Gustavo,

Estas funcionalidades são implementadas "hardcoded" ou estão em arquivos de
configuração?
Pergunto isso porque estranhei a afirmação que isso não funciona na versão
corrente (e parece que não vai funcionar na 3.2) para português, espanhol,
francês, etc. Não era só o caso de editar algum arquivo de regras?

[]s,

Carlos Menezes (Projeto CoGrOO)


2009/11/18 Gustavo Pacheco <[email protected]>

>  Olá pessoal!
>
>  O texto abaixo tem como objetivo informar e obter sugestões para a
> especificação da função "Substituir 1o... por 1º..." em português.
> Acredito que essa função será de interesse de todos os que possuem
> algum trabalho colaborativo voltado para o desenvolvimento das
> ferramentas de idioma do BrOffice.org. Logo, qualquer contribuição
> será muito bem-vinda.
>
>  Como o texto contém caracteres que podem vir a não ser corretamente
> exibidos nos leitores de e-mail, o mesmo texto está disponível em:
>
>
> http://www.openoffice.org/nonav/issues/showattachment.cgi/66176/Portuguese_Specification_(draft_in_portuguese)_GBP_12112009.odt<http://www.openoffice.org/nonav/issues/showattachment.cgi/66176/Portuguese_Specification_%28draft_in_portuguese%29_GBP_12112009.odt>
>
>  Abraços,
>  Gustavo Pacheco.
>
>
> 1) O problema
>
> Há alguns meses, registrei um problema relativo ao uso da função
> "Substituir 1o... por 1º...", disponível no menu Ferramentas > Opções
> de autocorreção > guia Opções. No BrOffice.org/OpenOffice.org, essa
> função não funciona para o português do Brasil. Ou seja, ao digitarmos
> 1o num texto, o Writer deveria, automaticamente, substituir essa
> digitação por 1º. O mesmo ocorreria se digitássemos 2a, por exemplo. O
> Writer deveria substituir por 2ª.
>
> Isso não acontece para o nosso idioma. A única implementação
> disponível para essa funcionalidade está na língua inglesa. Caso o
> usuário digite 1st, o trecho de texto será substituído por 1st . 2nd
> será substituído por 2nd, 3rd  por 3rd e assim por diante.
>
> Notem que essa funcionalidade é diferente da substituição de palavras
> disponível no menu Ferramentas > Opções da autocorreção, guia
> Substituir. Existem as entradas a. e o. que são, substituídas,
> respectivamente por ª e º .
>
> Em resumo, a função "Substituir 1o por 1º", disponível no menu
> Ferramentas > Opções de autocorreção > da guia Opções não funciona
> para o idioma português.
>
>
>
>
> 2) O encaminhamento
>
> Na pesquisa para o registro do bug (103465), registrei a existência do
> seguinte documento:
>
> http://specs.openoffice.org/g11n/ordinal_numbers/ordinal_numbers.sxw
>
> que comprova o problema também em outros idiomas (espanhol, francês,
> italiano,...). Casualmente, o colega do projeto responsável pelo
> documento, Éric Savary, me contatou algumas semanas depois para
> confirmar o registro e solicitar a especificação da função para o
> português (do Brasil e de Portugal), visando a versão 3.3 do
> OpenOffice.org.
>
>
>
>
> 3) A pesquisa
>
> Considerando meu conhecimento leigo no assunto, reuni em pesquisa
> algumas informações relacionadas ao uso comum dos símbolos º e ª, na
> qual troquei, também, informações com o Olivier Hallot, responsável
> atual pela tradução da interface. Nesta primeira etapa, cheguei à
> seguinte redação da especificação:
>
>  --  Início --
>
> O uso da abreviatura no português é simples:
>
>  para o sexo masculino: º (UNICODE 00BA)
>
>  1o --> 1º
>  2o --> 2º
>  3o --> 3º
>  ...
>
>  para o sexo feminino: ª (UNICODE 00AA)
>
>  1a --> 1ª
>  2a --> 2ª
>  3a --> 3ª
>  ...
