Se alguém já perguntou eu não sei, mas não dá pra dizer que os funkeiros não
conheçam o jongo. Não podemos que esquecer que o morro que eles vivem na
Serrinha (um exmplo) tem de tudo, tem jongo, samba e também funk. A origem
é a mesma!!!


Carol


Em 10/03/08, Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Alguem já perguntou a um desse MCs da vida, se ele conhece ou se sabe, o
> que
> é mesmo o Jongo??????
>
> Caio Pontual
>
> ----- Original Message -----
> From: "henriqsilva" <[EMAIL PROTECTED]>
> To: "eugenioarantes" <[EMAIL PROTECTED]>
> Cc: "jeffersonsan" <[EMAIL PROTECTED]>; "tribuna"
> <[email protected]>
> Sent: Saturday, March 08, 2008 10:38 AM
> Subject: Re: Re:[S-C] FUNK ?????
>
>
> Respondendo ao Lagosta sobre a incorporação da levada de jongo - aquele
> jongo mais rápido - pelos Mcs e Djs do funk carioca, tentarei mostrar, na
> base da onomatopéia, como é essa batida.
> A batida é o seguinte:
>
> Tum - tata - tumtum - ta - tumtum - tata - tumtum - ta - tumtum - tata -
> tumtum - ta - tumtum
>
> Exemplo prático: tente cantar àquele velho funk "Eu só quero é ser feliz,
> andar tranquilamente na fazela onde eu nasci..." utilizando esta batida e
> você verá. Poderá iniciar percutindo o "tum" com o dedo indicador e o
> "tata"
> com o dedo médio. E siga em frente.
>
> Quando esse som começou a fazer sucesso entre os jovens dos suburbios e
> das
> comunidades, por volta de l985, o ritmo era outro, bem mais quadrado e
> menos
> contagiante. A batida de então era assim:
>
> Tum - ta - tumtum - ta - tumtum - ta - tumtum - ta - tumtum... e a coisa
> segue.
>
> E como todos sabem, apelidaram de funk quando na verdade funk é outra
> coisa.
> Funk é o cantam James Brown, Sly and Family Stone e a extraordinária banda
> Earth, Wind & Fire.
>
> Outra coisa: nem todo funk carioca tem essa batida jongada. A Taty
> Quebra-barraco, por exemplo, eu nunca ouvi praticando essa levada...
>
> ... E eu também não sou especialista em funk. Essa pseudo explicação não é
> assim um estudo aprofundado do assunto. É apenas o fruto das audições que,
> queira ou não queira, a gente é submetido nas ruas e casa do Rio de
> Janeiro.
> E tendo o ouvido treinado de músico, escutei e registrei.
>
> Abraços,
>
> Henrique Silva
>
>
>
>
>
>
>
> > Carol,
> >
> > O som do funk carioca não me agrada. É uma questão de formação musical
> > e de não conseguir instrumentalizar a música apenas como diversão ou
> > algo feito exclusivamente para fazer rir e chacoalhar o corpo. Nesse
> > sentido, o funk carioca me parece mais entretenimento do que arte, mas
> > isso já é uma outra discussão.
> >
> > Na prática, o que não dá para tolerar é esse discurso de que o povo é,
> > em geral, a velha massa ignara que é sempre manipulada e explorada
> > pelas grandes gravadoras e pela mídia em geral.
> >
> > O povo só consome o que essa gente quer? Será? Discordo totalmente. O
> > povo - e a reeleição de Lula a despeito das elites alckmistas comprova
> > isso - está no comando do show há muito tempo. Esse papo de que a
> > Globo impõe isso e as rádios e seus jabás impõe aquilo pode até
> > existir, mas numa escala muito pequena, insignificante mesmo.
> >
> > Vejamos um exemplo: quem é mais afeita à idéia de "artista produzida"
> > pela mídia? Taty Quebra- Barraco e seus pneuzinhos(que faz uma música
> > que eu não gosto; o que não quer dizer que seja uma música ruim. O meu
> > gosto não determina padrões estéticos) ou a Ex-Fama Roberta Sá (cuja
> > música me agrada muito; o que não quer dizer que seja música boa)?
> > Qual destas artistas faz mais o estilo "artista produzida"? Qual faz
> > mais sucesso? Qual delas tem mais inserção popular?
> >
> > Abs,
> >
> > Eugenio
> >
> >
> >
> >
> > Em 08/03/08, Jefferson Rodrigues escreveu:
> > > Já faz um tempo que a turma vem dizendo isso e sempre vejo bem depois.
> > > Agora acho que ainda dá tempo. Ainda está dentro da discussão:
> > >
> > >
> > > "Mas que os MCs modificaram a batida do funk e puseram jongo, isso sim
> > > rolou."
