Olá,
Muito bom relato e análise.
E repararam que não são apenas 118 mil licenças de ms-office na CEF.
Há *milhares* de licenças de SQL Server, de Exchange, de windows, de
AD, etc, etc, etc.
Nem quero imaginar o custo final disso tudo, que me dará vertigem.
E tudo já possui substitutos livres até superiores em estabilidade ,
escalabilidade, desempenho.
Com uma fração desse dinheiro, poderia ser investido em equipes de
melhorias de software livres (importação de docs formatados?), e ou
contratos de suporte turn-key ponta a ponta.
É perceptível que bastam umas poucas pessoas em cargos chave para
acontecerem tais decisões.
As empresas de software proprietário as identificaram e as convenceram.
Não adiantam milhares de servidores públicos entenderem onde, quando e
como o software livre é mais capaz se esquecemos de convencer as
pessoas chave.
Mas temos no CISL uma abordagem delineada?
Imaginemos que seja agendada uma reunião de 20 minutos com uma dessas
pessoas chave.
E então?
Que material e informações levar?
Vocês sabiam que uma apresentação para tal perfil é beeem diferente?
Quais as várias alternativas de linhas de diálogo?
O que e como pensam os tomadores de decisão governamentais?
O que precisam e o que desejam resolver?
Até agora estamos "pregando para o coro da igreja". Isso serve para
reforço reenergização interna do grupo. Mas e os que ainda não
enxergaram a luz?
É preciso encarar isso como um projeto.
Podemos estar gastando preciosas homem hora resolvendo problemas
técnicos que são até irrelevantes para os tomadores de decisão, e
deixando de lado coisas que são importantes para eles.
Lembrem que esta lista aqui é aberta ao público. E que as abordagens
de diálogo eventualmente delineadas não poderiam ser facilmente
anuladas pelas empresas de software proprietário.
Imagino que o consegi deva deixar as oficinas e palestras técnicas
para nós escovadores de bits no passado (existem outros bons eventos
para nós) e focar em um modelo adequado para tomadores de decisão
governamentais (que ainda não conheço).
Ou que se crie um novo evento focado para tomadores de decisão
governamentais.
Vocês já foram nesses eventos de empresas proprietárias para tomadores
de decisão?
Obrigado.
André Felipe
Em 28/08/2015 08:37:27, Frederico Cabral de Menezes escreveu:
Bom dia!
Nós aqui na Conab fizemos grande esforço no sentido da adoção de
softwares livres e de código aberto, esforço que se iniciou em
2003 com o planejamento (escolha da plataforma, estabelecimento de
critérios para adoção de software, prospecções, justificativas).
Os frutos começaram a ser colhidos já em 2004 e ao final de 2007
estimou-se a economia de R$ 10 milhões. No período seguinte, de
2008 a 2013, a economia superou 58 milhões de reais. É evidente,
ao meu ver, que a economia, embora relevante, não seja o benefício
mais importante, pois acredito que a segurança, portabilidade,
estabilidade, independência, liberdade de escolha, disponibilidade
e velocidade de correção sejam características muito mais
importantes e estão fortemente presentes nos softwares livres de
código aberto.
Com todas essas importantes características presentes é
incompreensível sob os pontos de vista técnico, econômico, ético e
moral que tenhamos que assistir o descaso que a grande maioria dos
órgãos públicos faz ao não fazer uso forte da imensa gama de
software livre disponível ou de software público .
Os gestores públicos que não admitem adotar software livre e de
código aberto, ao meu ver, não deveriam estar ocupando os cargos
que ocupam, pois é seu dever zelar pela coisa pública.
O pior de tudo que o fato de muitos órgãos não adotarem, por
exemplo, uma suíte de automação de escritório livre, provoca
retrocesso nos órgãos que a adotam e que interfaceiam com estes
órgãos arredios. É o que vem acontecendo com a Conab nesse
quesito, pois muitos usuários alegam que recebem de outros órgãos
documentos em formato proprietário e quando vão utilizá-los na
suíte livre se deparam com desformatação, aí justificam precisar
da suíte proprietária. Por aí vê-se que a responsabilidade do
gestor ultrapassa em muito as fronteiras do seu órgão, atingindo,
certa e diretamente, outros órgãos e a sociedade como um todo que
se vê obrigada a adquirir o software proprietário para abrir os
documentos disponibilizados nos portais públicos ou cair na
ilegalidade de utilizar sem licenciamento.
