concordo com esta preocupaçao pela qualidade (mas cá entre nós, este
conceito é relativo tb, vai muito do gosto pessoal tb),. Acredito que todos
aqui que sao a favor da mistura também valorizam e tem conhecimento profundo
e respeito pela obra original, tal qual os que se julgam puristas. É preciso
tomar cuidado ao usar o nome do Paulinho da Viola, Nei Lopes e cia...eles já
disseram em entrevistas que são a favor da mistura, da diversidade, etc..
(eu tenho este material caso alguém tenha dúvidas). Tudo é valido. O que é
ruim, é efemero. O que é bom, é atemporal.

Bom, para quem é favor da mistura e pela preservação das raízes,
Caros André e Paulo
Vai um escambo aí?

abs


ESCAMBE-SE

(Vini Correia - 2007)



quem vai querer, quem vai trocar / quem vai ceder, quem vai doar

é perdendo e aprendendo a jogar / que se ganha a brincadeira



quem vai vender, quem vai comprar / quem vai colher, quem vai plantar

reciclando para recriar / cada qual da sua maneira



aqui se faz, aqui se entrega / é um que traz, é um que leva

aqui se cria, remenda e bola / quando um copia o outro cola



roda de escambo, molambo da moda / mercadoria cheia de prosa

aproveite a promoção / que está tudo em liquidação



segura aí que eu vou mandar

olha o escambo, olha escambo, olha o escambô

que vai daqui que vem de lá

olha o escambo, olha escambo, olha o escambô...



sincretismo com todo respeito / inspirando e saindo do peito

a vanguarda e a tradição / vão fazendo esta união

com fé, amor, filosofia / ciencia, antropofagia

salve a miscigenação / na batida da evolução



quem chega aqui  / não quer mais ir embora

não quer ficar de fora dessa transação

quem chega aqui  / não quer mais ir embora

não quer ficar de fora dessa não



vai multiplicar por cem

vai misturando bem

para ver no que vai dar

neste vai e vem toma lá dá cá



vai somar ao que está sem

vai mudar o que já tem

para ver no que vai dar

neste vai e vem toma lá dá cá


2008/5/21 vini correia <[EMAIL PROTECTED]>:

