deus do céu.

o 'realismo socialista' morreu com o stálin e outros homenzarrões - e nunca foi 
um postulado do socialismo cubano.

o que é evidente é a óbvia influência das condições objetivas e subjetivas da 
vida cubana que, desde o tempo de babtista, colocam o ideário da transformação 
também no espectro artístico. é só observar que uma pequena parte da música e 
também da pintura pré-revolucionária, por exemplo, também já tratavam de temas 
'vinculados aos ideiais do regime'.

aliás, você conhece os 'ideais do regime', companheiro? digo, claro que você lê 
jornal.
cuba não é 1984. cuba não é 'brazil, o filme'. aliás, é a tentativa de antítese 
disto tudo, por mais que as "dondocas enfadadas da elite branca", hehe, pra 
citar o cláudio lembo (!) digam o contrário.
os conceitos de liberdade e democracia são completamente relativos.
o que era liberdade para um aristocrata já não era mais para um burguês em 
1798, e não era mais para um pobretão em 1803 e para napoleão era uma quarta 
coisa. então, quer dizer, o que temos consolidado como conjunto de coisas que 
podemos fazer que significa liberdade, na perspectiva marxista, nao é 
necessariamnte o conjunto de coisas que, de fato, tornam alguém (ou um conjunto 
de alguéns) livre, liberto. democracia, então, é mais outra história.

paraíso fica lá no céu (espera-se). bobagem dizer que há qualquer coisa 
parecida com isto aqui na terra. todos os territórios são catastróficos e quase 
provam a inviabilidade do homem e da coexistência humana de modo geral. 
contudo, há aqueles que tentam construir uma coisa mais frugal e compartilhada. 
isto tudo, frente a tantos abutres e horrorosos reis, certamente, gera um 
triste enfrentamento violento. agora, a verdade é que há séculos o capital 
justifica a propriedade pela força... vivemos em um período pré-histórico da 
humanidade. enquanto há homens comendo de amontoados de lixo, isto, que a 
burguesada calhorda chama de civilização, é melhor chamarmos francamente de 
pré-história.
então, quer dizer, em relação à execução ocorida em cuba, é claro que foi uma 
açao abominável do governo. e, do ponto de vista político, minha opinião é de 
que havia outra saída... contudo, é repugnante a veemência com a qual tratamos 
este caso, enquanto deixamos a mortalidade cotidiana para um comentário de 
'inevitabilidade cósmica'.

de qualuqer modo, não há possibilidade de avaliar a arte com tamanho binarismo. 
precisamos ser mais ousados, neste sentido. ir mais fundo nas questões. bobagem 
é propagandear as frescuras mentirosas da mídia e da historiografia anticubanas.

contudo, sobre a arte cubana, sugiro dar uma lida (gilberto felisberto 
vasconcellos, frei betto, fernando morais, pedro juan gutierrez) ou uma andada 
por aí. quem visitou a mostra de arte cubana no ano passado, se nao me engano, 
lá em são paulo, no centro cultural banco do brasil, viu que até roy 
lichenstein tinha entre as obras. então, quer dizer, se é pra ser superficial, 
fiquemos embasbacados com a influência da pop-art na pintura cubana.

bom, vão aí mais alguns elementos.

um abraço,
ruy marques


> André, o povo cubano sabe ler, mas só pode ler aquilo que o governo deixa
> :-) :-) :-) :-). E a arte tem que estar vinculada aos ideais do regime.
> abs.
> Eduardo Martins
>
> ----- Original Message -----
> From: "André Carvalho" <[EMAIL PROTECTED]>
>
>
> em nenhum momento eu disse que Cuba é um paraíso. Eu disse que lá eles têm
> saúde, educação, arte e cultura... Isso é um fato. Que não anula a falta de
> liberdade que els têm lá...
>
> Quanto às deserções... Bom, não sei se vocês viram, mas atrás de um
> desertor, há um aliciador. Foi o que aconteceu com os boxeadores cubanos...
> Eles foram recebidos por um turco cheio de verdinhas lá na Alemanha... É
> assim que funciona o capitalismo selvagem...




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