Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma grande capacidade 
antropofágica sim. Principalmente em música. O caso do funk carioca é bem 
representativo desta afirmação deglutidora, ele, realmente, já é outra coisa 
diferente daquela coisa "Miami bass" que começou a ser massificada alí já na 
metade dos anos 1980.  Se vocês prestarem bem atenção veram que a batida do 
funk carioca hoje é jongo, áquele jongo de levada mais rápida, cujo nome não me 
lembro agora. O problema do funk são as letras e os temas recorrentes.

Henrique Silva
> Carol:

>
>
> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº 67: "(...) 
> Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho trágico o negro 
> brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar colono da música 
> negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a atacar: "(...) o 
> problema nesta história é precisar o negro brasileiro ser colono do negro 
> americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa muito limitada, 
> musicalmente paupérrima."
>
> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural deles e nós 
> consumimos aqui e ainda rimos.
>
>
> Sonia Palhares (BsB-DF)
>
>
> ----------------------------------------
> > Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300
> > From: [EMAIL PROTECTED]
> > To: [EMAIL PROTECTED]
> > Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > CC: [email protected]
> >
> > Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é a grande
> > graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o funk. Não falo
> > do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim... mas quando
> > vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham que acordar,
> > aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica? Funk como música
> > de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas que a gente
> > faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois que Portugal
> > desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado, mas então o
> > que dizer do choro, que veio de influências das músicas da nobreza dos
> > bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica que, aqui tudo
> > surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa capacidade de olhar
> > o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se diferenciou da
> > polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk americano. Afinal
> > de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte alguma do
> > mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja do que for, de
> > um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é cultural, ou
> > seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando os argentinos
> > tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao samba novos
> > significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de música de
> > colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de "genuinamente" é
> > papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram inventadas. Essas
> > escolhas que decidem o que é música de alienado ou não engendram consigo
> > disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas. Provavelmente
> > muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado. Desconsiderar o
> > poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas quantas vezes
> > se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos. Farinha pouca meu
> > pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros, porque uma
> > hora os outros somos nós!
> >
> > Gente não é briga tá. Só um ponto de vista.
> >
> > Ao debate!!!
> >
> > --
> > Carol.
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