Quando falei em 200 mil eu quis dizer por dia de festa nos blocos, tô
chutando também, é apenas para ilustrar que organizar uma festa para uma
multidão como essa é difícil agradar a todos. Já ouvi falar que foram 2
milhões e meio apenas de turistas para o carnaval.

Quanto ao quilo da latinha sim, de 0,25 para 0,02 é um absurdo mesmo, assim
como os cordeiros que ouvi dizer ganham de 10 a 15 reais por cada bloco que
puxam. Isso sim é uma grande sacanagem, com o dinheiro que é faturado em
cada bloco, pagar essa miséria para quem está lá trabalhando justamente para
dar um pouco de segurança a quem está lá dentro. Sem falar que muitos só
recebem na quarta-feira de cinzas ou até depois (como presenciei na noite
dessa quarta).

Quanto ao que fazemos para melhorar isso, quais as sugestões? Timbalada e
Olodum são ótimos exemplos de grupos que promovem várias ações sociais e não
deixam de encantar com sua música conhecida mundialmente. Ano passado depois
do carnaval, procurei o Ile Aye e o Olodum, oferecendo espaço gratuito no
meu site para que eles divulguem algum trabalho ou até mesmo vendas dos seus
abadás para o carnaval do ano seguinte ... não tive retorno algum. Meu site
é o 4o colocado no Google quando a chave de pesquisa é o termo "carnaval
salvador". Acho que seria um bom espaço para que algumas instituições possam
expor seu trabalho, seu valor cultural etc. Mas aparentemente não havia
interesse... Se houver algum movimento de incentivo à cultura baiana e que
precise de espaço, estou à disposição.

Um abraço a todos!!
Harley Medeiros
www.CarnavalEmSalvador.NET 


 

-----Mensagem original-----
De: [email protected]
[mailto:[email protected]] Em nome de Marcelo Neder
Enviada em: domingo, 1 de março de 2009 19:28
Para: Harley
Cc: [email protected]
Assunto: Re: RES: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA


200 mil não pai,
esse ano foram 2 milhões de pessoas a mais na cidade.

E a propósito,

senzala mesmo foi a queda do preço de 0,25 centavos para 0,02 o quilo de
latinha do ano passado pra esse ano.

A cooperativa de catadores retirou das ruas 220 mil kg de lixo reciclável
das ruas de Salvador no período do Carnaval.


Abs


Marcelo Neder



-- Em dom, 1/3/09, Harley <[email protected]> escreveu:

> De: Harley <[email protected]>
> Assunto: RES: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA
> Para: 
> Cc: [email protected]
> Data: Domingo, 1 de Março de 2009, 16:11 Gabriel, explicou bem o que 
> penso sobre 'as cordas'.
> Eu também sou
> extremamente a favor da valorização da cultura, principalmente a 
> baiana, no carnaval. Para terem uma idéia do movimento econômico em 
> torno do carnaval, hoje em dia, blocos afro, antes apenas com enfoque 
> cultural, já se renderam ao comércio, atraindo turistas de todos os 
> cantos do mundo para desfilarem (é o caso do cortejo afro e olodum que 
> já vendem seus abadás pela internet e filhos de gandhy que estão 
> começando a se encher de turistas também). Então é uma engrenagem que 
> não tem como ser parada.
> 
> Mas é preciso sim, permitir com que o povo também possa pular o 
> carnaval em paz com os turistas que chegam. Dependendo da forma como 
> esse assunto é abordado, daqui a pouco se cria uma rivalidade entre o 
> povo local e os turistas que fará com que o carnaval de verdade acabe 
> para os 2 lados (2 lados estes que não devem existir). A cidade de 
> Salvador conseguiu organizar uma festa única como o Carnaval e isso 
> faz com que turistas de todo o Brasil queiram estar lá. Para permitir 
> isso, nasceram os camarotes, as cordas e a atuação extremamente rígida 
> da polícia.
> 
> Quanto ao dinheirinho honesto que é possível ganhar no carnaval, é 
> isso mesmo. Quem está lá vê que tem muita gente batalhando para ganhar 
> seu 'miúdo'.
> 
> Enfim, é um assunto muito complexo, a polêmica é grande, mas na minha 
> opinião, tem espaço para todos sim. Se você olha a multidão que fica 
> nas ruas vendo os trios passando, na pipoca ou em outros trios com ou 
> sem corda, não tem como negar que tem muita, mas muita gente se 
> divertindo sim. É impossível organizar fazer uma festa para 200mil 
> pessoas e todas saírem de lá satisfeitas...
> 
> Um abraço,
> Harley Medeiros
> [email protected]
> Carnaval 2010 em Salvador - Eu vou de novo!!
> 
> 
> -----Mensagem original-----
> De: [email protected]
> [mailto:[email protected]] Em nome de Gabriel Gomes 
> Enviada em: domingo, 1 de março de 2009 13:46
> Para: Remo Pellegrini
> Cc: [email protected]
> Assunto: Re: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA
> 
> O fato de o cara não ter dinheiro pra comprar abadá não dá a ele o 
> direito de roubar. O carnaval em Salvador é uma excelente oportunidade 
> de fazer um dinheirinho honesto, e o que mais tem é gente batalhando 
> pra conseguir o seu com dignidade. O cara rouba porque é vagabundo 
> mesmo.
> 
> Olha um exemplo bacana. Há uns dois anos eu estava com um amigo que 
> organiza o bloco Gravata Doida (bloco sem cordas, com muito samba e 
> bandinha de
> fanfarra) na pipoca do Campo Grande atrás do Alerta Geral e saiu um 
> camarada de dentro da corda pra falar com a gente. Ele havia 
> trabalhado como segurança do bloco no dia anterior e naquele dia 
> estava lá curtindo o carnaval dele e veio nos cumprimentar.
> 
> Quanto ao carnaval do interior de Minas tenho minhas ressalvas. O que 
> vejo é a playboyzada que não conseguiu juntar grana pra ir em um 
> carnaval mais famoso lotar as cidades (algumas históricas, e inclusive
> tombadas) e
> promover uma verdadeira baderna ao som mecânico de Axé e Funk, 
> deixando pra trás um monte de lixo e destroços. Mais ou menos o que 
> estava virando Olinda antes de proibirem os carros de entrarem com 
> seus equipamentos de som, valorizando os blocos e a tradição local. E 
> os governos locais não tomam nenhuma providência para coibir o 
> vandalismo, já que ele é bem lucrativo.
> 
> Voltando ao carnaval de Salvador, não vejo muita saída não. É questão 
> de mercado, oferta e procura. O turista mais abastado não quer se 
> divertir na informalidade, ele quer justamente essa exclusividade de 
> poder pagar por uma coisa que poucos podem. Hoje em dia os camarotes 
> têm shows particulares e uma estrutura cada vez mais diferenciada. Mas 
> existem os blocos mais baratos também. Tem bloco que custa 100 reais 
> os três dias dividido em 12 vezes.
> Assim como tem carro mais caro e carro mais barato. E não adianta 
> choramingar pra comprar uma ferrari a preço de carro "popular".
> 
> O que não pode acontecer é se deixar de valorizar o carnaval mais 
> tradicional, os blocos afro, a guitarra baiana, o samba de roda 
> tradicional.
> A luta que deve existir é pra que essas culturas tenham seu espaço. De 
> que adianta abolirem as cordas se só tocar Axé no carnaval inteiro? 
> Outro problema é que já vi bloco grande atropelar, literalmente, um 
> trio sem corda que estava na frente. Uma total falta de respeito com 