>  Caro André,
> na boa, os Novos Baianos já fizeram de forma muito competente esta mistura
> de guitarra eletrica e bateria com samba em musicas que inclusive até já
> viraram classicos em nossa cultura,  tais como (besta é tu, com qualquer
> dois mil reis, tinindo trincando, menina dança, emuitas outras...)  ... além
> de terem feito incriveis releituras de (Na cadencia do Samba, Brasil
> Pandeiro, Brasileirinho, Chiclete com Banana), isso sem contar as primeiras
> experimentacoes do tropicalismo de gil, caetano & cia ou  mais recentemente
> Mundo Livre S/A, ou o proprio saudoso chico science arriscou neste campo com
> a musica Samba Makossa, por exemplo. O mais legal é que mesmo com todas
> estas misturas, a tradicional roda de samba continua firme e forte...é
> preciso entender que uma coisa não acaba com a outra, simplesmente elas se
> somam
>
> viva o antropofagismo
> salve
>
>
> *Chiclete com banana
> *Gordurinha e Almira Castilho
>
> Eu só boto be-bop no meu samba
> Quando o Tio Sam tocar um tamborim
> Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
> Quando ele aprender que o samba não é rumba
>
> Aí eu vou misturar Miami com Copacabana
> Chiclete eu misturo com banana
> E o meu samba vai ficar assim
>
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Eu quero ver a confusão
>
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> É o samba rock, meu irmão
>
> É, mas em compensação
> Eu quero ver o boogie-woogie de pandeiro e violão
> Quero ver o Tio Sam de frigideira
> Numa batucada brasileira
> Quero ver o Tio Sam de frigideira
> Numa batucada brasileira
>
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Eu quero ver a confusão
>
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Tirurururiu bop-be-bop-be-bop
> Espia o samba rock, meu irmão
>
>
>
>
> 2008/5/21 André Carvalho <[EMAIL PROTECTED]>:
>
>  Pois é, Eugênio... A história da música brasileira tem suas evoluções.
>> Ainda bem que algumas "experimentações" ficam no campo dos testes. Já pensou
>> uma roda de samba com guitarra elétrica e bateria? Não ia ficar bom, né?
>> ainda bem que essas invenções não dão em nada.
>>
>> abração
>>
>> André
>>
>>
>> Em 21/05/08, Eugenio Raggi <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>>
>>> O pior de tudo...
>>>
>>> É que tem gente que ainda acha que as rodas de samba surgiram como que
>>> do nada; como se não fossem uma alternativa nova para a releitura de
>>> alguns maxixes, sembas e lundus, ou mesmo juntar tudo isso num "algo
>>> só" (depois reescrito historicamente como gênero -samba!) e fazer algo
>>> que se colocava como demanda cultural.
>>>
>>> Ecos de que "essa gente" "agredia" a essência do Lundu, do xaxado, do
>>> semba, do xote, da modinha devem ter sido ouvidas aos montes....
>>>
>>> Essa turma de "poluidores culturais", que inventou a simplicidade do
>>> cavaquinho e ousou juntar percussões e harmonias elaboradas num mesmo
>>> tipo de "movimento musical" deve mesmo ter sido taxada de....sei lá o
>>> que....
>>>
>>> Alguma dessas Madames Mag da vida deve ter dito que Mestre Patápio ou
>>> mesmo o Callado deveriam, estar "se remexendo no caixão".
>>>
>>> A história realmente sempre se repete....sempre como tragédia...
>>>
>>>
>>> Abs,
>>>
>>> Eugenio
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> Em 21/05/08, Leonardo Oliveira Freitas<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>>> >
>>> >  Salve Salve
>>> >
>>> > Pessoal, tenho a releitura como algo extremamente produtivo.
>>> Principalmente
>>> > quando se tem domínio e conhecimento daquilo que se faz. Estudar a
>>> fundo a
>>> > obra de Noel e depois a fundo o Maracatu, e fazer arranjos misturando
