Não há programação pra todos os gostos não. Quando eu quero ouvir um samba, só 
tenho uma rádio e tenho que dar sorte de tocar, duas se contar um programa no 
fim de semana. As rádios com programação alternativa geralmente não tem sinal 
bom, a qualidade das transmissões é inferior devido à falta de recursos. Mas o 
problema não é esse. Não toca música erudita na televisão, não aparece nas 
revistas, os espetáculos, quando têm são caros e pouco divulgados. E dentro da 
filosofia de vida capitalista em que vivemos, isso não é interessante para o 
consumidor, o consumidor quer porpurinas, fogos, luzes ou qualquer coisa que 
ofusque sua capacidade de avaliar suas reais necessidades e que alimente seu 
ego.

Outro ponto que você levantou é muito interessante, o do comodismo. O 
brasileiro é notoriamente acomodado (generalizando da forma mais burra 
possível). Mas acredito que isso tudo seja parte de um processo contínuo de 
alienação em massa, e aí entra o papel da mídia comercial, sobrevivente, ao meu 
ver, devido nível de educação da nossa população.
Calma, não venham me apedrejar, nem empurrar outra vez aquele livro... Quando 
falo em educação é educação cultural. Educar não é só ensinar a língua, 
matemática e mais meia dúzia de matérias. Educar é estimular o desenvolvimento, 
desafiar, é apresentar opções e ensinar a fazer escolhas, é fornecer uma base 
para que a pessoa possa desenvolver seu caráter, formar suas opiniões. Aí entra 
o papel da música, do cinema, do teatro, da literatura, enfim, da arte...

Vou pegar seu exemplo para resumir um pouco do que estávamos discutindo 
anteriormente. Eu não conheço a obra de Carmina Burana (anotei e vou aprender 
um pouco mais depois). Comodismo? Talvez, apesar de não ter a pretensão de 
saber tudo sobre música. Mas vejo pelo lado da oportunidade, ninguém nunca 
chegou pra mim e disse, "Você conhece a Carmina? Ouve isso aqui." Mas daí a 
dizer que a música dela é ruim é um absurdo. Dizer que não faz sucesso porque o 
povo não gosta é outro.


Aquele abraço,
Gabriel Gomes




-----Mensagem original-----
De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Ney Gastal
Enviada em: quarta-feira, 13 de junho de 2007 10:02
Para: [email protected]
Assunto: Fwd: Re: [S-C] Re:Artistas X Mídia X Público

 "*Cada um deve ter a liberdade de gostar de qualquer coisa*."
> Eu só tenho a liberdade de gostar de qualquer coisa, a partir do momento
> que eu tenho oportunidade de ter acesso a qualquer coisa.
> Aquele abraço,
> Gabriel Gomes


*É, está certo.*
*O problema é definir "oportunidade".*
*Ainda que a programação das rádios - principalmente FMs - seja plana e
parecida, há programações para todos os gostos.*
*Nas grandes capitais existem rádios que têm inclusive programas de música
erudita e estes tocam até recitativos de Mahler. Em alemão.*
*Mas, vamos simplificar: quantos aqui da lista conhecem a íntegra dos cantos
da Carmina Burana? Não falo a cantata do Orff, mas os cantos originais, uma
das mais perfeitas coleções de música popular medieval ainda preservados? *
*E olha que neste grupo todos têm oportunidade.*
*Quer dizer, oportunidade para conhecer todos têm.*
*Interesse em garimpar um pouco além do óbvio, este é outro problema.*
*Por isso também prefiro deixar a cada um a liberdade de gostar do que bem
entender, até porque em todos os gêneros existem o joio e o trigo.*
*O resto é preconceito.*
*Ney*
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