Respondendo ao Lagosta sobre a incorporação da levada de jongo - aquele jongo 
mais rápido - pelos Mcs e Djs do funk carioca, tentarei mostrar, na base da 
onomatopéia, como é essa batida.
A batida é o seguinte:

Tum - tata - tumtum - ta - tumtum - tata - tumtum - ta - tumtum - tata - tumtum 
- ta - tumtum

Exemplo prático: tente cantar àquele velho funk "Eu só quero é ser feliz, andar 
tranquilamente na fazela onde eu nasci..." utilizando esta batida e você verá. 
Poderá iniciar percutindo o "tum" com o dedo indicador e o "tata" com o dedo 
médio. E siga em frente.

Quando esse som começou a fazer sucesso entre os jovens dos suburbios e das 
comunidades, por volta de l985, o ritmo era outro, bem mais quadrado e menos 
contagiante. A batida de então era assim:

Tum - ta - tumtum - ta - tumtum - ta - tumtum - ta - tumtum... e a coisa segue.

E como todos sabem, apelidaram de funk quando na verdade funk é outra coisa. 
Funk é o cantam James Brown, Sly and Family Stone e a extraordinária banda 
Earth, Wind & Fire.

Outra coisa: nem todo funk carioca tem essa batida jongada. A Taty 
Quebra-barraco, por exemplo, eu nunca ouvi praticando essa levada...

... E eu também não sou especialista em funk. Essa pseudo explicação não é 
assim um estudo aprofundado do assunto. É apenas o fruto das audições que, 
queira ou não queira, a gente é submetido nas ruas e casa do Rio de Janeiro. E 
tendo o ouvido treinado de músico, escutei e registrei.