>>> essas
>>> > duas vertentes, por exemplo; seria algo extremamente rico, e sem duvida
>>> > alguma, produtivo para a música brasileira. Tenho certeza que isso não
>>> > atrapalha e nem distorce a obra original de Noel, que continuará sempre
>>> ai,
>>> > apreciada por todos, inclusive pelos defensores das misturas e
>>> rearranjos.
>>> > Acredito que ouvir uma ou outra versão vai do gosto de cada um, mas
>>> > trabalhar para um aprofundamento da música brasileira é trabalho de
>>> todos os
>>> > músicos, compromisso com nossa música sincera e com sua qualidade.
>>> Essas
>>> > misturas atualmente vem acontecendo muito no Brasil, e músicos quase
>>> > "inquestionaveis" defendem essa prática, como Caetano e Gilberto Gil,
>>> > inclusive através da música eletrônica e da música internacional, como
>>> o
>>> > jazz por exemplo. Acredito que este recurso vem sendo, obviamente,
>>> visto
>>> > como mais um passo em nossa música.
>>> >
>>> > Abraços
>>> >
>>> > Leo
>>> >
>>> > > Date: Wed, 21 May 2008 09:15:04 -0300
>>> > > From: [EMAIL PROTECTED]
>>> > > To: [EMAIL PROTECTED]
>>> > > Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
>>> > > CC: [EMAIL PROTECTED]; [EMAIL PROTECTED];
>>> > [email protected]; [EMAIL PROTECTED]
>>> >
>>> > >
>>> > > Se (parte da) obra caiu em domínio público, é normal que o pessoal
>>> comece
>>> > a
>>> > > mexer nela. Regravem de todas as maneiras que quiserem, porque o
>>> samba de
>>> > > Noel é intacto em sua essencia. Podem colocar uma bateria funk no
>>> "com que
>>> > > roupa"... eu vou continuar ouvindo as versões com cavaquinho e
>>> violão.
>>> > >
>>> > > O fato é que, no momento em que ressoar uma guitarra distorcida em
>>> algum
>>> > > samba do mestre, ele vai se remexer no caixão...
>>> > >
>>> > >
>>> > > Em 20/05/08, vini correia <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>>> > > >
>>> > > > salve salve
>>> > > > para ajudar na reflexão, vejam que interessante este trecho da
>>> > entrevista
>>> > > > com o Nei Lopes feita pela Rede Brasil...
>>> > > > ajuda a entender também o pensamento do mestre
>>> > > > "o samba nào está no formol"
>>> > > >
>>> > > > abs
>>> > > >
>>> > > >
>>> > <http://www.redebrasil.tv.br/salto/entrevistas/nei_lopes.htm>
>>> > > >
>>> > > > -------------------
>>> > > >
>>> > > >
>>> > > > *Salto – O senhor acredita que o samba ainda é visto de maneira
>>> > > > preconceituosa?*
>>> > > >
>>> > > > Nei Lopes – Absolutamente, completamente preconceituosa. O samba é
>>> > sempre
>>> > > > associado, primeiro por suas origens negras, o samba é sempre
>>> associado
>>> > à
>>> > > > escravidão, associado à pobreza, é associado à favelização,
>>> associado à
>>> > > > criminalidade, e essa é a grande estratégia que é usada pela
>>> indústria
>>> > > > cultural globalizante, no sentido de colocar o samba numa condição
>>> > > > subalterna sempre. E é também uma estratégia que compõe todo esse
>>> > complexo
>>> > > > de dominação e de colonização cultural. Uma das estratégias também
>>> é
>>> > taxar
>>> > > > o
>>> > > > samba como uma coisa imóvel, como uma coisa velha, como uma coisa
>>> que
>>> > não
>>> > > > se
>>> > > > renova. Eu escrevi um livro, há uns dois anos, chamado Samba b – a
>>> – ba,
>>> > o
>>> > > > samba que não se aprende na escola. Esse livro mereceu oito páginas
>>> de
>>> > uma
>>> > > > revista elegante, uma revista finíssima que é editada em São Paulo,
>>> > > > editada,
>>> > > > inclusive com muito patrocínio do Governo. Então, é uma revista
>>> muito
>>> > > > bonita, de altíssimo nível, ela tem papel couchê, custa caríssimo
>>> nas
