média geral de nascimentos quase idêntica à dos Estados Unidos (2,0 filhos por 
mulher) levaria por si só a que, num futuro próximo, sua economia se tornasse 
tão reluzente quanto a de um país desenvolvido. Os números comprovam, porém, 
que existe um vínculo estreito entre o crescimento populacional e o 
desenvolvimento de uma economia. As mais pobres regiões brasileiras são as que 
têm as mais altas taxas de fecundidade. Nas mais ricas, é o oposto. A cidade 
com o menor índice de fecundidade do Brasil, São Caetano do Sul (SP), é a que 
apresenta a segunda maior renda per capita do país. O mesmo ocorre no âmbito 
das famílias: em lares onde a renda per capita não supera um quarto de salário 
mínimo, há em média cinco filhos, segundo o IBGE. Quando essa renda ultrapassa 
cinco salários mínimos, predomina o filho único. O alto número de filhos seria 
a razão da pobreza ou sua conseqüência? As duas coisas, respondem 
especialistas. Com muitos filhos, uma família com renda já escassa fica com o 
orçamento ainda mais espremido. As crianças são forçadas a largar os estudos 
para trabalhar e, assim, diminuem suas chances de superar a condição de 
pobreza. Sabe-se também que mulheres que não tiveram acesso ao estudo têm até 
três vezes mais filhos do que as que cursaram a universidade. "As altas taxas 
de fecundidade funcionam como uma espécie de combustível que faz girar um ciclo 
perverso de miséria", observa o economista Marcelo Neri, da FGV. 

        Carlos Goldgrub

        Espanha: muitos idosos, poucos bebês 


        O processo de urbanização foi um dos fatores que contribuíram para 
refrear o aumento populacional no Brasil. Ao trocarem o campo pela cidade, as 
pessoas passaram a ter acesso a serviços públicos como saúde e educação. A 
universalização da previdência também influenciou na redução dos nascimentos, 
sobretudo porque fez arrefecer a crença, até hoje persistente em áreas rurais, 
de que a única fonte de renda na velhice viria do trabalho dos filhos – o 
benefício fez diminuir o temor dos brasileiros de chegar à velhice sem nenhum 
tostão. Um estudo feito na década de 70 chegou à curiosa conclusão de que as 
telenovelas foram outro fator a ajudar no encolhimento dos lares. "Como a 
maioria delas exibia famílias de dois filhos, o padrão acabou influenciando os 
casais", diz a demógrafa Elza Berquó, do Núcleo de Estudos da População da 
Unicamp, que participou da pesquisa na época. 

        A história das políticas de planejamento familiar é cheia de idas e 
vindas. Embora a distribuição de preservativos pelos hospitais públicos tenha 
começado nos anos 70, foi só a partir de 1996, por força de lei, que camisinhas 
e anticoncepcionais começaram a chegar sistematicamente às regiões mais pobres 
e distantes das grandes cidades. Agora, o governo federal está preparando um 
pacote de medidas, a ser anunciado ainda neste mês, que promete aumentar a 
opção de anticoncepcionais ofertados pelo Estado e dobrar o número de hospitais 
públicos que fazem esterilizações, hoje disponíveis em menos de 10% dos 
municípios brasileiros. A interferência governamental exige precisão cirúrgica 
para que não cause danos difíceis de reverter. O Brasil já exibe uma queda 
consistente nas taxas de crescimento populacional. Uma ação generalizada 
poderia acelerar perigosamente essa tendência. Demógrafos afirmam que é muito 
mais fácil diminuir a taxa de fecundidade do que aumentá-la. 