>
>  Como informação adicional destas pesquisas e consultas, temos que:
>
>  - essa forma é, também, a forma com a qual o Microsoft Word em
> português trabalha;
>
>  - não foi encontrada nenhuma regra formal que defina o uso da
> abreviatura de numerais ordinais no plural. Por exemplo, quando
> falamos: "os primeiros colocados de cada campeonato." a forma usual é
> o uso por extenso e não abreviado.
>
>  - a forma do tipo "1.º" não é usual no Brasil. Em geral só é usada em
> documentos formais jurídicos, no entanto, é genericamente substituída
> por "1º".
>
> -- Fim --
>
>
> Esta consideração preliminar foi enviada para os colegas do projeto
> OpenOffice.org português, que procedeu uma avaliação mais qualificada
> do tema através do Instituto de Formação e Investigação da Língua
> Portuguesa. Recebi, então o seguinte e-mail abaixo, da colega Catarina
> Osório, que reproduzo integralmente:
>
>
> -- Início --
>
> IFILP
> Instituto de Formação e Investigação da Língua Portuguesa
> IFILP-TEC - ÁREA TÉCNICA DO IFILP
> n. ref.: GGP000-20091023.01eml
> Mensagem para Gustavo Pacheco
> Prezado Gustavo Pacheco
> Na sequência da mensagem que dirigiu ao Dr. Flávio Moringa, da Caixa
> Mágica, apresentamos abaixo as nossas recomendações quanto ao modo
> como devem ser tratadas as abreviaturas de numerais ordinais em língua
> portuguesa no OpenOffice (quer na versão brasileira quer na
> portuguesa).
> A. «1º» ou «1.º»?
> 1. As regras da língua portuguesa determinam que as abreviaturas devem
> ser marcadas com um ponto colocado à frente das mesmas.[1], [2] Por
> exemplo, abreviamos «capítulo» com «cap.» e não com «cap».
> 2. Mais, havendo caracteres em expoente, o ponto é colocado antes dos
> mesmos - já que o ponto representa, nesses casos, aquilo que se
> omitiu.[2], [3] Por exemplo, quando abreviamos «Engenheira» com
> «Eng.ª», estamos a indicar que foram suprimidas as letras «enheir».
> Ora, não haverá grandes dúvidas de que «1º»/«1.º» é a abreviatura de
> «primeiro», pelo que a regra enunciada em 1. se lhe aplica; por outro
> lado, o «o» está em expoente, pelo que também o princípio mencionado
> em 2. incidirá sobre ela. Assim, torna-se claro que o mais correcto é
> escrever
> «1.º».[2], [4] Se a enunciação das regras não fosse suficiente,
> poderíamos sempre apelar para aspectos práticos: sem ponto, é fácil
> confundir «primeiro» com «1 grau» ou com «1 elevado a 0».
> NOTA 1: Se quanto à obrigatoriedade de se usar ponto numa abreviatura
> não há dúvidas, já quanto à colocação em expoente dos caracteres de
> terminação da palavra abreviada, os princípios não são tão claros.
> Pensa-se que, com o passar do tempo e com a utilização reiterada de
> uma abreviatura numa língua (e também pela frequente dificuldade de,
> informaticamente, colocar caracteres em expoente), estes caracteres
> tenham tendência para descer (e dessa forma, obrigatoriamente, passam
> para trás do ponto). Foi o que aconteceu, por exemplo, com «Senhor» e
> «Doutor», os quais, a meio do século passado se abreviavam com «S.r» e
> «D.r» e hoje em dia se abreviam com «Sr.»
> e «Dr.». [2], [5] Actualmente, parece que o mesmo está a acontecer com
> «Limitada», até aqui abreviado com «L.da» e agora, cada vez mais, com
> «Lda.». Seja como for, mesmo que tal venha a acontecer com os
> ordinais, será sempre obrigatório o uso do ponto; nessa eventualidade,
> a abreviatura será «1o.».