>>> > > > bancas... Essa revista se ocupou do meu livro, num artigo altamente
>>> > > > tendencioso, usou 8 páginas para falar do meu livro, acusando o
>>> livro de
>>> > > > coisas: que o livro era passadista, era reacionário. O título da
>>> chamada
>>> > de
>>> > > > capa dessa crítica, veja bem, dizia assim: "Nei Lopes – O samba em
>>> > formol".
>>> > > > Eu absolutamente não advogo que o samba tenha que ficar
>>> "museificado",
>>> > > > tenha
>>> > > > que ficou imóvel, nada disso, eu sou uma das pessoas que mais
>>> propugnam
>>> > > > pela
>>> > > > visibilidade, pela diversidade, pela multiplicidade do samba. Agora
>>> > mesmo,
>>> > > > estamos aqui no estúdio, estou concluindo mais uma produção, mais
>>> um
>>> > disco
>>> > > > meu, um disco em que eu procuro evidenciar essa diversidade, por
>>> > exemplo. É
>>> > > > um disco de samba com algumas informações afro-cubanas, porque eu
>>> acho
>>> > que
>>> > > > os universos do samba são irmãos. São muito semelhantes, são duas
>>> coisas
>>> > > > que
>>> > > > se cruzam a todo momento, o que não acontece, por exemplo, com a
>>> música
>>> > > > afro
>>> > > > norte-americana, em relação à brasileira. Os negros americanos não
>>> > usaram
>>> > > > tambor, foram historicamente despossuídos do tambor pela
>>> colonização,
>>> > pela
>>> > > > evangelização dos protestantes. Enquanto que os negros da
>>> > > > América-hispânica,
>>> > > > da América portuguesa, como, nós, usaram sempre o tambor. Então,
>>> você
>>> > pega
>>> > > > a
>>> > > > música de Cuba, a música de Porto Rico, a música da República
>>> > Dominicana, a
>>> > > > música do Haiti, até o próprio Prata, do Uruguai até a Argentina,
>>> há uma
>>> > > > similitude entre essas músicas, porque elas têm origens comuns, a
>>> origem
>>> > na
>>> > > > grande civilização Banto, lá do Congo, Angola e adjacências, o que
>>> não
>>> > > > ocorre com a música dos Estados Unidos. Então, você pega um samba e
>>> o
>>> > > > associa com a música afro-hispânico, a música centro-americana, é
>>> > > > absolutamente coerente, não é colonização, nem coisa nenhuma. Você
>>> está
>>> > > > promovendo o encontro entre parentes que foram, de uma certa forma,
>>> > > > dispersos pela escravidão e etc. e tal. Então, eu procuro no meu
>>> > trabalho,
>>> > > > sempre que posso, chamar o samba para essas associações e
>>> exatamente por
>>> > > > isso. Para mostrar que o samba é plurifacetado, o samba é um gênero
>>> > musical
>>> > > > altamente rico, não é velho, porque ele se renova a cada momento,
>>> desde
>>> > o
>>> > > > primeiro samba, registrado como samba, que foi "Pelo telefone", a
>>> gente
>>> > > > observa que, a cada década, há uma renovação da expressão dessa
>>> > pluralidade
>>> > > > do samba, que também está vivo até hoje por causa disso. E, às
>>> vezes,
>>> > até é
>>> > > > meio difícil perceber essa diversidade, inclusive em sub-gêneros,
>>> que às
>>> > > > vezes são mostrados como gênero, como por exemplo, a Bossa Nova, é
>>> um
>>> > > > samba,
>>> > > > é uma forma de fazer samba. O choro como forma instrumental de se
>>> tocar
>>> > o
>>> > > > samba, o chamado sambop, o samba jazz surgido aqui no Rio de
>>> Janeiro no
>>> > > > contexto da Bossa Nova, o samba de piano, baixo e bateria. Aí está
>>> um
>>> > dos
>>> > > > poucos momentos em que a tradição norte-americana e a tradição
>>> > brasileira
>>> > > > se
>>> > > > encontram. Mas se encontram por via do jazz primeiro, mas o jazz
>>> tocado
>>> > com
>>> > > > um acento de samba e por aí vai. Então, o samba é essa diversidade,
>>> > > > inclusive essas formas mais modernas, supostamente mais modernas,
