Mansur,

Acho que não me expressei bem. Quando eu disse que não vejo os CIOs
conduzindo a estratégia da empresa eu não disse que eles não fazem parte do
board. Eu estou certo que existem nos EUA, na Europa, na India e no Brasil
empresas que contam com CIO no board. Eu conheço pessoalmente alguns CIOs
que fazem parte do board das organizações onde desempenham suas funções aqui
no Brasil. O que eu estava tentando dizer é: Os CIOs não fazem o papel de
CSO (Chief Strategy Officer). E o ITIL v3 foi escrito, na minha visão, com a
premissa de que o CIO desempenha também o papel de CSO.

É apenas um detalhe. Mas é um detalhe importante que se resume na seguinte
pergunta: O CIO vai conseguir direcionar todo o processo de geração da
estratégia da organização de acordo com os princípios do ITIL v3? Ele vai
conseguir desbancar o CEO ou o COO e dizer: "Tenho um método de geração da
estratégia melhor do que o seu, vamos usá-lo!!" Veja que não estou falando
em seguir fielmente o ITIL v3 para gerar a estratégia. Estou falando em
levantar as abstrações por ele apresentadas como Business Assets, Service
Assets e Customer Assets e outras.

Eu respeito sua posição de não querer discutir isto em um fórum público. Mas
eu discordo do seu diagnóstico com relação a falta de capital intelectual do
mercado nacional. Embora concorde com a questão do modelo de negócio furado,
acho que isto acontece mais em virtude da falta de discussão a respeito das
"melhores práticas" importadas. A "falta de entedimento", como você bem
colocou, acontece porque ao ler o que é "a mais nova moda" vinda "dos
estrangero" os profissionais não se preocupam em avaliar se as práticas
desta nova moda são aplicáveis à sua realidade. Eles não se preocupam em
questionar o que foi pregado pelos "experts". One size fits all.

Discordando de vc eu acredito que este seja um bom fórum para levantar estas
questões e discutí-las em profundidade. Não conheço todos, mas conheço
pessoalmente algumas poucas pessoas que dele participam e, honestamente,
estas pessoas contam com a minha admiração profissional. São pessoas as
quais eu procuro ouvir atentamente, principalmente quando vão criticar as
minhas opiniões.

E infelizmente este é um assunto que não comporta discussões superficiais.
As discussões superficiais acabam com "tá escrito assim", "é o que diz o
ITIL" (by the way, eu tive um líder de projeto que sempre encerrava as
discussões assim). Esta discussão envolve avaliar o que está escrito e
dizer: será?? sei não heim!!! Envolve tirar o ITIL do pedestal que ele se
encontra e questionar seus dogmas. Envolve avaliar o que ele prega e
entender a sua aplicação no contexto das empresas. Até mesmo para dizer:
Putz !! Esta é mesmo a melhor solução. Mas como disse anteriormente, eu
respeito a sua decisão de não querer discutir o assunto em profundidade.

Cordialmente,
Gustavo Tavares


2009/6/24 MansurR <[email protected]>

>    Prezado Gustavo,
>
> Não apenas acredito, como já é realidade em diversos países. Por norma
> pessoal eu não cito nomes e empresas, mas se procurar nos EUA vc encontrará
> centenas de exemplos. Estou falando de empresas que não são fornecedoras de
> tecnologia. As que são já fazem isto há algum tempo.
>
> Algumas empresas que citou, o CIO faz parte do board de decisão da
> estratégia nos Estados Unidos. No Brasil são raros os profissionais que
> conseguem falar de tecnologia e negócio, por isto a grande quantidade de
> executivos de negócio assumindo posições de TI. Procure reportagens na
> computerworld e infocorporate, informationweek e CIO que vc encontrará
> centenas de casos de gente no Brasil da área de negócios assumindo a gestão
> de TI.
>
> Existe um erro conceitual quando as pessoas falam de ITIL, COBIT e outras
> ferramentas de governança de TI. Ferramentas são apenas ferramentas. Ser
> aderente ao ITIL não significa que a empresa consegue gerenciar o negócio
> com visão de mercado. Eu conheço raros service catalog cujos serviços falam
> do negócio. A coisa mais comum que encontro é aparecer como serviço de TI
> acesso à rede ou pesquisa de satisfação. Este tipo de definição
> simplesmente impede qualquer tipo de participação do CIO na estratégia. O
> motivo é bem simples. Foi jogado dinheiro no lixo. O CIO economizou na
> contratação de um real profissional de ITIL e gerou apenas e tão somente
> nada. Quem faz isto não entra no board de uma empresa e fica sempre como
> centro de custos.
>
> Não gosto de citar nomes como falei anteriormente, mas recomendo que veja o
> caso da empresa chamada INFONET. Vai encontrar um empresa de telecom
> vendendo serviços de TI com base na estratégia, qualidade e capacidade.
> Outro nome para ter em mente é o caso do CIO das casas Bahia. Ele não era de
> TI. Parei de fazer propaganda de graça....Sorry. Mas te afirmo são centenas
> os exemplos no mercado.
>
> Discordo sobre a sua afirmação "Mas fica mais complicado na medida em que
> as premissas existentes no modelo se tornam inválidas.". Não pretendo entrar
> à fundo neste assunto em fórum público, mas em função do que tenho visto em
> execução no mercado nacional eu diria que o problema é da alçada de modelo
> de negócio completamente furado, capital intelectual de menos e problemas de
> entendimento.
>
> Cordialmente
> Ricardo Mansur
>

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