Nesse diapasão, é inconcebível que os órgãos de controle não
adotem e não auditem a si próprios e aos outros órgãos nesse
quesito e também não teçam recomendações. Todavia, como um órgão
de controle pode recomendar tal prática se ele mesmo não está
aderente aos princípios que a norteiam? Lembro-me que há alguns
anos, enquanto a Conab estava no meio do processo de migração de
MS-Office para o OpenOffice (hoje utilizamos o LibreOffice), o TCU
promovia em toda a sua casa o "MS-Office Day". Aí fica difícil!!!
Então, concluindo, falta uma série de ações coordenadas a partir
da decisão das esferas mais altas do poder público, de forma
contundente, definitiva e obrigatória.
Não precisamos mais de discurso, precisamos de ações com
estabelecimento de prazos para suas conclusões.
Estamos falando de mais de uma década, não dá pra ficar repetindo
a mesma ladainha. Estou cansado de assistir a falta de compromisso
da maioria dos gestores públicos e nenhuma reação daqueles que têm
o poder da caneta!
Frederico Cabral de Menezes.
On 28-08-2015 07:18, Felipe Braga wrote:
Isso é ação de quem vê a situação atual bem diferente da de 10 ou
15 anos atrás, o que passa longe de ser real (mas o que a
imprensa hegemônica tenta fazer a população acreditar todos os
dias :/)
Como sugestão, peço que assistam o documentário "O Mercado de
Notícias", de 2014 (tem torrent no kat.cr <http://kat.cr>)
[]'s
Em 28/08/2015 06:51, "Eliane Domingos de Sousa"
<[email protected] <#>> escreveu:
Felipe,
Estou sim, exaltada, revoltada, cansada. Todos os dias vejo o
noticiário assim: falta educação, falta saúde ... prefeito do
partido A, B, C tiram do povo e enriquecem as custas do povo,
por qualquer brecha que se tenha. Seja em software, seja em
quentinhas para presídios e por aí vai ...
Como ver um tipo de coisas como essas e não falar?
Em 28.08.2015 06:19, Felipe Braga escreveu:
Calma moça: vc tá um pouco exaltada :-)
O juiz Moro não é o criador da operação (que é da PF),
mas apenas
personagem dela (talvez o que tenha maior apelo
midiático...).
E há várias operações da PF em curso, talvez com tanta
importância quanto a Lava-Jato (não querendo diminuir
importância
dela =]): mas ela parece, pela imprensa, a única operação
em curso
:/
Concordo, claro, que desrespeito à legislação (na forma
da [lei de
licitações] 8666/93, IN 04 / 2008, 8135/2013, etc) deva ser
investigada e punida :-)
* sabia que a lei de licitações, a 8667/93, nem é seguida
pela
Petrobras? Existe legislação específica pra empresa (que
talvez
facilite os problemas que hoje vemos pela Lava-Jato),
pela desculpa da
"agilidade", mas isso é "mal e porcamente" noticiado pela
imprensa...
(uma curiosidade: áreas de negócio da empresa, ao menos
na TI, são
chamadas internamente de "Agilidades" - por aí dá pra ter
ideia da
resistência cultural na empresa para obedecer a 8666...)
Em 27/08/2015 22:16, "Eliane Domingos de Sousa"
<[email protected] <#>> escreveu:
Minha nossa, quando é que o Juiz Sérgio Moro vai
fazer uma Lava
BITS. O Brasil passando um sufoco desgraçado e a
brecha com
aquisição de software comendo solto em órgão público.
ISSO TEM
DE PARAR!!!! Não justifica há muito tempo gastar uma
fortuna com
ferramentas de escritório. ISSO É UMA BRECHA!!!!
TEMOS DE FAZER
ALGUMA COISA. COMPARTILHEM!!! É O MEU, O SEU, O NOSSO
DINHEIRO QUE
ESTÁ SENDO USADO NESSA BRINCADEIRA.
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André Felipe Machado
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As Lou Gerstner, former Chairman and CEO of IBM, observed: 'I came to
see, in my time at IBM that culture isn’t just one aspect of the game;
it *IS* the game.'
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