Uhú! "Eu sou uma núvem de núvens" (metareciclando Maiakovski).


HD, tudo deleuze com você? Cuidado para não ficar deleuzelumbrado... :-P

Antão, comentários às intervenções desse thread (a gente devia traduzir "thread"... fieira, meada ou mesmo, porque não, cordel)...


Hernani Dimantas wrote:
q nada... é por aí mesmo!
abs
hdhd

On 9/6/06, Edgard Piccino <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Eu gosto desta metáfora (prefiro encarar assim).

Uma metáfora é uma charada com resposta: você cisma de inventar uma semelhança entre entes (ou conceitos, ou núvens...) até então díspares e usa uns para significar os outros...

   (Causo de uma charada: Dois amigos, um padre, outro bebum, viciados
   em charadas. Um dia, o padre passa pelo bebum caído e o xinga: "Seu
   pau d'água". O bebum: "Duas e uma, padre!". O padre fica
   cismadíssimo. Depois de muita cisma, saca que, inconsciente, o amigo
   lhe propôs uma charada (duas e uma é dica da resposta: duas sílabas,
   uma sílaba, equivalente a "padre") Resposta: Viga (duas sílabas) rio
   (uma sílaba), Vigário = Padre. )


Depois de respondida a charada, o que era distante fica próximo, o que era díspar vira análogo, o opaco fica translúcido (mas não transparente)... o que era estranho parece óbvio ("como é que eu não pensei nisso").

Na metáfora, não basta a analogia, tem que ter a distancia... ao saltar a distância pela semelhança (conhecida, suposta, ou inventada), projeta-se uma perspectiva sobre os entes conectados... o sentido da metáfora é não apenas a semelhança através da diferença, mas também (isso é implicito, mas é onde mora o poder da metáfora) uma perspectiva nova sobre os seres conectados que produz um outro contexto e muda (não só o "significado", muda o próprio modo de ser) dos entes conectados.

Se estou bem lembrado,
Deleuze compara um conceito a uma núvem de outros conceitos, que vai mudando
de forma a medida que os outros conceitos também vão se modificando.
Palavras, mentes, máquinas: abra-as e vai encontrar outras. Abra estas, e vai encontra mais. Desista de esmiuçar e volte aos "inteiros": tente definí-los e vc quebra a cara, porque eles não são nada sem estarem conetados a outros entes formando entes mais complexos. Suba para os mais complexos e vc topa com a mesma situação. E aí, vc desiste de definir e saca que conceituar é esse abre-fecha ilimitado.

(A encrenca do Wittgenstein, que me conste, é achar que isso se limita às suas adoradas palavras: nada, signos verbais são só um caso disso. E não existiriam se todo o cosmos não fosse do mesmo jeito. )

O mundo não tem fundo. "A criatividade é o último" (Whitehead): o abre-fecha não deixa nada intacto, a ação do investigador é mais outro ente que vai torcendo todo o real enquanto anda / cresce.

Ou seja, um conceito é dinâmico e se modifica ao longo do tempo. Neste caso nenhuma conceituação é definitiva, e é sempre uma construção coletiva, uma
vez que diversos atores modificam os conceitos que gravitam em torno do
conceito buscado.

Neste caso uma livre associação das enunciações ajudam a visualizar esta
núvem. Os mapas conceituais (ou mapas mentais) são interessantes ferramentas
para bagunçar as idéias.
A retórica (que não se limita aos signos mentais, está em toda parte, em todos os seres vivos e mesmo nos "inertes") é a fábrica desses mapas. Mapa é um diagrama, todo diagrama pressupõe uma metáfora, ou seja, que por sua vez seriam "fazer emergirem perspectivas".