>>> que
>>> > > > emanam
>>> > > > da Bahia com muita sensualidade, com muita, o chamado samba-axé, ou
>>> > samba
>>> > > > de
>>> > > > quebradeira, são tradições também bastante arcaicas do Recôncavo
>>> > Bahiano,
>>> > > > das quais indústria cultural se apropriou. Então, o que eu procuro
>>> fazer
>>> > > > sempre, é mostrar essa diversidade, essa pluralidade e mostrar que
>>> o
>>> > samba
>>> > > > está vivo aí, não está velho e não está no formol.
>>> > > >
>>> > > > *Salto – Por que o senhor acredita que o conceito de pluralidade
>>> > cultural
>>> > > > ganha tanta importância no mundo hoje?*
>>> > > >
>>> > > > Nei Lopes – Eu acho que há uma dualidade de pensamento aí, eu acho
>>> que
>>> > os
>>> > > > intelectuais, os intelectuais "do bem" (risos), procuram enfatizar
>>> a
>>> > > > questão
>>> > > > da pluralidade e procuram valorizar essa questão. Ao passo que
>>> outras
>>> > > > expressões intelectuais que não são tão "do bem" assim, que estão
>>> > visando
>>> > > > muito mais o capital, são expressão de um capitalismo bastante
>>> perverso,
>>> > > > bastante massacrante, já não valorizam a pluralidade do jeito que a
>>> > > > intelectualidade do bem valoriza. Porque não interessa... o mundo
>>> hoje é
>>> > > > comandado por corporações, cada vez menos corporações. Digamos que
>>> hoje
>>> > > > você
>>> > > > tem conglomerados, uns 4 ou 5 conglomerados comandando a cultura no
>>> > mundo
>>> > > > inteiro. Então, evidente, que quanto mais se concentra o poder nas
>>> mãos
>>> > > > desses conglomerados, menos a pluralidade interessa. Você tem, para
>>> > dominar
>>> > > > o mercado, você tem que ter um mercado homogêneo. Então, essa
>>> > homogeneidade
>>> > > > é contra todo tipo de pluralidade. Eu acho que quem valoriza a
>>> > pluralidade
>>> > > > somos nós, eu, você (apontando para a equipe do Salto), os
>>> espectadores
>>> > aí
>>> > > > que estão assistindo ao nosso programa, mas o grande, o Big Brother
>>> que
>>> > > > manda nessa história toda, eu acho que ele não gosta de pluralidade
>>> não.
>>> > > >
>>> > > > *Salto – O senhor acredita que a música popular brasileira retrata
>>> a
>>> > > > pluralidade cultural do país?*
>>> > > >
>>> > > > Nei Lopes – Olha, existem duas músicas populares brasileiras, dois
>>> > > > escaninhos de música popular brasileira. Existe a música popular
>>> > brasileira
>>> > > > que é espontânea, de criação popular mesmo e essa você vai
>>> encontrar
>>> > onde?
>>> > > > Nas produções independentes, nos centros mais afastados. E existe
>>> outra
>>> > > > música imposta por essa indústria de que nós estamos falando, cujos
>>> > > > porta-vozes são os meios de comunicação atrelados a essa indústria.
>>> A
>>> > gente
>>> > > > teve, dias atrás, a entrega de um prêmio, que é supostamente o
>>> prêmio
>>> > mais
>>> > > > importante da música popular brasileira, em que não houve nenhuma
>>> > premiação
>>> > > > para o gênero samba, houve para o hip hop, para o universo pop, mas
>>> no
>>> > > > entanto, numa estratégia, aquela coisa do álibi, numa espécie de
>>> álibi,
>>> > o
>>> > > > que os organizadores do prêmio fizeram? Pegaram o Jamelão, o nosso
>>> > grande
>>> > > > José Bispo Clementino dos Santos, nosso grande mangueirense,
>>> botaram lá
>>> > e
>>> > > > fizeram um grande final da premiação com Jamelão, mais a Escola de
>>> Samba
>>> > da
>>> > > > mangueira. É sempre assim! Efetivamente o samba não tem nada a ver,
>>> não
>>> > > > participa do mercado, isso na visão deles, mas aí como álibi, para
>>> não
>>> > > > dizer
>>> > > > que são anti-samba, ou antinacionais, o que que fazem? Pegam alguém
