Sônia,

Não é o bloqueio econômico que empobrece Cuba. É a falta de um modelo
de desenvolvimento econômico. O governo cubano poderia optar pela
democracia ( o povo de lá não faz qualquer tipo de opção. Come aquilo
que o governo consegue colocar à disposição, lê um único jornal, vota
em um único partido, aliás, nem opção de orientação sexual pode ter).
O governo cubano pode ter conseguido formar um núcleo esportivo
formidável - já foi muito melhor-, um modelo de educação bacana - que
também já foi muito melhor- e um sistema de saúde satisfatório - já
foi também muito melhor. O governo cubano poderia colocar os destinos
da revolução nas mãos de seu próprio povo, mas o governo cubano
preferiu ser eternamente poder.

Eu prefiro não optar entre ser um despossuído do Morro do Alemão e
morar num cortiço em Havana. Talvez, se eu fosse homossexual, sim - eu
não sou - mas, para quem é, é melhor viver no Morro do Alemão do que
ser condenado por pederastia em Cuba e- sim- apanhar bastante da
polícia.

Pergunte ao morador mais miserável de Águas de São Pedro (SP) se ele
gostaria de ir para Havana? Tenho certeza que não. Lá, com democracia,
orçamento participativo e ações afirmativas de políticas públicas,
TODOS os índices do IDH (inclusive segurança, medicina e até educação)
são superiores aos de Cuba.

Não acho que seja necessário negociar minha liberdade em troca daquilo
que o estado deve, obrigatoriamente, oferecer ao cidadão.

Fidel Castro é a comprovação mais fiel de uma frase, de autor
desconhecido, que diz que as cinco coisas mais desejadas pelo ser
humano são, pela ordem, o poder, o poder, o poder, o dinheiro e o
sexo.

Abs,

Eugenio.

"Canto para anunciar o dia,
canto para amenizar a noite,
canto pra denunciar o açoite, canto também contra a tirania,
canto porque numa melodia,
acendo no coração do povo,
a esperança de um mundo novo
e a luta para se viver em paz"

(PC Pinheiro)





Em 31/07/07, Sonia Palhares Marinho<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Ainda há pouco na minha lista de discussão da UnB sobre ciência política
> (alunos e ex-alunos), enviei a seguinte mensagem:
>
>
> "Estive em Cuba no ano 2000 participando o II Encontro Mundial de Amizade e
> Solidariedade à Cuba com 118 países presentes e mais de 4.000 delegados, a
> ilha estava saindo do chamado "período especial", período em que foi
> obrigada a racionar todos os bens e serviços de forma muito dura. A situação
> não era das melhores, muita fila, produtos escassos, porém lá encontrei um
> povo muito consciente politicamente dos seus próprios problemas e dos seus
> direitos. Lá vi um nível de saúde e educação da mais alta qualidade, sem
> contar o interesse e o estímulo dos cubanos à participação política, às
> artes e ao esporte.
>
> Qualquer cubano medianamente inteligente sabe que o bloqueio econômico
> imposto pelos governos dos EUA ao longo dessas quase 5 décadas levou Cuba à
> situação que se encontra hoje, particularmente depois que deixou de receber
> ajuda da antiga URSS. Tem gente insatisfeita? Tem sim, mas é uma minoria, te
> garanto. Cuba é um estado policial? Não posso te afirmar, mas tenho
> conhecimento de que existe pelo menos 5 polícias diferentes, o que eu acho
> demais. Fidel é um ídolo, é querido, é respeitado? Te garanto que é. Cuba
> vai mudar depois que Fidel morrer? É possível, mas Raul Castro é tão
> ortodoxo quanto o irmão e é respeitado por isso. Cuba está empobrecida? Sim,
> muito, mas qualquer país que sofre as sanções econômicas que Cuba sofre
> também estaria e é neste momento que se revela a dignidade, a vitalidade e a
> fidelidade à uma causa por parte do povo cubano.
>
> Também não gosto da idéia de partido único - se é partido não pode ser um só
> -, tampouco do fato de não ter eleições diretas nos moldes que as
> conhecemos, mas é o povo cubano quem deve decidir qual modelo seguir, gosto
> menos ainda de jornal único - Gramna - oficial, sou pela pluralidade de
> opiniões, mas não pode ser esse oligopólio e essa zona que existe no Brasil,
> onde a VEJA e A GLOBO podem tudo. Os cubanos saberão encontrar seu melhor
> caminho, Não se deixem levar pelas 4 ou 5 deserções que ocorreram durante o
> PAN no Rio. Por trás de cada desertor há sempre um corruptor oferecendo rios
> de dinheiro. Para uma delegação de mais de 400 atletas chega a ser até um
> número ridículo dado o assédio que os atletas cubanos sofrem por parte dos
> empresários americanos. Espero que Cuba encontre seu melhor caminho e que o
> mundo condene e dê um fim ao criminoso bloqueio econômico que Cuba
> corajosamente enfrenta há décadas."
>
>
> Abraços. Sonia Palhares (BsB-DF)
>
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> Chegou o Windows Live Spaces com rede social. Confira
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