> > >
> > >
> > > "Batida" do Jongo???? Qual jongo?
> > > Quem falou isso?
> > > Gostaria de saber mais.
> > >
> > > Abraço!
> > >
> > > Lagosta.
> > >
> > > henriqsilva escreveu: Caio, meu irmão (permita-me chamál-lo assim)
> > > primeiramente vamos aos pontos em que eu concordo plenamente com você:
> > >
> > > 1) O funk carioca é muito ruim.
> > > Sim, de música; de letra e de temática. Pelo menos o que se ouve
> > > maciçamente por aí.
> > > 2) Existem coisas muito melhores nesse Brasilzão.
> > > Sem a mínima sombra de dúvida. Se ao tempo de Mario de Andrade ele,
> > > enquanto pesquisador de música popular, já hávia catalogado mais de
> 300
> > > rítmos diferentes só nesse universo regional, imagine isso hoje (ainda
> > > que não tenha passado assim tanto tempo. Isso foi alí anos 1920/30).
> > > 3) Infelizmente a mídia não dá a menor bola. Isso é líquido e certo. O
> > > primeiro, o segundo e o terceiro propósito da mídia de massa é
> anunciar
> > > e vender produtos e ideologias. Elevar o nível estético e cultural do
> > > ouvinte, isso jamais se cogita. Ha não ser que haja uma razão
> lucrativa
> > > para tal.
> > > Mas que os MCs modificaram a batida do funk e puseram jongo, isso sim
> > > rolou. E que se diferenciaram do funk da matriz norteamericana, isso
> > > também rolou. Tanto é que agora estão aí ganhando o mundo com o som
> > > deles. Pagar pra ver, conforme você disse, eu também não pago não. Meu
> > > universo musical é outro.
> > >
> > > Henrique Silva
> > >
> > >
> > > Que um gênero surja de outros não resta dúvida, e que alguns gêneros
> se
> > > aperfeiçoaram com o tempo, também, o que está em questão aí é o
> > > resultado de um cópia feita a partir algo ruim, e que resultou em algo
> > > ainda pior, essa é minha análise. Pode ser que essa coisa de Funk
> > > Carioca resulte em algo aproveitável no futuro, pode ser, mas eu não
> vou
> > > pagar pra ver...... existem coisas muito melhores nesse brasilzão, que
> a
> > > maioria dos brasileiros nem conhecem e que infelizmente a mídia não dá
> a
> > > menor bola pra isso, pois CULTURA POPULAR é coisa chata pra quem só
> > > entende de intrigas de BBBs da vidasinha cotidiana, ou seja povão
> > > anesteziado.....
> > > >
> > > > Caio Pontual
> > > ----- Original Message -----
> > > From: henriqsilva
> > > To: caioapf
> > > Cc: tribuna
> > > Sent: Thursday, March 06, 2008 6:50 PM
> > > Subject: Re:[S-C] FUNK ????? /Era: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > >
> > >
> > > > A flor de lótus, linda!, nasce no lôdo. O antídoto que cura picada
> > > > venenosa é tirado do próprio veneno. Zilhões de obras de artes são
> > > > feitas de lixo reciclado. E porque não poderá, um dia, nascer do
> funk
> > > > carioca, que hoje até já tem batida de jongo, alguma coisa
> > > > interessante?!... Torno á dizer o choro, o samba ( que nós gostamos
> e
> > > > praticamos) e qualquer outro gênero, não nasceram prontos, todos
> > > > passaram por um longo processo de lapidação. Daí que qualquer
> artista
> > > > genial, que sempre existe e sempre existirá, mesmo no meio dos
> > > > engolidores de lixo, engolirá o tal lixo e vomitará pérolas. Quanto
> a
> > > > isso, meu caro Caio, não tenha dúvida,acontecera. A história da
> > > > humanidade, como um todo, está povoada desses exemplos. E a história
> > > > do Brasil, particularmente falando, também. E só se ter olhos e
> > > > ouvidos de ver e ouvir a vida historicamente.
> > > >
> > > > Henrique Silva
> > > > > ----- Original Message -----
> > > > > From: "Caio Pontual"
> > > > > To: "henriqsilva"
> > > > > Sent: Thursday, March 06, 2008 3:23 PM
> > > > > Subject: Re: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > > >
> > > > >
> > > > > > Se o Funk Carioca é algo antropofágico, eu pergunto, quem engole
> e
> > > > > > digere
> > > > > > lixo, vai produzir o que ?
> > > > > > Caio Pontual.
