Pois é Artur
Eu pensei a mesma coisa. Se o Walter não tivesse partido o filme sairia e
sem os cortes propostos.
Gostaria de ouvir os argumentos de Cláudia Nunes (a filha de Walter), porque
fico muito preocupada com
a possibilidade de artistas simplesmente "sumirem" por causa de questões
semelhantes.
Espero que haja um consenso em prol da cultura e da memória desse nosso
desmemoriado País!

bj
LH


Em 4 de outubro de 2010 12:15, Artur de Bem <[email protected]> escreveu:

> Se o documentário tivesse sido lançado com ele em vida, a filha ia proibir
> uma outra exibição quando ele viesse a morrer?
>
>
> Felicidades, um forte abraço e um grande beijo.
>
> Artur de Bem
> (48) 9969-0311
> http://arturdebem.blogspot.com
>
> E o povo continua cantando: "Foi em Diamantina / Onde nasceu JK / Que a
> Princesa Leopoldina / Arresolveu se casá..." (Sérgio Porto)
>
>
> Em 4 de outubro de 2010 11:21, Carolina <[email protected]> escreveu:
>
>> Gente aqui está por parte dos produtores do filme um dos motivos para o
>> cancelamento da exibição de Walter pelo Avesso. Quero lembrá-los que esse é
>> um lado da história. Para fazermos qualquer julgamento é preciso ouvirmos as
>> duas partes envolvidas, mas como o evento foi divulgado aqui, achei
>> importante trazer o motivo do cancelamento.
>>
>> Abraços Carol.
>>
>>
>> Boa tarde, a todos.
>>
>>  Lamentavelmente não poderemos fazer a estréia do filme. Apesar de termos
>> a autorização de utilização de imagem dada pelo próprio Walter, de não
>> termos qualquer intenção comercial e, em momento algum, o filme agredir ou
>> depreciar a imagem do Walter Alfaiate, a filha do compositor - Claudia -
>> entende que o filme só pode ser exibido com a sua autorização. Exibimos o
>> filme em primeira mão para esta senhora, que fez ponderações e ao final nos
>> disse: "O filme de vocês está muito bom, melhor do que o outro que fizeram
>> com ele sentado em uma cadeira. Vamos tentar uma parceria".
>>
>>
>> Sobre as ponderações que fez, até aceitamos cortar uma parte com a qual
>> ela não se sente bem (o que para nós já é um problema), mas a partir daí,
>> ponderamos que não teríamos tempo hábil até a exibição, portanto pedimos que
>> para a estréia fosse mantida aquela versão que havíamos mostrado. A Srª
>> Claudia pediu que esperássemos até à noite desta terça, quando já teria
>> conversado com seu advogado, para nos dar uma resposta. Na noite de ontem,
>> resolvi ligar e descobri que ela não havia feito nenhum contato com o
>> advogado. Por esse motivo achamos prudente cancelarmos essa exibição,
>> esperar mais significaria comprometer a agenda de vocês e do local onde
>> seria feita a estréia.
>>
>>
>> Entendemos que convidar a família com antecedência é o melhor a ser feito,
>> assim que conseguimos o contato dela providenciamos o convite e pedimos que
>> nos fosse dado o contato do irmão - muito citado por Walter no documentário.
>> A Srª Claudia não vê dessa forma, insisti que deveríamos tê-la procurado
>> assim que seu pai faleceu para pedirmos autorizações. De fato não conhecemos
>> muito de Leis, fazemos filmes, o que não pode servir como justificativa para
>> qualquer erro cometido. Porém, diante de suas reivindicações  fomos ao
>> Código Civil que relata o seguinte:
>> Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da
>> justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a
>> transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da
>> imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem
>> prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou
>> a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.
>>
>> Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes
>> legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os
>> descendentes.
>>
>>
>> Em momento algum agimos fora do que especifica a legislação. Achamos
>> legítimo que a família tenha total acesso aquilo que faça referência ao
>> Walter, concordamos que se reivindique o que é legal e legítimo, não iremos
>> submeter a nossa obra, nem a nós mesmos, a vontade de terceiros. O próprio
>> Walter em depoimento nos disse que certa vez  tentaram lhe comprar um samba,
>> de sua autoria e de Mauro Duarte, desde que um dos dois saísse da parceria
>> para que o comprador entrasse. Nenhum dos dois abriu mão da obra. Mesmo
>> correndo o risco de sua obra não vir a ser executada, não abriram mão de sua
>> autoria. Essa é uma lição que aprendemos.
>>
>>
>> Desculpem-me pelo e-mail muito longo.
>> Um abraço,
>> Bruno.
>>
>>
>> P.S.: Por favor repliquem esse e-mail às pessoas que porventura vocês
>> convidaram.
>>
>> --
>> Beijos Carol.
>>
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