E tem outra, Sônia.
  é interessante a quem produz, que o "povo" fique de fora.
  Isso é o que mais me incomoda. 
   
  Vira um mecanismo de alienação cultural mesmo, pra ter o controle e o 
comando. Sabe porquê? Se o show é divulgado com dois meses de antecedência, ia 
ter muito fã do sambista, pobre, disposto a juntar o suado dinheirinho do seu 
salário, pra não perder esse show.
  Mas aí ia "enfeiar" a platéia e espantar patrocinadores.
  Então o que fazem: o show é divulgado em cima da hora, quase que na mesma 
semana. Aí, só vai quem tem a disposição o valor imediato (ou cartão de crédito 
pra parcelar a perder de vista), enfim!
  É como o Eugênio falou sobre os jogos de futebol na Europa, quem pode paga, 
quem não pode fica em casa assistindo o "show da publicidade", como diz o 
Faustão...
  Por conta disso, fico muito ressabiado em dizer que sou contra a pirataria.
  Será que se eu comprar o produto original, vou estar realmente lesando o meu 
artista, ou é a gravadora? Sim, porque os créditos do patrocínio de quem 
realmente banca o DVD, aparecem no pirata e no original. E a divulgação é 
monstruasamente maior, gerando o interesse imediato em todo esse público em 
pagar ingressos originais em shows (e nesse caso, só compra ingresso 
falsificado quem é otário, pois sabe que vai ficar de fora).
  A fonte de renda de artistas vem muito mais de shows do que da venda de 
discos, sempre foi assim. Mesmo em casos excepcionais, como uma Xuxa da vida 
que tem seus discos vendidos nas casas das dezenas de milhão, (e nesses casos, 
PRINCIPALMENTE, nesses casos) não passa nem um pingo de necessidade, pois 
aparece um patrocinador gordo, que não ignora o poder de penetração 
publicitária de um arti$ta desse quilate $$$, e fecha generosos contratos de 
publicidade. O Zeca não está aí com a Brahma?
  Então? É assim que a roda gira...
  Eu é que não vou discriminar o pedreiro que paga R$5,00 no acústico MTV do 
Zeca. O Pagodinho tá com a vida ganha, bebendo cerveja de graça.
   
  Esse modelo atual, está com os dias contados. A internet e os mp3 são um 
efeito irreversível. Eu diria até que mais evoluído. Alguns artistas já estão 
começando a se adaptar a essa realidade. Aqui em Salvador, o Olodum é um 
exemplo disso. Já foi divulgado que não vão mais lançar CDs. Daqui pra frente 
vão divulgar suas músicas no site do grupo e se preocupar com a venda de shows, 
quem quiser, que gaste sua tintazinha da impressora e um papelzinho de 
qualidade, pra ter um encarte bonitinho em casa. Vez em quando aparece uma 
palestra sobre as Creatives commons por aqui. Qualquer hora dessas eu vou, pra 
ficar mais antenado com o que vai acontecer nesse mercado.
  Isso muito me interessa.
   
  Abs
   
  Marcelo Neder
  
Sonia Palhares Marinho <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
  
Marcelo:


Chico Buarque esteve em Brasília há alguns anos com o show AS CIDADES. A 
produtora que contratou o show cobrou ingressos entre R$ 70,00 e R$ 160,00. Ao 
ser questionado sobre o alto valor dos ingressos, que impediria que parte 
considerável dos seus fãs pudessem assistí-lo, Chico Buarque declarou: "Por 
esse preço nem eu iria..." :-)

Resumo da ópera: O olho grande dos contratantes, vide os preços do show de 
Marisa Monte, impede que um maior números de pessoas possa ver seus artistas 
queridos. É certo que o contratante tem que ganhar seu dinheiro, afinal ele 
trabalha para isso, mas a ganância deve ser combatida, inclusive com boicote a 
esses shows e, se possível, piquete na porta. Fora isso, todos esses mega-shows 
tem patrocínios fortes, muitos bancados com dinheiro do estado, em suma, do 
cidadão.


Eu tenho assistido a todos esses shows porquê sou servidora pública e assinante 
do Correio Braziliense que sempre participa da promoção de muitos desses 
eventos, os descontos acabam sendo um bom negócio.


Sonia Palhares (BsB-DF)


> (...)
> Diante de um encontro inesperado daquele (e por acaso, eu estava com meu 
> inseparável cavaco na mão - ô sorte!). Me apresentei, e falei com ele. 
> Paulinho, todo educado, me convidou pra sentar e ficamos, eu e ele batendo 
> papo no saguão do hotel. O próprio Paulinho, citou achar caro o preço do 
> ingresso, e disse que se sentia muito incomodado em saber que de repente, 
> mil, duas mil pessoas, não teriam acesso ao show dele. Questionei a produtora 
> (não a produtora dele, mas a contratante que estava sentada tomando café com 
> ele), sobre o porque de não ter feito na Concha Acústica do TCA, em que a 
> lotação é maior (6000 pessoas, contra 1600 da Sala Principal do TCA. Isso 
> permitiria entradas mais baratas.
>(...)

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