>>> que
>>> > > > representa alguma coisa do samba e bota num "gran finale", num
>>> oba-oba e
>>> > > > etc
>>> > > > e tal. Quer dizer, então o que a gente vê é isso. Apesar disso
>>> tudo,
>>> > existe
>>> > > > hoje uma produção musical independente muito forte, no Brasil
>>> inteiro.
>>> > > > Existe uma rede natural e espontânea de troca de informações, a
>>> internet
>>> > > > inclusive veio facilitar muito isso. Os artistas do samba estão
>>> > trabalhando
>>> > > > e muito bem, eu inclusive, em todo país, sempre sendo prestigiado,
>>> > sempre
>>> > > > sendo chamados, independente de qualquer coisa, Evidentemente que
>>> > ninguém
>>> > > > do
>>> > > > samba, pelo menos o que eu conheça, à exceção de uns dois ou três,
>>> que
>>> > > > merecidamente está lá no pódio, à exceção de um ou dois que a
>>> indústria
>>> > > > cultural admitiu. Nenhum sambista está andando de BMW, tendo
>>> jatinhos,
>>> > etc
>>> > > > e
>>> > > > tal... Mas, pelo menos, os que estão trabalhando estão conseguindo,
>>> como
>>> > > > trabalhadores, ter uma remuneração condizente dentro dos padrões
>>> > nacionais.
>>> > > > Isso é importante, nós somos trabalhadores da música, não somos?
>>> Ninguém
>>> > > > nasceu para ser "superstar", ser "popstar". Então, a gente tendo a
>>> > > > remuneração condigna, tendo a possibilidade de cuidar direitinho da
>>> > saúde,
>>> > > > tendo a possibilidade de aos 62 anos ter essa aparência bonita,
>>> modéstia
>>> > à
>>> > > > parte, então tudo bem, está tudo certo, está tudo legal.
>>> > > >
>>> > > >
>>> > > > na íntegra:
>>> > http://www.redebrasil.tv.br/salto/entrevistas/nei_lopes.htm
>>> > > >
>>> > > >
>>> > > >
>>> > > >
>>> > > >
>>> > > > 2008/5/20 Eugenio Raggi <[EMAIL PROTECTED]>:
>>> > > >
>>> > > > > Vini,
>>> > > > >
>>> > > > > Na prática, parafraseando o exemplo do purismo arquitetônico, é
>>> como
>>> > > > > se tivéssemos de manter locações sem instalações elétricas, um
>>> espaço
>>> > > > > tombado onde não se possa sequer estalar uma rede lógica, por que
>>> > > > > danificaria o aspecto original.
>>> > > > >
>>> > > > > Proibir releituras, misturas e outras utilizações daquilo que é
>>> um
>>> > > > > patrimônio do povo (e a ele legalmente pertence!!) é um ato
>>> insano,
>>> > > > > pretensioso e covarde.
>>> > > > >
>>> > > > > Perdoai-os, Nei Lopes, eles não entendem nada daquilo que você
>>> diz....
>>> > > > >
>>> > > > > Abs,
>>> > > > >
>>> > > > > Eugenio
>>> > > > >
>>> > > > >
>>> > > > >
>>> > > > >
>>> > > > >
>>> > > > > Em 20/05/08, vini correia<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>>> > > > > > meus caros, este tema mais uma vez me chamou a atençao...
>>> > > > > >
>>> > > > > > qual o problema fazer uma releitura de uma obra de dominio
>>> publico?
>>> > > > > > qual o problema um artista mostrar sua impressao, sua
>>> interpretacao
>>> > > > > sobre
>>> > > > > > uma obra original?
>>> > > > > > qual o problema fazer um noel versão drum n bass eletronico??
>>> > > > > > ou noel versão
>>> > reggae-dub-cubano-trip-hop-sei-lá-o-que??
>>> > > > > >
>>> > > > > > Isso não é desmerecer o seu trabalho, talento e importancia,
>>> muito
>>> > > > pelo
>>> > > > > > contrário!
>>> > > > > >
>>> > > > > > sinto muito, mas vou ter que por lenha nesta conversa de
>>> botequim...
>>> > > > > >
>>> > > > > > faz um tempo que conheci um trabalho de uns musicos brasileiros
>>> > > > chamado
>>> > > > > > beatles n choro . Trata-se de releituras instrumentais de
>>> algumas
>>> > > > > musicas
>>> > > > > > dos beatles numa linguagem e estrutra de choro. Cara, ficou
>>> muito
>>> > > > > curioso
