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Jornalistas da Gazeta Mercantil voltaram ao
trabalho �s 14h desta sexta-feira (9/11). Eles se encontraram em frente �
sede do jornal, em Santo Amaro (SP), todos vestidos de branco e soltaram
fogos de artif�cio. Entraram juntos no pr�dio e, segundo fonte, trabalham
normalmente. "O clima est� calmo demais. D� at� para desconfiar", disse. A
comiss�o de greve passou a cinco jornalistas a responsabilidade de
acompanhar a reestrutura��o na empresa.
O TRT-SP reconheceu a greve dos jornalistas como n�o-abusiva.
Segundo fonte presente � audi�ncia, os grevistas t�m estabilidade de 60
dias a partir desta quinta-feira (8/11). A GZM tem 48 horas para pagar
todos os sal�rios atrasados. Caso contr�rio, ter� que pagar multa
processual de 5% ao dia. Quanto ao FGTS, o TRT pediu of�cio � Caixa
Econ�mica Federal para ter conhecimento das pend�ncias do jornal.
O clima na reda��o de S�o Paulo � "tenso mas calmo", como disse um dos
grevistas a Comunique-se. J� um veterano explicou que continuou
trabalhando, "por achar que a greve n�o iria resolver os problemas dos
jornalistas e iria piorar os do jornal, mas agora temos de nos aturar,
porqu s� assim chegaremos a algum lugar." Os ressentimentos
maiores parecem estar nas 13 sucursais fechadas, onde o pessoal
trabalhou muito durante a greve para ajudar a manuten��o do jornal e de um
n�vel m�nimo de qualidade editorial. Agora, com o fim dessas edi��es
e os avisos de demiss�o, alguns jornalistas revelam grande irrita��o ("Foi
uma grande sacanagem", resumido e desabafou um deles) em rela��o �
dire��o da empresa.
A decis�o do tribunal s� vale em S�o Paulo. Os jornalistas do Rio,
onde, segundo o sindicato, houve 16 demiss�es. Nesta sexta, advogados do
Sindicato dos Jornalistas do Rio pediram julgamento da greve no TRT-RJ,
esperando obter, como em S�o Paulo, a declara��o de legalidade. S� assim
os grevistas admitiriam a possibilidade de voltar a trabalhar. No pr�ximo
domingo (11/11), integrantes da comiss�o de greve do Rio ir�o at� S�o
Paulo elaborar um texto com as principais reivindica��es dos grevistas do
Rio e de S�o Paulo. Esse texto ser� apresentado a Roberto M�ller, diretor
da GZM, em reuni�o que ocorre semana que vem.
Segundo o diretor do Sindicato de Bras�lia, Paulo Miranda, os grevistas
tamb�m voltam ao trabalho nesta sexta. Eles n�o declararam greve e por
isso n�o t�m respaldo legal para a paralisa��o. S� nas regionais de
Bras�lia, Goi�nia e Mato Grosso, 22 jornalistas foram demitidos.
O diretor jur�dico da Gazeta Mercantil, A�lton Trevisan, em
visita � Argentina para negociar com jornalistas e gr�ficos grevistas,
confirmou que jornalistas ser�o demitidos. Segundo pessoal da reda��o
Argentina, Trevisan anunciou ajustes estruturais nos dois pa�ses a
fim de cortar custos e adiantou a redu��o na folha de pagamentos. Ele
tamb�m disse que a GZM estuda uma redu��o salarial. (Leia Jornalistas
& Cia desta semana).
Uma fonte pr�xima ao fundo Worldinvest, l�der do grupo de
empres�rios interessado na compra do jornal, confirmou que a
exig�ncia fundamental para o fechamento do neg�cio � um plano em que
a viabilidade econ�mico-financeira da empresa fique assegurada. Por
isso, ser� necess�rio um profundo corte de custos, especialmente de
pessoal.
Por sua vez, o Jornal do
Brasil acompanha tudo o que vem ocorrendo, interessado em se
associar ao grupo de empres�rios liderado pelo Worldinvest e assumir o
controle operacional. Como se recorda o empres�rio Nelson Tanure e
Luiz Fernando Levy haviam acertado um protocolo de inten��es, pelo qual
Tanure adiantou 2,1 milh�es de reais para pagar sal�rios atrasados e
assumiu o caixa e o comando comercial da empresa. Levy suspendeu
esse acordo e reatou a negocia��o - que est� em andamento - com o World
Invest. Mas o prazo de duas semanas acabou no dia 2/11. Chegou a
ser marcada uma reuni�o entre Tanure, Levy e o Worldinvest, que, segundo
uma fonte pr�xima a Tanure, n�o ocorreu.
Apesar da demora, Nelson Tanure at� agora n�o pediu seu dinheiro de
volta. Calmamente aguarda que o Worldinvest decida se vai ou n�o dar
todo o dinheiro necess�rio (calcula-se um m�nimo de 20 milh�es de
reais)para o pagamento de sal�rios e compromissos atrasados. Como
disse uma fonte que conhece bem o estilo e o pensamento de Nelson Tanure:
"Ele acredita que s� uma pessoa muito experiente no comando de
empresas em situa��o aparentemente irrecuper�vel toparia essa
parada. E os empres�rios representados pelo Worldinvest n�o t�m esse
perfil".
Jornalistas e gr�ficos do jornal argentino Comercio Y Justicia
receberam 70% do sal�rio de setembro e voltaram ao trabalho. A dire��o do
jornal fez a promessa de pagar os 30% restantes at� sexta-feira (9/11).
Caso o prazo n�o seja cumprido, os jornalistas far�o nova paralisa��o.
Segundo informa��o dada pelos jornalistas argentinos, o diretor
jur�dico A�lton Trevisan prometeu considerar em igualdade de condi��es
todos os funcion�rios da GZM, dizendo que quer evitar injusti�as e
avisando que a Gazeta vai cumprir o mesmo cronograma nas reda��es do
Brasil. |