> NOTA 2: Salientamos que, embora o UNICODE preveja um caractere
> específico para o «o» em expoente (U+00BA), o respectivo glyph é, na
> maior parte das fonts, graficamente diferente do caractere «o»
> (U+006F) elevado na linha por intermédio de uma funcionalidade
> gráfica. Assim, para evitar que haja discrepância entre aquele e os
> restantes caracteres que eventualmente
> apareçam em expoente num texto (por exemplo, num mesmo texto aparecer
> «1.º» e «Ex.mº» não é tipograficamente aceitável), sugere-se que seja
> sempre usado o caractere «o» (U+006F) com a funcionalidade gráfica que
> o eleva na linha e o diminui (teríamos, portanto, «1.o» e «Ex.mo» . (O
> mesmo se aplica, naturalmente, a «ª».)
> B. «1.os»?
> Seguindo a lógica exposta em A., nomeadamente no ponto 2., resulta
> claro que é correcto escrever «1.os» (pois a terminação deixa de ser
> «o» e passa a ser «os»).
> Contudo, acompanhamos o Gustavo no entendimento de que os ordinais
> plurais se apresentam habitualmente por extenso. Com efeito,
> parece-nos que os ordinais abreviados são geralmente usados na
> enumeração de inteiros e em contagens, casos em que é incomum que se
> refiram a mais do que um objecto (e portanto careçam de plural). Seja
> como for, podemos exemplificar as
> seguintes situações como plausíveis: «às 3.as-feiras comemos sempre
> picanha»; «iniciaram-se hoje os "2.os Jogos da Lusofonia"».
> Enfim, por raros que sejam os casos, é nossa opinião que o OpenOffice
> deverá reconhecer a forma plural nos ordinais abreviados.
> Nota final: os usos
> A maioria dos brasileiros escreve «1º»? A maioria dos portugueses
> também. Porém, isso apenas significa que existe pouca sensibilidade
> para estes aspectos (aquilo que designamos de ortotipografia).
> Veja-se, por exemplo, a quantidade de pessoas que, no meio de uma
> frase, usa hífen em vez de travessão... Quer isso dizer que o mais
> correcto é o hífen substituir de vez o travessão? Claro que não.
> Curiosamente, relativamente ao travessão, o problema só não é maior
> porque, nos últimos anos, os processadores de texto introduziram
> justamente a respectiva correcção automática.
> Para confirmarmos estes princípios, deixemos aquilo que prescrevem as
> gramáticas e os linguistas e debrucemo-nos sobre o que estes
> efectivamente fazem. (A consulta de leis, dos textos de escritores
> consagrados, etc. é também plausível; em conjunto, estes representam o
> segmento da população
> erudita, aquele que deve ser tomado como modelo na utilização da
> língua. Ainda que o trabalho da Microsoft com as línguas seja
> habitualmente meritório, esta não faz parte do grupo...) Deste modo,
> constata-se que, na maior parte dos casos, a utilização de ponto na
> abreviatura de ordinais é a
> forma consagrada. Apenas para citar alguns exemplos, assim é feito:
> 1.      em documentos de autoridades linguísticas (por exemplo, nos
> anais da Academia Brasileira de Letras, como em
> http://www.academia.org.br/abl/media/189.pdf);
> 2.      em gramáticas brasileiras (por exemplo, na «Moderna Gramática
> Brasileira», de Celso Pedro Luft) e portuguesas (por exemplo, «Manual
> Prático de Ortografia», de José M. Castro Pinto).
> Embora existam algumas fontes credíveis que optam por não usar o ponto
> (como é o caso, no Brasil, do «Diário Oficial da União», ainda que nem
> sempre omita o ponto), estamos em crer que será porque nunca terão
> reflectido sobre o assunto, pois, tanto quanto sabemos, nenhuma delas
> defende qualquer posição sobre este assunto. Com efeito, o que se
> constata é que, todos aqueles que assumem posições sobre este assunto
> defendem o usa do ponto.
> [1] CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley - Nova Gramática do
> Português Contemporâneo. 7.ª ed. Lisboa: Edições João Sá da Costa,
> 1990. p. 647.
> [2] LEDUR, Paulo Flávio - Manual de Redação Oficial dos Municípios.
> Porto Alegre: Editora Age, 2007. p. 34; citando a Academia Brasileira
> de Letras e a Associação Brasileira de Normas Técnicas.
> [3] D'SILVAS FILHO - Prontuário - Erros Corrigidos de Português.