>>> > > > > > e criativo este antropofagismo! E a meu ver isto não é nenhum
>>> > > > > desrespeito
>>> > > > > > para com a obra original...é uma homenagem linda! Até
>>> recomendo!
>>> > > > > >
>>> > > > > > é uma grande bobagem comparar releituras de clássicos da música
>>> > > > > brasileira
>>> > > > > > como se fossem terriveis e ameaçadoras interferencias em obras
>>> > > > > > arquitetonicas tombadas.... Ambos podem ser patrimonio
>>> histórico,
>>> > mas
>>> > > > > uma
>>> > > > > > coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A música é
>>> abstrata, a
>>> > > > > obra
>>> > > > > > arquitetonica é concreta (palpável). Ao contrario da
>>> arquitetura,
>>> > com
>>> > > > a
>>> > > > > > musica podemos explorar inumeras versoes e ainda conservar a
>>> sua
>>> > obra
>>> > > > > > original de forma intacta, na voz do autor e o escambau!! Olha
>>> que
>>> > > > legal
>>> > > > > > esta diversidade, esta pluralidade!! Temos inumeras opcoes para
>>> > > > escolher
>>> > > > > > quando e qual versao ouvir e gostar. Olha que bacana! Se vc só
>>> gosta
>>> > > > da
>>> > > > > > versao original, escute a versao original e nao perca seu tempo
>>> com
>>> > > > > aquele
>>> > > > > > discurso de que o mundo está perdido, vai de mal a pior,
>>> > blablabla...
>>> > > > > >
>>> > > > > > é preciso respeitar o gosto dos outros, gente!! Já vi pessoas
>>> > ouvindo
>>> > > > > > emocionadas a Beth cantando Feitiço da Vila e outras
>>> amarradonas
>>> > > > ouvindo
>>> > > > > a
>>> > > > > > versao original de noel pelo vinil ou mp3. Qual é o problema?
>>> Deixem
>>> > > > > cada um
>>> > > > > > ser feliz do seu jeito!! Vamos parar com esta coisa ranzinza, e
>>> > > > > > conspiratória .... Certas criticas negativas me soam como a
>>> história
>>> > > > da
>>> > > > > > música do proprio noel:
>>> > > > > >
>>> > > > > > "Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do Céu, que
>>> palpite
>>> > > > > infeliz!"
>>> > > > > >
>>> > > > > >
>>> > > > > > viva a diversidade!!
>>> > > > > >
>>> > > > > > abs
>>> > > > > > Vini Correia
>>> > > > > >
>>> > > > > >
>>> > > > > >
>>> > > > > >
>>> > > > > >
>>> > > > > > 2008/5/19 Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]>:
>>> > > > > >
>>> > > > > >
>>> > > > > > > Bem, eu concordo com vc no que diz respeito a manutenção da
>>> obra
>>> > > > como
>>> > > > > ela
>>> > > > > > > foi concebida, por respeito e pela manutenção (ou
>>> conservarão) da
>>> > > > > própria.
>>> > > > > > > Porém não vejo problema quando se faz adaptações ou arranjos
>>> > dessas
>>> > > > > mesmas
>>> > > > > > > obras porem mantendo (ou respeitando) a melodia original,
>>> concordo
>>> > > > com
>>> > > > > vc
>>> > > > > > > quando muitas vezes transforma-se uma música que era
>>> originalmente
>>> > > > um
>>> > > > > gênero
>>> > > > > > > e transforma-se em outro ou quando o arranjo deturpa
>>> totalmente a
>>> > > > > melodia,
>>> > > > > > > aí sim é condenável. Portanto é preciso bom censo e tb porque
>>> não,
>>> > > > bom
>>> > > > > > > gosto.
>>> > > > > > >
>>> > > > > > > Um abraço.
>>> > > > > > > Caio Pontual
>>> > > > > > >
>>> > > > > > > ----- Original Message ----- From: "Daniel Capu" <
>>> > > > > > > [EMAIL PROTECTED]>
>>> > > > > > > To: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
>>> > > > > > > Sent: Monday, May 19, 2008 9:38 AM
>>> > > > > > > Subject: Re: [S-C] FW: Obra de Noel
>>> > > > > > >
>>> > > > > > >
>>> > > > > > > Particularmente, Caio, em se tratando de Noel, sou contra
>>> qualquer
>>> > > > > > > manifestação criativa com a sua obra. Isso, por que, partilho
>>> e
>>> > vou
>>> > > > > mais
