Carol:

O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº 67: “(...) 
Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho trágico o negro 
brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar colono da música 
negra da periferia de Los Angeles.” E ele continua a atacar: “(...) o problema 
nesta história é precisar o negro brasileiro ser colono do negro americano para 
poder dar sua mensagem. E é uma coisa muito limitada, musicalmente paupérrima.”

É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural deles e nós 
consumimos  aqui e ainda rimos.


Sonia Palhares (BsB-DF)


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> Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300
> From: [EMAIL PROTECTED]
> To: [EMAIL PROTECTED]
> Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> CC: [email protected]
> 
> Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é a grande
> graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o funk. Não falo
> do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim... mas quando
> vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham que acordar,
> aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica? Funk como música
> de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas que a gente
> faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois que Portugal
> desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado, mas então o
> que dizer do choro, que veio de influências das músicas da nobreza dos
> bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica que, aqui tudo
> surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa capacidade de olhar
> o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se diferenciou da
> polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk americano. Afinal
> de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte alguma do
> mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja do que for, de
> um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é cultural, ou
> seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando os argentinos
> tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao samba novos
> significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de música de
> colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de "genuinamente" é
> papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram inventadas. Essas
> escolhas que decidem o que é música de alienado ou não engendram consigo
> disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas. Provavelmente
> muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado. Desconsiderar o
> poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas quantas vezes
> se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos. Farinha pouca meu
> pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros, porque uma
> hora os outros somos nós!
> 
> Gente não é briga tá. Só um ponto de vista.
> 
> Ao debate!!!
> 
> -- 
> Carol.
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