Divaguei né?
Vagou... quem a mente que não vagabunda, não pensa! ;-)

Abs

 Edgard


On 9/5/06, Hernani Dimantas <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> agenciamento coletivo da enunciação.... MUITO interessante
>
>
> On 9/5/06, Edgard Piccino <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > Deleuze conceitua conceito como um agenciamento de conceitos.
> >
> > Acho isso interessante... mas só interessante...
Bonecas russas... sem a última, menorzinha, nem a primeira... isso é uma cosmologia bem linda, bem antiga e bem marginalizada (Platão, Santo Agostinho, os nominalistas, Descartes, Comte e seus positivistas detestam-na!): em cada átomo, um universo, cada universo átomo de outro...
> >
> >
> > On 9/5/06, Stalker < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > >
> > Felipe Fonseca wrote:
> > > e voltando à eterna pergunta (1), agora é o novaes
> > > quem contribui mais um pouco:
> > >
> > >
> >
http://blogs.metareciclagem.org/novaes/2006/09/03/pensando-metarec-descontruir-tecnologia/
> > >
> > >
> > > (1): o que é MetaReciclagem?
> > FF, tem pelo menos dois jeitos de definir qualquer objeto ("objeto" no
> > sentido lógico, algo q se pensa, de que se fala e/ou se usa...)
> >
> > (1) o jeito nominalista (que é o típico modo positivista moderno de
> > conceituar, contra todos os hábitos práticos cotidianos) de dar
> > definições, tipo "isto é aquilo", verbete de dicionário. Se defino
> > "banco" como "objeto construído com um tampo elevado para apoiar o
> > corpo, apoiado de maneira estável no chão", parece tudo bem até eu
> > encontrar um assento retrátil de elevador, que todo mundo chama de
> > "banco", mas que eu tenho que inventar outro nome para chamar, porque
> > escapou da definição.
> >
> > (2) o jeito realista (empiricista, só confia nos fatos acontecidos),
> > "isto é o que há de comum nessas coisas todas", parecido como discurso > > de etnólogos etnocêntricos, vê o que se repete e se define o objeto pelo > > que não muda nos casos todos. Isso funciona mais ou menos no cotidiano, > > banco é essa coisa de três ou quatro pernas, com um tampo, sem encosto;
> > mas se eu encontro um banco de duas pernas (bom para vigias
> > noturnos...), vou ter que mudar toda a definição, porque "vivo no
> > passado" dos objetos que já foram pensados, falados e usados e não
> > projeto os usos futuros. Uma definição de enciclopédia é isso, porque > > mostra a rede de outros objetos na qual o objeto se torna o que é... mas
> > falha porque não projeta os usos futuros. A
> >
> >
> > (2) o jeito pragmaticista (que é, no cotidiano, como as pessoas
> > espontaneamente conceituam os objetos) que é seguir os usos do objeto,
> > tipo "isto costuma servir ou ser usado para aquilo, mas não só". Se
> > defino como "banco" como "objeto que serve para sentar e descansar as > > pernas, mas não para encostar o corpo", o banco do elevador não vai ter > > problema. Esse tipo de definição persegue os usos reais e possíveis (na
> > linguagem técnica da filosofia: arranjos actanciais atuais e
> > virtualizados) de determinado objeto, que ao mesmo tempo servem à
> > produção do objeto e que organizam a lógica de seu uso num determinado
> > tipo de situação.
> >
> > A rigor, isso não é mais 'de-finir' (marcar os limites) mas, mais
> > extamente, "conceituar": o conceito não é nem uma idéia abstrata
> > aplicável, nem uma série de ocorrências passível de abstração, mas um > > hábito coletivo (coletivo no sentido de aglomerado de sujeitos humanos e
> > não humanos) que ao organizar acontecimentos presentes e futuros, se
> > desenvolve e se transforma.
> >
> >
> > Claro que eu gosto mais da última. E imagino, pelo que você contou do > > seu trauma com as aulas de semiótica (ah, malditos professores caretas e
> > desapaixonados de semiótica !) que tambem o agrade...
> >
> >
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