>>> > > > > > > além da opinião do Nei. Além de ser uma obra atual, de temas
>>> -
>>> > > > > letras,
>>> > > > > > > melodias - como você naturalmente conhece, a riqueza da obra
>>> é, e
>>> > > > > sempre
>>> > > > > > > será, a sua preservação como fora concebida. Numa analogia de
>>> > > > sentido,
>>> > > > > > > seria
>>> > > > > > > como pegarmos uma obra arquitetônica tombada como patrimônio
>>> > > > histórico
>>> > > > > e
>>> > > > > > > colocá-la à disposição de alguns arquitetos modernosos para
>>> > > > intervirem
>>> > > > > na
>>> > > > > > > fachada, modificando-a. O propósito desse projeto é
>>> justamente
>>> > esse.
>>> > > > > > > Incentivar a intervenção melódica e de linguagem musical numa
>>> obra
>>> > > > > que, a
>>> > > > > > > meu ver, não pede nem nunca vai pedir nada disso. O acesso a
>>> todos
>>> > > > > através
>>> > > > > > > da net e a lei que permie torná-la domínio público entendo
>>> como
>>> > algo
>>> > > > > > > positivo. Só considero "bobagem", e em nada me atrairia, um
>>> > projeto
>>> > > > em
>>> > > > > cima
>>> > > > > > > dessa causa, que entendo não existir.
>>> > > > > > >
>>> > > > > > > Um abraço
>>> > > > > > > Daniel Capu
>>> > > > > > >
>>> > > > > > >
>>> > > > > > > On 5/18/08 12:45 PM, "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
>>> wrote:
>>> > > > > > >
>>> > > > > > > Não entendi bem sua crítica, é contra as misturas ou é o fato
>>> das
>>> > > > > músicas
>>> > > > > > >> tornarem domínio público ?
>>> > > > > > >> Um Abraço.
>>> > > > > > >> Caio Pontual
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >> ----- Original Message -----
>>> > > > > > >> From: "Daniel Capu" <[EMAIL PROTECTED]>
>>> > > > > > >> To: <[email protected]>
>>> > > > > > >> Sent: Friday, May 16, 2008 11:19 AM
>>> > > > > > >> Subject: [S-C] FW: Obra de Noel
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >> Caros amigos,
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >> Acabo de ler na Folha uma matéria sobre um projeto (nem me
>>> lembro
>>> > > > de
>>> > > > > > >> quem?)
>>> > > > > > >> para a obra de Noel que começa a cair em domínio público.
>>> > > > > > >> O que mais me entristece não é o oportunismo firmado nessa
>>> onda
>>> > de
>>> > > > > que
>>> > > > > > >> agora
>>> > > > > > >> a moda é misturar tudo. Pegar uma miscelânea de ritmos e
>>> > culturas,
>>> > > > > bater
>>> > > > > > >> tudo num liquidificador e servir pra um monte de gente beber
>>> e
>>> > > > fazer
>>> > > > > uma
>>> > > > > > >> cara de quem come iguaria fina, que apesar do péssimo
>>> paladar,
>>> > > > > esbanja um
>>> > > > > > >> sorriso de satisfação.
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >> Não pretendo aqui dissertar sobre um modelo de indústria de
>>> > consumo
>>> > > > > > >> cultural, e muito menos criticar quem goste desse ritmo
>>> frenético
>>> > > > de
>>> > > > > > >> consumo
>>> > > > > > >> a que somos diariamente sujeitados. Esse papo de que tudo
>>> agora
>>> > tem
>>> > > > > que
>>> > > > > > >> estar na internet, ao alcance de todo mundo. ³Peraí!!² Ainda
>>> leio
>>> > > > na
>>> > > > > > >> reportagem que essa seria uma maneira de homenagear uma das
>>> > > > intenções
>>> > > > > de
>>> > > > > > >> Noel, dizendo ser uma característica sua se dar com todo
>>> mundo.
>>> > Tá
>>> > > > > bom! Se
>>> > > > > > >> a
>>> > > > > > >> lei permite, que façam!
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >> Como o Nei lopes disse, ³acho uma grande bobagem!²
>>> > > > > > >>
>>> > > > > > >> Daniel Capu
>>> > > > > > >> BH
>>> > > > > > >>
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