Abraços,

Henrique Silva







> Carol,
>
> O som do funk carioca não me agrada. É uma questão de formação musical
> e de não conseguir instrumentalizar a música apenas como diversão ou
> algo feito exclusivamente para fazer rir e chacoalhar o corpo. Nesse
> sentido, o funk carioca me parece mais entretenimento do que arte, mas
> isso já é uma outra discussão.
>
> Na prática, o que não dá para tolerar é esse discurso de que o povo é,
> em geral, a velha massa ignara que é sempre manipulada e explorada
> pelas grandes gravadoras e pela mídia em geral.
>
> O povo só consome o que essa gente quer? Será? Discordo totalmente. O
> povo - e a reeleição de Lula a despeito das elites alckmistas comprova
> isso - está no comando do show há muito tempo. Esse papo de que a
> Globo impõe isso e as rádios e seus jabás impõe aquilo pode até
> existir, mas numa escala muito pequena, insignificante mesmo.
>
> Vejamos um exemplo: quem é mais afeita à idéia de "artista produzida"
> pela mídia? Taty Quebra- Barraco e seus pneuzinhos(que faz uma música
> que eu não gosto; o que não quer dizer que seja uma música ruim. O meu
> gosto não determina padrões estéticos) ou a Ex-Fama Roberta Sá (cuja
> música me agrada muito; o que não quer dizer que seja música boa)?
> Qual destas artistas faz mais o estilo "artista produzida"? Qual faz
> mais sucesso? Qual delas tem mais inserção popular?
>
> Abs,
>
> Eugenio
>
>
>
>
> Em 08/03/08, Jefferson Rodrigues escreveu:
> > Já faz um tempo que a turma vem dizendo isso e sempre vejo bem depois. 
> > Agora acho que ainda dá tempo. Ainda está dentro da discussão:
> >
> >
> > "Mas que os MCs modificaram a batida do funk e puseram jongo, isso sim 
> > rolou."
> >
> >
> > "Batida" do Jongo???? Qual jongo?
> > Quem falou isso?
> > Gostaria de saber mais.
> >
> > Abraço!
> >
> > Lagosta.
> >
> > henriqsilva escreveu: Caio, meu irmão (permita-me chamál-lo assim) 
> > primeiramente vamos aos pontos em que eu concordo plenamente com você:
> >
> > 1) O funk carioca é muito ruim.
> > Sim, de música; de letra e de temática. Pelo menos o que se ouve 
> > maciçamente por aí.
> > 2) Existem coisas muito melhores nesse Brasilzão.
> > Sem a mínima sombra de dúvida. Se ao tempo de Mario de Andrade ele, 
> > enquanto pesquisador de música popular, já hávia catalogado mais de 300 
> > rítmos diferentes só nesse universo regional, imagine isso hoje (ainda que 
> > não tenha passado assim tanto tempo. Isso foi alí anos 1920/30).
> > 3) Infelizmente a mídia não dá a menor bola. Isso é líquido e certo. O 
> > primeiro, o segundo e o terceiro propósito da mídia de massa é anunciar e 
> > vender produtos e ideologias. Elevar o nível estético e cultural do 
> > ouvinte, isso jamais se cogita. Ha não ser que haja uma razão lucrativa 
> > para tal.
> > Mas que os MCs modificaram a batida do funk e puseram jongo, isso sim 
> > rolou. E que se diferenciaram do funk da matriz norteamericana, isso também 
> > rolou. Tanto é que agora estão aí ganhando o mundo com o som deles. Pagar 
> > pra ver, conforme você disse, eu também não pago não. Meu universo musical 
> > é outro.
> >
> > Henrique Silva
> >
> >
> > Que um gênero surja de outros não resta dúvida, e que alguns gêneros se 
> > aperfeiçoaram com o tempo, também, o que está em questão aí é o resultado 
> > de um cópia feita a partir algo ruim, e que resultou em algo ainda pior, 
> > essa é minha análise. Pode ser que essa coisa de Funk Carioca resulte em 
> > algo aproveitável no futuro, pode ser, mas eu não vou pagar pra ver...... 
> > existem coisas muito melhores nesse brasilzão, que a maioria dos 
> > brasileiros nem conhecem e que infelizmente a mídia não dá a menor bola pra 
> > isso, pois CULTURA POPULAR é coisa chata pra quem só entende de intrigas de 
> > BBBs da vidasinha cotidiana, ou seja povão anesteziado.....
> > >
> > > Caio Pontual
> > ----- Original Message -----
> > From: henriqsilva
> > To: caioapf
> > Cc: tribuna
> > Sent: Thursday, March 06, 2008 6:50 PM
> > Subject: Re:[S-C] FUNK ????? /Era: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > >
> >
> > > A flor de lótus, linda!, nasce no lôdo. O antídoto que cura picada 
> > > venenosa é tirado do próprio veneno. Zilhões de obras de artes são feitas 
> > > de lixo reciclado. E porque não poderá, um dia, nascer do funk carioca, 
> > > que hoje até já tem batida de jongo, alguma coisa interessante?!... Torno 
> > > á dizer o choro, o samba ( que nós gostamos e praticamos) e qualquer 
> > > outro gênero, não nasceram prontos, todos passaram por um longo processo 
> > > de lapidação. Daí que qualquer artista genial, que sempre existe e sempre 
> > > existirá, mesmo no meio dos engolidores de lixo, engolirá o tal lixo e 
> > > vomitará pérolas. Quanto a isso, meu caro Caio, não tenha 
> > > dúvida,acontecera. A história da humanidade, como um todo, está povoada 
> > > desses exemplos. E a história do Brasil, particularmente falando, também. 
> > > E só se ter olhos e ouvidos de ver e ouvir a vida historicamente.
> > >
> > > Henrique Silva
> > > > ----- Original Message -----
> > > > From: "Caio Pontual"
> > > > To: "henriqsilva"
> > > > Sent: Thursday, March 06, 2008 3:23 PM
> > > > Subject: Re: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > >
> > > >
> > > > > Se o Funk Carioca é algo antropofágico, eu pergunto, quem engole e 
