Acirrando a polêmica,

e parafraseando Nélson Rodrigues: " A liberdade é, SEMPRE, mais
importante que o pão."

O mais curioso disso tudo talvez seja o paradoxo entre aqueles que
cobravam da "comunidade internacional" uma postura em relação às
ditaduras militares latino-americanas e hoje defendem que o Brasil
mantenha uma relação de normalidade diplomática - e até de apoio - com
uma ditadura repleta de presos e desaparecidos políticos.

Ou alguém aqui vai querer me convencer que os paredões de Fidel são
uma farsa criada pela CIA?

Abs,

Eugênio

Em 30/07/07, ruysposati<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> deus do céu.
>
> o 'realismo socialista' morreu com o stálin e outros homenzarrões - e nunca 
> foi um postulado do socialismo cubano.
>
> o que é evidente é a óbvia influência das condições objetivas e subjetivas da 
> vida cubana que, desde o tempo de babtista, colocam o ideário da 
> transformação também no espectro artístico. é só observar que uma pequena 
> parte da música e também da pintura pré-revolucionária, por exemplo, também 
> já tratavam de temas 'vinculados aos ideiais do regime'.
>
> aliás, você conhece os 'ideais do regime', companheiro? digo, claro que você 
> lê jornal.
> cuba não é 1984. cuba não é 'brazil, o filme'. aliás, é a tentativa de 
> antítese disto tudo, por mais que as "dondocas enfadadas da elite branca", 
> hehe, pra citar o cláudio lembo (!) digam o contrário.
> os conceitos de liberdade e democracia são completamente relativos.
> o que era liberdade para um aristocrata já não era mais para um burguês em 
> 1798, e não era mais para um pobretão em 1803 e para napoleão era uma quarta 
> coisa. então, quer dizer, o que temos consolidado como conjunto de coisas que 
> podemos fazer que significa liberdade, na perspectiva marxista, nao é 
> necessariamnte o conjunto de coisas que, de fato, tornam alguém (ou um 
> conjunto de alguéns) livre, liberto. democracia, então, é mais outra história.
>
> paraíso fica lá no céu (espera-se). bobagem dizer que há qualquer coisa 
> parecida com isto aqui na terra. todos os territórios são catastróficos e 
> quase provam a inviabilidade do homem e da coexistência humana de modo geral. 
> contudo, há aqueles que tentam construir uma coisa mais frugal e 
> compartilhada. isto tudo, frente a tantos abutres e horrorosos reis, 
> certamente, gera um triste enfrentamento violento. agora, a verdade é que há 
> séculos o capital justifica a propriedade pela força... vivemos em um período 
> pré-histórico da humanidade. enquanto há homens comendo de amontoados de 
> lixo, isto, que a burguesada calhorda chama de civilização, é melhor 
> chamarmos francamente de pré-história.
> então, quer dizer, em relação à execução ocorida em cuba, é claro que foi uma 
> açao abominável do governo. e, do ponto de vista político, minha opinião é de 
> que havia outra saída... contudo, é repugnante a veemência com a qual 
> tratamos este caso, enquanto deixamos a mortalidade cotidiana para um 
> comentário de 'inevitabilidade cósmica'.
>
> de qualuqer modo, não há possibilidade de avaliar a arte com tamanho 
> binarismo. precisamos ser mais ousados, neste sentido. ir mais fundo nas 
> questões. bobagem é propagandear as frescuras mentirosas da mídia e da 
> historiografia anticubanas.
>
> contudo, sobre a arte cubana, sugiro dar uma lida (gilberto felisberto 
> vasconcellos, frei betto, fernando morais, pedro juan gutierrez) ou uma 
> andada por aí. quem visitou a mostra de arte cubana no ano passado, se nao me 
> engano, lá em são paulo, no centro cultural banco do brasil, viu que até roy 
> lichenstein tinha entre as obras. então, quer dizer, se é pra ser 
> superficial, fiquemos embasbacados com a influência da pop-art na pintura 
> cubana.
>
> bom, vão aí mais alguns elementos.
>
> um abraço,
> ruy marques
>
>
> > André, o povo cubano sabe ler, mas só pode ler aquilo que o governo deixa
> > :-) :-) :-) :-). E a arte tem que estar vinculada aos ideais do regime.
> > abs.
> > Eduardo Martins
> >
> > ----- Original Message -----
> > From: "André Carvalho" <[EMAIL PROTECTED]>
> >
> >
> > em nenhum momento eu disse que Cuba é um paraíso. Eu disse que lá eles têm
> > saúde, educação, arte e cultura... Isso é um fato. Que não anula a falta de
> > liberdade que els têm lá...
> >
> > Quanto às deserções... Bom, não sei se vocês viram, mas atrás de um
> > desertor, há um aliciador. Foi o que aconteceu com os boxeadores cubanos...
> > Eles foram recebidos por um turco cheio de verdinhas lá na Alemanha... É
> > assim que funciona o capitalismo selvagem...
>
>
>
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