> Lisboa: Texto Editora, L.da, 2001. p. 184.
> [4] COSTA, José Mário - 2º não é a mesma coisa que 2.º [On-line]. [S.
> l.]: Ciberdúvidas, 2005. [Consult. Out. 2009]. Disponível na WWW em:
> <URL:http://ciberduvidas.sapo.pt/articles.php?rid=263>.
> [5] D'SILVAS FILHO - Ponto nas abreviaturas, de novo [On-line]. [S.
> l.]: Ciberdúvidas, 2005. [Consult. Out. 2009]. Disponível na WWW em:
> <URL:http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=15646>.
> Esperando ir ao encontro do que solicitaram, queiram contar com a
> nossa disponibilidade e empenho para aquilo em que pudermos ser úteis,
> agora e no futuro.
> Abraços amigos,
> Catarina Osório
> Responsável pela Área Técnica
> [email protected]
> PS - Gustavo, por favor, tenha em consideração que esta mensagem é uma
> reflexão do Instituto acerca deste tema; isto é, não se trata de um
> parecer institucional em resposta a uma consulta (que teria de ser
> mais documentado, mais aprofundado, etc., e que vincularia o IFILP,
> sendo portanto pago), mas de uma recomendação - em todo o caso, feita
> com muito gosto ;-)
>
> -- Fim --
>
>
> Nota-se que a especificação das regras sugeridas pelo IFILP resultaria em:
>
> -  para o sexo masculino:
>
> Singular:
>  1.o --> 1.o
>  2.o --> 2.o
>  3.o --> 3.o
>  …
>
> Plural:
>  1.os --> 1.os
>  2.os --> 2.os
>  3.os --> 3.os
>  ...
>
>
> - para o sexo feminino:
>
> Singular:
>  1.a --> 1.a
>  2.a --> 2.a
>  3.a --> 3.a
>  ...
> Plural:
>  1.as --> 1.as
>  2.as --> 2.as
>  3.as --> 3.as
>  …
>
>
> Sobre a qual adiciono os seguintes comentários:
>
> 1) a especificação do IFILP  unifica a funcionalidade para usuários
> portugueses e brasileiros o que é sempre desejável sobre o aspecto
> linguístico estabelecendo, mais uma vez, o BrOffice.org/OpenOffice.org
> como um software coerente com a correção do idioma;
>
> 2) a funcionalidade deverá, neste caso, ser renomeada de "Substituir
> 1o... por 1º..." para "Substituir 1.o... por 1.º...";
>
> 3) fica estabelecida uma diferença entre o uso da função no Writer e
> no Word, com as suas implicações naturais na utilização pelo usuário,
> visto que em geral, é usada a notação 1º/1ª;
>
> 4) o uso do caracter º (U+00BA) ainda é preferencial quando ao uso do
> caractere o (U+006F) elevado como sobrescrito, pelo menos, obviamente,
> para o singular. Como bem observou o Olivier, o uso do caractere o
> (U+006F) elevado como sobrescrito é prejudicado caso o usuário
> modifique sua configuração de estilo de parágrafo. Nesse caso, o
> usuário corre o risco de transformar 1.o em 1.o simplesmente com a
> aplicação de um estilo ou com a eliminação da formatação direta
> (sobrescrito) com o uso da função Formatar > Formatação padrão
> (Ctrl+M). Ou seja, ao aplicar uma ação de formatação, o usuário perde
> a funcionalidade da abreviatura automática.
>
> 5) A funcionalidade de abreviação existente através da substitução
> direta em Ferramentas > Opções de autocorreção > guia Substituir
> deverá ser reavaliada (substituições de a. e o.  por ª e º ).
>
>
>
>
> 4) Os novos encaminhamentos
>
> Como pode ser visto, há uma série de considerações a fazer e
> contribuições para essa especificação são bem-vindas. Qualquer
> contribuição para chegarmos a uma especificação definitiva da função
> para o nosso idioma será considerada. Esperarei contribuições até a
> primeira semana de dezembro/09 para, então, repassarmos uma posição
> definitiva para o projeto internacional.
>
> ---------------------------------------------------------------------
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>
>

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