Eis um assunto que os advogados presentes na tribuna talvez possam ajudar a esclarecer. Tendo o Walter Alfaiate permitido o uso de sua imagem em vida, é possível que alguém possa dizer o contrário? O desejo do artista não é soberano e incontestável nesse caso? Que os amigos que entendem de direito autoral e uso da imagem nos ajudem a esclarecer alguns pontos. Pessoalmente acho certíssimo o direito do artista de viver de sua obra. Mas quando se fala em arte, também existe o direito do público de ter acesso. Afinal de contas a figura do artista se constrói na relação com seu público. Melhoramos muito a legislação relativa ao direito autoral. Era muito comum sambistas e chorões morrerem de fome mesmo tendo composto sucessos. Há versões que contam que foi assim que Benedito Lacerda conseguiu autoria em alguns choros de Pixinguinha. Os chorões em sua maioria não conseguiam fazer carreira, e a solução para muitos era acompanhar como instrumentistas os cantores de samba. Pixinguinha passou por sérias dificuldades financeiras. Foi Benedito Lacerda, que ao tomar conhecimento de sua situação, o convidou para participar de parcerias. Na parceria, Lacerda se encarregava de agendar shows e gravações. Cabia a Pixinguinha, colocá-lo como parceiro de suas composições. Rés a lenda que dessa forma, Pixinguinha cedeu muitas parcerias de composições a Benedito Lacerda, o que era bastante comum para os compositores populares de sua época. Bem se vê que avançamos muito nisso, o que sem dúvida é positivo. Mas fico com a vontade soberana do mestre Walter. Libera aí!
Abraços Carol. Em 4 de outubro de 2010 12:56, Artur de Bem <[email protected]> escreveu: > Imagina se eu faço um documentário sobre o Argemiro e não posso citar que > ele era um beberrão. > > Não que o doc. do Walter tivesse alguma coisa que depreciasse a sua imagem, > como bem disse a Carol. Tmb não sei, não vi. > > Até pq, dizer que o Argemiro era beberrão não é depreciar sua imagem. > > > Felicidades, um forte abraço e um grande beijo. > > Artur de Bem > (48) 9969-0311 > http://arturdebem.blogspot.com > > E o povo continua cantando: "Foi em Diamantina / Onde nasceu JK / Que a > Princesa Leopoldina / Arresolveu se casá..." (Sérgio Porto) > > > Em 4 de outubro de 2010 12:48, Lucia Helena Almeida > <[email protected]>escreveu: > > Pois é Artur >> Eu pensei a mesma coisa. Se o Walter não tivesse partido o filme sairia e >> sem os cortes propostos. >> Gostaria de ouvir os argumentos de Cláudia Nunes (a filha de Walter), >> porque fico muito preocupada com >> a possibilidade de artistas simplesmente "sumirem" por causa de questões >> semelhantes. >> Espero que haja um consenso em prol da cultura e da memória desse nosso >> desmemoriado País! >> >> bj >> LH >> >> >> Em 4 de outubro de 2010 12:15, Artur de Bem <[email protected]>escreveu: >> >> Se o documentário tivesse sido lançado com ele em vida, a filha ia proibir >>> uma outra exibição quando ele viesse a morrer? >>> >>> >>> Felicidades, um forte abraço e um grande beijo. >>> >>> Artur de Bem >>> (48) 9969-0311 >>> http://arturdebem.blogspot.com >>> >>> E o povo continua cantando: "Foi em Diamantina / Onde nasceu JK / Que a >>> Princesa Leopoldina / Arresolveu se casá..." (Sérgio Porto) >>> >>> >>> Em 4 de outubro de 2010 11:21, Carolina <[email protected]>escreveu: >>> >>>> Gente aqui está por parte dos produtores do filme um dos motivos para o >>>> cancelamento da exibição de Walter pelo Avesso. Quero lembrá-los que esse é >>>> um lado da história. Para fazermos qualquer julgamento é preciso ouvirmos >>>> as >>>> duas partes envolvidas, mas como o evento foi divulgado aqui, achei >>>> importante trazer o motivo do cancelamento. >>>> >>>> Abraços Carol. >>>> >>>> >>>> Boa tarde, a todos. >>>> >>>> Lamentavelmente não poderemos fazer a estréia do filme. Apesar de >>>> termos a autorização de utilização de imagem dada pelo próprio Walter, de >>>> não termos qualquer intenção comercial e, em momento algum, o filme agredir >>>> ou depreciar a imagem do Walter Alfaiate, a filha do compositor - Claudia - >>>> entende que o filme só pode ser exibido com a sua autorização. Exibimos o >>>> filme em primeira mão para esta senhora, que fez ponderações e ao final nos >>>> disse: "O filme de vocês está muito bom, melhor do que o outro que fizeram >>>> com ele sentado em uma cadeira. Vamos tentar uma parceria". >>>> >>>> >>>> Sobre as ponderações que fez, até aceitamos cortar uma parte com a qual >>>> ela não se sente bem (o que para nós já é um problema), mas a partir daí, >>>> ponderamos que não teríamos tempo hábil até a exibição, portanto pedimos >>>> que >>>> para a estréia fosse mantida aquela versão que havíamos mostrado. A Srª >>>> Claudia pediu que esperássemos até à noite desta terça, quando já teria >>>> conversado com seu advogado, para nos dar uma resposta. Na noite de ontem, >>>> resolvi ligar e descobri que ela não havia feito nenhum contato com o >>>> advogado. Por esse motivo achamos prudente cancelarmos essa exibição, >>>> esperar mais significaria comprometer a agenda de vocês e do local onde >>>> seria feita a estréia. >>>> >>>> >>>> Entendemos que convidar a família com antecedência é o melhor a ser >>>> feito, assim que conseguimos o contato dela providenciamos o convite e >>>> pedimos que nos fosse dado o contato do irmão - muito citado por Walter no >>>> documentário. A Srª Claudia não vê dessa forma, insisti que deveríamos >>>> tê-la >>>> procurado assim que seu pai faleceu para pedirmos autorizações. De fato não >>>> conhecemos muito de Leis, fazemos filmes, o que não pode servir como >>>> justificativa para qualquer erro cometido. Porém, diante de suas >>>> reivindicações fomos ao Código Civil que relata o seguinte: >>>> Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da >>>> justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a >>>> transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da >>>> imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem >>>> prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou >>>> a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. >>>> >>>> Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes >>>> legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os >>>> descendentes. >>>> >>>> >>>> Em momento algum agimos fora do que especifica a legislação. Achamos >>>> legítimo que a família tenha total acesso aquilo que faça referência ao >>>> Walter, concordamos que se reivindique o que é legal e legítimo, não iremos >>>> submeter a nossa obra, nem a nós mesmos, a vontade de terceiros. O próprio >>>> Walter em depoimento nos disse que certa vez tentaram lhe comprar um >>>> samba, >>>> de sua autoria e de Mauro Duarte, desde que um dos dois saísse da parceria >>>> para que o comprador entrasse. Nenhum dos dois abriu mão da obra. Mesmo >>>> correndo o risco de sua obra não vir a ser executada, não abriram mão de >>>> sua >>>> autoria. Essa é uma lição que aprendemos. >>>> >>>> >>>> Desculpem-me pelo e-mail muito longo. >>>> Um abraço, >>>> Bruno. >>>> >>>> >>>> P.S.: Por favor repliquem esse e-mail às pessoas que porventura vocês >>>> convidaram. >>>> >>>> -- >>>> Beijos Carol. >>>> >>>> _______________________________________________ >>>> Tribuna Livre, uma lista de discussão de Samba & Choro >>>> Para cancelar: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela >>>> Assine: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina >>>> Estatutos da Gafieira: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/estatutos >>>> >>>> >>> >>> _______________________________________________ >>> Tribuna Livre, uma lista de discussão de Samba & Choro >>> Para cancelar: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela >>> Assine: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina >>> Estatutos da Gafieira: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/estatutos >>> >>> >> > > _______________________________________________ > Tribuna Livre, uma lista de discussão de Samba & Choro > Para cancelar: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Assine: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Estatutos da Gafieira: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/estatutos > > -- Beijos Carol.
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