Sem contar a "moça do créu", a "anã do funk", o (a) "Lacraia", o "Bola de 
Fogo", a "Atoladinha" e outros quejandos. :-) Um festival de bizarrices!!!


Sonia Palhares (BsB-DF)


> Date: Wed, 5 Mar 2008 01:42:14 -0300
> Subject: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> From: [EMAIL PROTECTED]
> To: [EMAIL PROTECTED]
> CC: [EMAIL PROTECTED]; [email protected]
>
> Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma grande capacidade 
> antropofágica sim. Principalmente em música. O caso do funk carioca é bem 
> representativo desta afirmação deglutidora, ele, realmente, já é outra coisa 
> diferente daquela coisa "Miami bass" que começou a ser massificada alí já na 
> metade dos anos 1980. Se vocês prestarem bem atenção veram que a batida do 
> funk carioca hoje é jongo, áquele jongo de levada mais rápida, cujo nome não 
> me lembro agora. O problema do funk são as letras e os temas recorrentes.
>
> Henrique Silva
>> Carol:
>
>>
>>
>> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº 67: "(...) 
>> Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho trágico o negro 
>> brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar colono da música 
>> negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a atacar: "(...) o 
>> problema nesta história é precisar o negro brasileiro ser colono do negro 
>> americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa muito limitada, 
>> musicalmente paupérrima."
>>
>> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural deles e nós 
>> consumimos aqui e ainda rimos.
>>
>>
>> Sonia Palhares (BsB-DF)
>>
>>
>> ----------------------------------------
>>> Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300
>>> From: [EMAIL PROTECTED]
>>> To: [EMAIL PROTECTED]
>>> Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
>>> CC: [email protected]
>>>
>>> Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é a grande
>>> graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o funk. Não falo
>>> do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim... mas quando
>>> vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham que acordar,
>>> aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica? Funk como música
>>> de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas que a gente
>>> faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois que Portugal
>>> desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado, mas então o
>>> que dizer do choro, que veio de influências das músicas da nobreza dos
>>> bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica que, aqui tudo
>>> surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa capacidade de olhar
>>> o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se diferenciou da
>>> polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk americano. Afinal
>>> de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte alguma do
>>> mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja do que for, de
>>> um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é cultural, ou
>>> seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando os argentinos
>>> tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao samba novos
>>> significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de música de
>>> colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de "genuinamente" é
>>> papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram inventadas. Essas
>>> escolhas que decidem o que é música de alienado ou não engendram consigo
>>> disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas. Provavelmente
>>> muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado. Desconsiderar o
>>> poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas quantas vezes
>>> se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos. Farinha pouca meu
>>> pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros, porque uma
>>> hora os outros somos nós!
>>>
>>> Gente não é briga tá. Só um ponto de vista.
>>>
>>> Ao debate!!!
>>>
>>> --
>>> Carol.
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