Esse é meu professor!!! Medo de semiótica?! Que nada, esse é o cara!! A propósito, vc recebeu os cds?

Daniel

Citando Stalker <[EMAIL PROTECTED]>:

Felipe Fonseca wrote:
e voltando à eterna pergunta (1), agora é o novaes
quem contribui mais um pouco:


http://blogs.metareciclagem.org/novaes/2006/09/03/pensando-metarec-descontruir-tecnologia/
(1): o que é MetaReciclagem?
FF, tem pelo menos dois jeitos de definir qualquer objeto ("objeto"
no sentido lógico, algo q se pensa, de que se fala e/ou se usa...)

(1) o jeito nominalista (que é o típico modo positivista moderno de
conceituar, contra todos os hábitos práticos cotidianos) de dar
definições, tipo "isto é aquilo", verbete de dicionário. Se defino
"banco" como "objeto construído com um tampo elevado para apoiar o
corpo, apoiado de maneira estável no chão", parece tudo bem até eu
encontrar um assento retrátil de elevador, que todo mundo chama de
"banco", mas que eu tenho que inventar outro nome para chamar, porque
escapou da definição.

(2) o jeito realista (empiricista, só confia nos fatos
acontecidos), "isto é o que há de comum nessas coisas todas",
parecido como discurso de etnólogos etnocêntricos, vê o que se repete
e se define o objeto pelo que não muda nos casos todos. Isso funciona
mais ou menos no cotidiano, banco é essa coisa de três ou quatro
pernas, com um tampo, sem encosto; mas se eu encontro um banco de
duas pernas (bom para vigias noturnos...), vou ter que mudar toda a
definição, porque "vivo no passado" dos objetos que já foram
pensados, falados e usados e não projeto os usos futuros. Uma
definição de enciclopédia é isso, porque mostra a rede de outros
objetos na qual o objeto se torna o que é... mas falha porque não
projeta os usos futuros. A


(2) o jeito pragmaticista (que é, no cotidiano, como as pessoas
espontaneamente conceituam os objetos) que é seguir os usos do
objeto, tipo "isto costuma servir ou ser usado para aquilo, mas não
só". Se defino como "banco" como "objeto que serve para sentar e
descansar as pernas, mas não para encostar o corpo", o banco do
elevador não vai ter problema. Esse tipo de definição persegue os
usos reais e possíveis (na linguagem técnica da filosofia: arranjos
actanciais atuais e virtualizados) de determinado objeto, que ao
mesmo tempo servem à produção do objeto e que organizam a lógica de
seu uso num determinado tipo de situação.

A rigor, isso não é mais 'de-finir' (marcar os limites) mas, mais
extamente, "conceituar": o conceito não é nem uma idéia abstrata
aplicável, nem uma série de ocorrências passível de abstração, mas um
hábito coletivo (coletivo no sentido de aglomerado de sujeitos humanos
e não humanos) que ao organizar acontecimentos presentes e futuros, se
desenvolve e se transforma.


Claro que eu gosto mais da última. E imagino, pelo que você contou
do seu trauma com as aulas de semiótica (ah, malditos professores
caretas e desapaixonados de semiótica !) que tambem o agrade...


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