> > > > > >
> > > > > > ----- Original Message -----
> > > > > > From: "henriqsilva"
> > > > > > To: "soniapalhares"
> > > > > > Cc: "carolina.ga" ; "tribuna"
> > > > > >
> > > > > > Sent: Wednesday, March 05, 2008 1:42 AM
> > > > > > Subject: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > > > >
> > > > > >
> > > > > > Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma
> grande
> > > > > > capacidade antropofágica sim. Principalmente em música. O caso
> do
> > > > > > funk
> > > > > > carioca é bem representativo desta afirmação deglutidora, ele,
> > > > > > realmente,
> > > > > > já é outra coisa diferente daquela coisa "Miami bass" que
> começou
> > > > > > a ser
> > > > > > massificada alí já na metade dos anos 1980. Se vocês prestarem
> bem
> > > > > > atenção veram que a batida do funk carioca hoje é jongo, áquele
> > > > > > jongo de
> > > > > > levada mais rápida, cujo nome não me lembro agora. O problema do
> > > > > > funk são
> > > > > > as letras e os temas recorrentes.
> > > > > >
> > > > > > Henrique Silva
> > > > > >> Carol:
> > > > > >
> > > > > >>
> > > > > >>
> > > > > >> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos,
> nº
> > > > > >> 67:
> > > > > >> "(...) Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural
> acho
> > > > > >> trágico
> > > > > >> o negro brasileiro abandonar suas raízes africanas para se
> tornar
> > > > > >> colono
> > > > > >> da música negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a
> > > > > >> atacar:
> > > > > >> "(...) o problema nesta história é precisar o negro brasileiro
> > > > > >> ser colono
> > > > > >> do negro americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa
> > > > > >> muito
> > > > > >> limitada, musicalmente paupérrima."
> > > > > >>
> > > > > >> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural
> > > > > >> deles e
> > > > > >> nós consumimos aqui e ainda rimos.
> > > > > >>
> > > > > >>
> > > > > >> Sonia Palhares (BsB-DF)
> > > > > >>
> > > > > >>
> > > > > >> ----------------------------------------
> > > > > >> > Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300
> > > > > >> > From: [EMAIL PROTECTED]
> > > > > >> > To: [EMAIL PROTECTED]
> > > > > >> > Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina)
> > > > > >> > CC: [email protected]
> > > > > >> >
> > > > > >> > Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa
> é
> > > > > >> > a grande
> > > > > >> > graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o
> > > > > >> > funk. Não
> > > > > >> > falo
> > > > > >> > do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o
> fim...
> > > > > >> > mas
> > > > > >> > quando
> > > > > >> > vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham
> > > > > >> > que
> > > > > >> > acordar,
> > > > > >> > aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica?
> > > > > >> > Funk como
> > > > > >> > música
> > > > > >> > de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas
> > > > > >> > que a
> > > > > >> > gente
> > > > > >> > faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez
> depois
> > > > > >> > que
> > > > > >> > Portugal
> > > > > >> > desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de
> colonizado,
> > > > > >> > mas
> > > > > >> > então o
> > > > > >> > que dizer do choro, que veio de influências das músicas da
> > > > > >> > nobreza dos
> > > > > >> > bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica
> > > > > >> > que, aqui
> > > > > >> > tudo
> > > > > >> > surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa
> > > > > >> > capacidade de
> > > > > >> > olhar
> > > > > >> > o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se
> > > > > >> > diferenciou da
> > > > > >> > polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk
> > > > > >> > americano.
> > > > > >> > Afinal
> > > > > >> > de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte
> > > > > >> > alguma do
> > > > > >> > mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja
> > > > > >> > do que
> > > > > >> > for, de
> > > > > >> > um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é
> > > > > >> > cultural,
> > > > > >> > ou
> > > > > >> > seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo.
> Quando
> > > > > >> > os
> > > > > >> > argentinos
> > > > > >> > tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando
> ao
> > > > > >> > samba
> > > > > >> > novos
> > > > > >> > significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de
> > > > > >> > música de
> > > > > >> > colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de
> > > > > >> > "genuinamente" é
> > > > > >> > papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram
> > > > > >> > inventadas. Essas
> > > > > >> > escolhas que decidem o que é música de alienado ou não
> > > > > >> > engendram
> > > > > >> > consigo
> > > > > >> > disputas de poder complexas que não podem ser
> desconsideradas.
> > > > > >> > Provavelmente
> > > > > >> > muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado.
> > > > > >> > Desconsiderar o
> > > > > >> > poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas
> > > > > >> > quantas
> > > > > >> > vezes
> > > > > >> > se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos.
> > > > > >> > Farinha pouca
> > > > > >> > meu
> > > > > >> > pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos
> outros,
> > > > > >> > porque
> > > > > >> > uma
> > > > > >> > hora os outros somos nós!
> > > > > >> >
> > > > > >> > Gente não é briga tá. Só um ponto de vista.
> > > > > >> >
> > > > > >> > Ao debate!!!
> > > > > >> >
> > > > > >> > --
> > > > > >> > Carol.
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