On Thu, 18 Apr 2002 12:34:54 -0300
Lisias Toledo <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Mas tbm � Maquiavel ("O Pr�ncipe" � leitura obrigat�ria... s�rio!!) o

Eu li no colegial... tenho um exemplar aqui. Tb tem online em
http://www.jahr.org/nel/principe/index.html.

> conceito de "Ganhar pouco para ganhar sempre".

No livro tamb�m est� escrito que a gan�ncia sem pulso firme � a queda de
muitos pr�ncipes... Vide a Enron. H� um ano atr�s quem ia imaginar que um
monstro daqueles, com o faturamento de v�rias Microsofts, hoje n�o valesse
nem o terreno onde est� a sede?  

> Quando vc afrouxa as r�deas, vc perde o controle. Mas se vc puxa-as
> demais, vc ganha uma revolu��o!

"Quando aqueles Estados que se conquistam, como foi dito, est�o habituados
a viver com suas pr�prias leis e em liberdade, existem tr�s modos de
conserv�-los: o primeiro, arruin�-los; o outro, ir habit�-los
pessoalmente; o terceiro, deix�-los viver com suas leis, arrecadando um
tributo e criando em seu interior um governo de poucos, que se conservam
amigos, porque, sendo esse governo criado por aquele pr�ncipe, sabe que
n�o pode permanecer sem sua amizade e seu poder, e h� que fazer tudo por
conserv�-los. (...)  � que, em verdade, n�o existe modo seguro para
conservar tais conquistas, sen�o a destrui��o. E quem se torne senhor de
uma cidade acostumada a viver livre e n�o a destrua, espere ser destru�do
por ela, porque a mesma sempre encontra, para apoio de sua rebeli�o, o
nome da liberdade e o de suas antigas institui��es, jamais esquecidas seja
pelo decurso do tempo, seja por benef�cios recebidos."  
-- V - QUOMODO ADMINISTRANDAE SUNT CIVITATES VEL PRINCIPATUS, QUI ANTEQUAM
OCCUPARENTUR, SUIS LEGIBUS VIVEBANT

> Por outro lado, se vc usa este poder para sabotar o seu concorrente,
> evitando que ele ofere�a a mesma solu��o (mesmo que incompat�vel com a
> sua) � 400 reais, e ainda migrando a base de dados � pre�os m�dicos, vc
> est� prejudicando duas pessoas (o concorrente e o cliente).

L�sias, estamos falando de poder, n�o de �tica. O objetivo todo da obra de
Maquiavel � manter o poder a todo custo. Lembra? Os fins justificam os
meios.

> Da� me aparece outro maluco, e dan�a do mesmo jeito. S�o tr�s. At� que
> percebe-se que ningu�m vai mesmo ganhar dinheiro com isto, ent�o a
> galera se une e solta de gra�a um c�digo livre sabotando o seu mercado,
> e tenta ganhar ao menos uns trocados com servi�os.

How good is a phone call, Mr.Anderson, if you can't talk?

� a� que entra o conhecimento do formato do arquivo q te falei. Falemos do
exemplo que deu origem � thread: Microsoft Office. O p�blico alvo do MS
Office nao quer saber se vc pode converter 60, 70% do documento, se as
fontes vao ficar iguais, etc. Ela quer que o arquivo fique *igual*, e que
de preferencia o programa que o manipule seja igual tambem. Um memorando,
um of�cio passam, mas vc sabe que um arquivo .doc ou .xls, quando come�am
a ficar mais complicados come�am a ficar cheios de controles ActiveX,
macros VBS etc, e isso nenhuma alternativa livre consegue converter. Nem
as comerciais. Putz, eles nao sao compativeis nem entre vers�es do mesmo
programa.

Sem falar de um outro motivo importante: essas pessoas nao foram educadas
para usar um editor de textos, elas foram adestradas para usar Word. Elas
nao foram ensinadas a usar planilhas, elas sabem usar Excel. 