> quem está se divertindo e com quem está fazendo seu trabalho, mesmo 
> que seja em um bloco menor. A briga de Carlinhos Brown é mais ou menos 
> por aí.
> 
> Nos últimos anos que se tem visto são os camarotes invadindo a área 
> que antes era destinada aos foliões, espremendo cada vez mais a pipoca 
> contra a corda. Nesse caso sim, você tira o direito de quem quer 
> brincar o carnaval na rua. Mas a corda é necessária para o modelo 
> atual do carnaval baiano. E não adianta querer mudar o sistema de 
> folia mais rentável que existe no país. O que deve haver é um cuidado 
> para que a ganância dos empresários de bloco tenha um limite que 
> garanta ao povo seu espaço na avenida. Isso é papel do Governo do 
> Estado e do Município, seja fiscalizando, patrocinando os blocos 
> tradicionais, melhorando o policiamento e infraestrutura.
> 
> 
> Aquele abraço,
> Gabriel Gomes
> 
> 
> 2009/3/1 Remo Pellegrini <[email protected]>
> 
> > é, ouvi dizer que tem muito bandido atrás do
> chiclete mesmo. formigas
> > atrás do açúcar, né? afinal, quem pode comprar
> abadá?
> >
> > o carnaval de rua do Rio tem aumentado; o de
> Pernambuco sempre esteve
> > lá e o das cidades históricas de Minas também tem
> recebido mais
> > turistas. sem cordas
> >
> > acho que a discussão não é se o turismo de Salvador
> vai perder
> > arrecadação
> > - e a sua economia nem é mais só fundada no turismo
> - e sim, se haverá
> > jeito das classes altas também se divertirem um pouco
> na informalidade
> > (tadinhos), mesmo que, para isso, precisem de um bando
> de trogloditas
> > espremendo o povão da pipoca
> >
> > um abraço
> > Remo
> >   ----- Original Message -----
> >  From: Harley
> >  To: [email protected]
> >  Sent: Sunday, March 01, 2009 11:44 AM
> >  Subject: RES: [S-C] O ABADÁ É A NOVA SENZALA
> >
> >
> >  Nessa discussão eu tenho que entrar ... Não sou
> dono da verdade mas
> > não vejo  o Carnaval de Salvador dessa forma (citado
> pelo Roberto).
> >
> >  Em Salvador ainda existem muitos blocos sem corda, e
> são
> > principalmente  blocos puxados pelos artistas e bandas
> que fazem muito
> > sucesso com o público  local. É visível que o povo
> todo se diverte
> > (negros, brancos e inclusive  turistas estrangeiros ou
> não). Agora,
> > não dá para todo mundo ir atrás do  Chiclete com
> Banana...
> >
> >  Gente, se vocês vissem como é a pipoca dos blocos
> do Chiclete com
> > Banana,  vocês entenderiam do que eu falo. A
> quantidade de pivetes e
> > bandidos que  seguem o bloco pela pipoca é
> impressionante. O Carnaval
> > (com cordas ou
> > não)
> >  é uma grande festa. Não há como ter festa sem
> segurança. Sem
> > segurança os  turistas fogem. Sem turistas o dinheiro
> não entra em
> Salvador.
> >
> >  É inquestionável o retorno econômico que o evento
> Carnaval leva para
> > a  cidade de Salvador. Investimentos e visibilidade
> nunca vistos em
> > qualquer  outra época ou festa do ano. A quantidade
> de negócios que
> > são fechados,  investimentos de grandes empresas etc.
> Se não forem as
> > cordas e os camarotes  para fornecer um pouco de
> segurança aos
> > turistas que lotam a cidade  (trazendo muito dinheiro,
> dólares e
> > euros), Salvador tende a perder demais.
> >  Todos os comerciantes e prestadores de serviços
> fazem a festa nessa
> > época  (taxis, restaurantes, hotéis, pousadas e até
> os moradores do
> > interior que  vão pra cidade vender qualquer coisa e
> dormir na rua durante
> o carnaval).
> > E
> >  a prefeitura também arrecada uma enormidade...
> >
> >  Eu vejo alguns baianos criticando as cordas e tal,
> mas se o 'carnaval
> > das  cordas' acabar, a própria cidade tende a se
> empobrecer mais. 
> > Admiro muito  Carlinhos Brown mas quando ele pede
> carnaval sem cordas,
> > ele não pensa nas  pessoas que dependem do dinheiro
> dos turistas nessa
> > época. É claro que o  sonho de todos é que a
> situação seja favorável
> > durante todo o ano, mas pelo  menos a época do
> Carnaval é uma época de
> > prosperidade geral. Muitos pagam  suas dívidas do ano
> todo só com o
> > trabalho do carnaval (só eu ouvi isso de
> > 2
> >  taxistas esse ano, imagina o restante da população
> que trabalha nessa
> > época).
> >
> >  É isso, gente. Acho que o Carnaval de Salvador é um
> Carnaval onde
> > todos se  divertem. Quem está lá pulando atrás do
> trio, segurando a
> > corda, curtindo na  pipoca ou nos trios sem corda,
> cada um se diverte
> > à sua maneira. Quanto à  isso não há diferença
> nem segregação!
> >
> >  Abraço,
> >  Harley Medeiros
> >  [email protected]
> >  -----Mensagem original-----
> >
> >
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