        Há anos a Europa assiste à diminuição de sua população. A situação é 
particularmente grave em países como Itália, Espanha, Alemanha e Suíça, todos 
com crescimento populacional próximo de zero. Diante da perspectiva de 
diminuir, esses países passaram a implantar programas de estímulo à natalidade, 
que incluem de abatimento no imposto de renda a licença remunerada de até um 
ano para os candidatos a pais. Na Itália, que junto com a Espanha tem a menor 
taxa de natalidade da Europa (1,2 filho por casal), o problema ganhou 
proporções tão dramáticas que a Igreja resolveu interferir: "Italianos, façam 
filhos", foi o slogan da campanha lançada há dois anos. Nem o incentivo da 
Igreja Católica nem as benesses oferecidas pelo governo estão dando resultados. 
Projeções indicam que tanto a Itália quanto a Suíça estão prestes a ter 
crescimento populacional negativo. Ou seja, encolherão de fato. Assim como a 
Alemanha, a Itália já afrouxou as exigências para a entrada de imigrantes 
dispostos a trabalhar – a única maneira de manter a economia funcionando nos 
níveis atuais. 

        No Brasil, embora o crescimento populacional continue caindo, as 
regiões pobres e, sobretudo, as favelas vêem agravar-se fenômenos que apontam 
na direção contrária, como o aumento da gravidez na adolescência, por exemplo. 
O último censo mostrou que mulheres de baixa renda estão tendo filhos cada vez 
mais cedo. Nos últimos dez anos, aumentou em 42% o número de mães pobres na 
faixa de 15 a 19 anos. "A ação do governo tem de ser precisa e baseada em 
estudos que ataquem problemas localizados como esse", diz o demógrafo Paulo 
Murad Saad, da Divisão de Populações da Organização das Nações Unidas. Ou seja, 
regiões com diferentes níveis de instrução e riqueza têm de ser alvo de 
políticas específicas. 

        "Muitos filhos ajuda no trabalho"


        Edimar Farias/Imapress

        Mercedes (em pé), com doze dos dezessete filhos 

        O município de Bagre, a catorze horas de barco de Belém, no Pará, 
orgulha-se de ser a terceira cidade brasileira com a maior média de nascimento 
de filhos por mulher (7,3), perdendo apenas para Tartarugalzinho e Pracuuba, 
ambas no Amapá. Segundo o IBGE, 39% das 2 521 mães do município têm mais de 
seis filhos. Há três anos, a prefeitura organizou um concurso para eleger a 
dona da maior prole da cidade. As finalistas foram uma mulher de 45 anos e 
outra de 38, cada uma com 22 filhos. O atual prefeito de Bagre, Pedro Santa 
Maria, tem explicação singela para a excepcional fertilidade da cidade: "Menos 
de 30% das residências daqui têm televisão", diz. "Isso faz do sexo umas das 
principais opções de lazer da nossa população." Há, sem dúvida, outras razões. 

        Bagre tem renda per capita anual de 20 dólares (a média nacional é de 2 
800 dólares) e metade da população ganha menos de 25% do salário mínimo. Mais 
de um terço dos seus 8 792 habitantes em idade escolar nunca entrou numa sala 
de aula e outros 40% não estudaram mais que três anos. À miséria e à baixa 
escolaridade soma-se o fato de que só recentemente a cidade ouviu falar em 
planejamento familiar. "O governo começou a distribuir pílulas e preservativos 
apenas em 2001", diz o secretário de Saúde municipal, Carmelino Nunes. A 
iniciativa, ao que parece, deu poucos resultados até agora. Apenas 32 casais, 
25 homens solteiros e 29 mulheres vão ao posto de saúde regularmente retirar 
preservativos e só 39 mulheres comparecem ao local em busca de pílulas. "É 
quase nada, mas é muito quando se sabe que estamos em um lugar em que os homens 
não admitem usar camisinha e, muitas vezes, proíbem às mulheres que se 
consultem com ginecologistas", afirma o secretário Nunes. 

        Como ocorre em boa parte das regiões mais pobres do Brasil, com 
economia baseada no extrativismo e na agricultura familiar, muitos casais 
desejam famílias grandes baseados na crença de que cada filho é um par de 
braços a mais para trabalhar na lavoura. "O bom de ter muitos filhos é ter mais 
gente para ajudar no trabalho quando precisa", diz Mercedes dos Santos, 41 
anos, dezessete filhos e uma única fonte de renda fixa: os 95 reais do programa 
do governo federal Bolsa Família. 


       


   

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