Felipe Fonseca wrote:
e voltando à eterna pergunta (1), agora é o novaes
quem contribui mais um pouco:
http://blogs.metareciclagem.org/novaes/2006/09/03/pensando-metarec-descontruir-tecnologia/
(1): o que é MetaReciclagem?
FF, tem pelo menos dois jeitos de definir qualquer objeto ("objeto" no
sentido lógico, algo q se pensa, de que se fala e/ou se usa...)
(1) o jeito nominalista (que é o típico modo positivista moderno de
conceituar, contra todos os hábitos práticos cotidianos) de dar
definições, tipo "isto é aquilo", verbete de dicionário. Se defino
"banco" como "objeto construído com um tampo elevado para apoiar o
corpo, apoiado de maneira estável no chão", parece tudo bem até eu
encontrar um assento retrátil de elevador, que todo mundo chama de
"banco", mas que eu tenho que inventar outro nome para chamar, porque
escapou da definição.
(2) o jeito realista (empiricista, só confia nos fatos acontecidos),
"isto é o que há de comum nessas coisas todas", parecido como discurso
de etnólogos etnocêntricos, vê o que se repete e se define o objeto pelo
que não muda nos casos todos. Isso funciona mais ou menos no cotidiano,
banco é essa coisa de três ou quatro pernas, com um tampo, sem encosto;
mas se eu encontro um banco de duas pernas (bom para vigias
noturnos...), vou ter que mudar toda a definição, porque "vivo no
passado" dos objetos que já foram pensados, falados e usados e não
projeto os usos futuros. Uma definição de enciclopédia é isso, porque
mostra a rede de outros objetos na qual o objeto se torna o que é... mas
falha porque não projeta os usos futuros. A
(2) o jeito pragmaticista (que é, no cotidiano, como as pessoas
espontaneamente conceituam os objetos) que é seguir os usos do objeto,
tipo "isto costuma servir ou ser usado para aquilo, mas não só". Se
defino como "banco" como "objeto que serve para sentar e descansar as
pernas, mas não para encostar o corpo", o banco do elevador não vai ter
problema. Esse tipo de definição persegue os usos reais e possíveis (na
linguagem técnica da filosofia: arranjos actanciais atuais e
virtualizados) de determinado objeto, que ao mesmo tempo servem à
produção do objeto e que organizam a lógica de seu uso num determinado
tipo de situação.
A rigor, isso não é mais 'de-finir' (marcar os limites) mas, mais
extamente, "conceituar": o conceito não é nem uma idéia abstrata
aplicável, nem uma série de ocorrências passível de abstração, mas um
hábito coletivo (coletivo no sentido de aglomerado de sujeitos humanos e
não humanos) que ao organizar acontecimentos presentes e futuros, se
desenvolve e se transforma.
Claro que eu gosto mais da última. E imagino, pelo que você contou do
seu trauma com as aulas de semiótica (ah, malditos professores caretas e
desapaixonados de semiótica !) que tambem o agrade...
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note;quoted-printable:"Da =C3=A1gua estagnada se espera o veneno" (W.Blake)
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