> > > > > digere
> > > > > lixo, vai produzir o que ?
> > > > > Caio Pontual.
> > > > >
> > > > > ----- Original Message -----
> > > > > From: "henriqsilva"
> > > > > To: "soniapalhares"
> > > > > Cc: "carolina.ga" ; "tribuna"
> > > > >
> > > > > Sent: Wednesday, March 05, 2008 1:42 AM
> > > > > Subject: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > > >
> > > > >
> > > > > Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma grande
> > > > > capacidade antropofágica sim. Principalmente em música. O caso do funk
> > > > > carioca é bem representativo desta afirmação deglutidora, ele, 
> > > > > realmente,
> > > > > já é outra coisa diferente daquela coisa "Miami bass" que começou a 
> > > > > ser
> > > > > massificada alí já na metade dos anos 1980. Se vocês prestarem bem
> > > > > atenção veram que a batida do funk carioca hoje é jongo, áquele jongo 
> > > > > de
> > > > > levada mais rápida, cujo nome não me lembro agora. O problema do funk 
> > > > > são
> > > > > as letras e os temas recorrentes.
> > > > >
> > > > > Henrique Silva
> > > > >> Carol:
> > > > >
> > > > >>
> > > > >>
> > > > >> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº 67:
> > > > >> "(...) Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho 
> > > > >> trágico
> > > > >> o negro brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar 
> > > > >> colono
> > > > >> da música negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a 
> > > > >> atacar:
> > > > >> "(...) o problema nesta história é precisar o negro brasileiro ser 
> > > > >> colono
> > > > >> do negro americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa muito
> > > > >> limitada, musicalmente paupérrima."
> > > > >>
> > > > >> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural deles 
> > > > >> e
> > > > >> nós consumimos aqui e ainda rimos.
> > > > >>
> > > > >>
> > > > >> Sonia Palhares (BsB-DF)
> > > > >>
> > > > >>
> > > > >> ----------------------------------------
> > > > >> > Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300
> > > > >> > From: [EMAIL PROTECTED]
> > > > >> > To: [EMAIL PROTECTED]
> > > > >> > Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > > >> > CC: [email protected]
> > > > >> >
> > > > >> > Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é a 
> > > > >> > grande
> > > > >> > graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o funk. 
> > > > >> > Não
> > > > >> > falo
> > > > >> > do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim... mas
> > > > >> > quando
> > > > >> > vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham que
> > > > >> > acordar,
> > > > >> > aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica? Funk 
> > > > >> > como
> > > > >> > música
> > > > >> > de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas que a
> > > > >> > gente
> > > > >> > faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois que
> > > > >> > Portugal
> > > > >> > desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado, mas
> > > > >> > então o
> > > > >> > que dizer do choro, que veio de influências das músicas da nobreza 
> > > > >> > dos
> > > > >> > bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica que, 
> > > > >> > aqui
> > > > >> > tudo
> > > > >> > surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa 
> > > > >> > capacidade de
> > > > >> > olhar
> > > > >> > o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se 
> > > > >> > diferenciou da
> > > > >> > polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk 
> > > > >> > americano.
> > > > >> > Afinal
> > > > >> > de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte 
> > > > >> > alguma do
> > > > >> > mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja do 
> > > > >> > que
> > > > >> > for, de
> > > > >> > um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é 
> > > > >> > cultural,
> > > > >> > ou
> > > > >> > seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando os
> > > > >> > argentinos
> > > > >> > tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao 
> > > > >> > samba
> > > > >> > novos
> > > > >> > significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de 
> > > > >> > música de
> > > > >> > colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de
> > > > >> > "genuinamente" é
> > > > >> > papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram inventadas. 
> > > > >> > Essas
> > > > >> > escolhas que decidem o que é música de alienado ou não engendram
> > > > >> > consigo
> > > > >> > disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas.
> > > > >> > Provavelmente
> > > > >> > muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado.
> > > > >> > Desconsiderar o
> > > > >> > poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas 
> > > > >> > quantas
> > > > >> > vezes
> > > > >> > se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos. Farinha 
> > > > >> > pouca
> > > > >> > meu
> > > > >> > pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros, 
> > > > >> > porque
> > > > >> > uma
> > > > >> > hora os outros somos nós!
> > > > >> >
> > > > >> > Gente não é briga tá. Só um ponto de vista.
> > > > >> >
> > > > >> > Ao debate!!!
> > > > >> >
> > > > >> > --
> > > > >> > Carol.
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