E tamb�m existe muita gente que simplesmente nao pode migrar pra solucao
de 400 reais. Mesmo que fosse de gra�a, ele nao pode. D� uma volta por a�
em Manaus que vc vai comprovar o que estou dizendo. Tem empresas cujo
sistema interno roda totalmente em cima de uma planilha do Excel. E eu to
falando s�rio. T�, empreseca, mas essas sao os 80% da movimentacao
comercial do Brasil, t� certo? Entretanto � muito f�cil fazer um
sisteminha b�sico acessando uma base access no Excel, e ent�o, para essas
essas pessoas a Microsoft surge como uma facilitadora, uma solucao
descomplicada que promete (e cumpre, com suas limitacoes) resolver os
problemas do dia-a-dia. A partir do momento em que esse sistema j� nao d�
mais conta das necessidades desse usuario, o coitado j� nao tem mais opcao
a nao ser usar as solucoes "Enterprise" do mesmo fabricante, que sao as
unicas compativeis com a informacao que ele j� tem. � preciso muita for�a
de vontade para sair de um esquema desses, e a maioria das pessoas nao a
tem. Entra Maquiavel:

"Deve, ainda, quem se encontre � frente de uma prov�ncia diferente, como
foi dito, tornar-se chefe e defensor dos menos fortes, tratando de
enfraquecer os poderosos e cuidando que em hip�tese alguma a� penetre um
forasteiro t�o forte quanto ele. (...)  E a ordem das coisas � que, t�o
logo um estrangeiro poderoso penetre numa prov�ncia, todos aqueles que
nela s�o mais fracos a ele d�em ades�o, movidos pela inveja contra quem se
tornou poderoso sobre eles; tanto assim � que em rela��o a estes n�o se
torna necess�rio grande trabalho para obter seu apoio, pois logo todos
eles, voluntariamente, formam bloco com o seu Estado conquistado. Apenas
deve haver o cuidado de n�o permitir adquiram eles muito poder e muita
autoridade, podendo o conquistador, facilmente, com suas for�as e com o
apoio dos mesmos, abater aqueles que ainda estejam fortes, para tornar-se
senhor absoluto daquela prov�ncia. E quem n�o encaminhar satisfatoriamente
esta parte, cedo perder� a sua conquista e, enquanto puder conserv�-la,
ter� infinitos aborrecimentos e dificuldades."  
-- III - DE PRINCIPATIBUS MIXTIS

> Se a Lei pode ser comprada � seu favor, tbm o pode contra vc. Onde a
> Justi�a se omite, surge a Vingan�a.

Coisas da plutocracia... para quem tem dinheiro, a lei � apenas um peda�o
de papel. 

"� coisa muito natural e comum o desejo de conquistar e, sempre, quando os
homens podem faz�-lo, ser�o louvados ou, pelo menos, n�o ser�o censurados;
mas quando n�o t�m possibilidade e querem faz�-lo de qualquer maneira,
aqui est� o erro e, consequentemente, a censura."       
-- Idem
 
> Mas neste caso, vc ter� que gastar ma��s extras com seguran�a, pois
> quando eu sentir fome e n�o tiver como convencer vc a me dar uma ma��,
> poderei concluir que devo usar for�a f�sica para garantir minha
> sobreviv�ncia.

"Quando nem a sua pobreza nem a sua honra � tocada, a maioria dos homens
vivem contentes." Tamb�m � de Maquiavel.

Haha, o cara pensou em tudo. 

> Que mudar o qu�!!!! Sig � pra isto mesmo!!! 8-)

Bug no fortune ;). 
Tirei o autor, um leitor me avisou em PVT que a frase nao era de
Crowley... =( Mas ainda nao sei de quem �. Se algu�m souber d� um toque.  

thiago, sentindo-se um papagaio repetindo quotes.

-- 
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