Olá colegas. Quero compartilhar o resultado de duas entrevistas que tive o
prazer de conceder, durante essa semana, sobre a informática educativa..
Quero compartilhar com vocês, para ver se viajei demais.
Gostaria de ter a opinião de vocês.

ENTREVISTA 1

*Questão 1) Você acha importante a informática no currículo escolar?*
Essa pergunta é bem complexa e tem gerado muitas discussões. Temos vistos
que algumas cidades tem colocado a informática como componente curricular.
Pessoalmente penso que quando colocamos a informática como componente
curricular, estamos correndo o risco de perder muito do potencial que a
informática tem enquanto linguagem, enquanto espaço de aprendizagem. Então,
sou da opinião que a informática é uma possibilidade, nunca antes vista, de
ampliar, re-significarmos a prática educativa. Cabe colocar também, que
quando pensamos em informática na educação não falamos em ensinar a criança
que o word ou Writer servem para escrever textos, mas falamos de um ambiente
de aprendizagem, falamos de hipertexto, hipermídia, de redes de
conhecimentos e relações, das dimensões potencializadores das comunidades
virtuais. E muitas dessas coisas não fazem parte do currículo da escola.

*Questão 2) Onde você baseia-se para a elaboração de um plano de aula?*
Parece-me que essa pergunta carrega um ar de provocação. Onde um professor
se baseia para pensar sua aula? Bom, essa é uma pergunta que todos os
professores devem fazer, inclusive os professores de informática. Pois bem,
geralmente os professores de informática trabalham em conjunto com os
professores titulares da turma, mas isso é uma opção. Então a aula de
informática, pelo menos aqui em Ivoti, é pensada junto com o professor
titular da turma. O planejamento é colaborativo. Sempre pensamos em uma
forma de aproveitar o potencial da informática. Vamos pegar um exemplo: O
professor da 4 ª série está trabalhando o tema água, aí pensamos como fazer
um trabalho significativo envolvendo a informática de forma significativa.
Podemos criar um vídeo documentando pesquisa, saídas de campo. Podemos criar
um blog para compartilhar nossas descobertas com outras turmas, de alguma
outra escola. Temos uma rede de informações incrível que é a internet, mas
precisamos pensar bem como vamos utilizá-la. Temos sites com informações
atualizadas, com vídeos, áudios. Então temos um mundo de possibilidades de
fazer um trabalho muito significativa e potencializador de aprendizagens,
utilizando a informática não só como um recurso, mas como uma linguagem que
amplia as relações que matemos com o conhecimento. E aí por de trás de todo
esse trabalho existe sempre uma fundamentação teórica. Autores como Papert,
Piaget, Vygotsky, Freire, e uma gama enorme de estudos recentes que vem
apontando para o potencial da linguagem digital.

*Questão 3) Na sua percepção, a partir de que idade é importante a iniciação
na informática?*
Fico pensando o que se entende por iniciação. Desde que as crianças nascem
elas já tem iniciação frente ao mundo da informática, frente ao mundo
digital, basta olharmos para a sala de parto e pós-parto. Mas, pegando um
exemplo mais concreto, basta olharmos como as crianças brincam com os
computadores que são colocados geralmente nas brinquedotecas, ou nas salas
de educação infantil. Observem bem como elas percebem o computador, como
elas o usam, quantas representações sociais estão presentes nessas
brincadeiras. Isso no meu ponto de vista é uma iniciação muito
significativa, pois a criança está fazendo uma leitura do mundo, ela percebe
que essa "máquina" (não gosto muito do termo máquina") é muito importante.
Vale a pena fazer esse exercício. Então é difícil dizer qual a idade mais
adequada de inciar. Acredito que a questão que devemos investigar é como
essa iniciação é feita, como deve ser feita, se é que precisa ser "feita.
Arrisco até dizer que não somos mais nós que fizemos essa iniciação frente
ao mundo digital, pois de certa forma para abrir os olhos. E olhando para a
prática, tenho alunos de três anos que pilotam a parte máquina do computador
com uma desenvultura incrível. Então o que precisa ser minha preocupação é o
desenvolvimento cognitivo dessa criança, como vou fazer para que essa
informática seja educativa, seja significativa, potencializadora de
aprendizagens para essa criança.

*Questão 4) Que importância você dá para a informática?*
Penso que já é possível perceber a minha visão de informática educativa, nas
questões anteriores. Mas, acho que ainda cabem algumas colocações. Penso que
a escola ainda está distante da dinâmica da sociedade do século XXI. Então
vejo a informática como uma grande possibilidade de repensarmos a educação,
a escola, a maneira como aprendemos. Vale a pena ler o livro do Hugo
Assmann, Redes Digitais e Metamorfose do Aprender.


 ENTREVISTA 2

Questão 1) Quanto tempo trabalha na área de informática, qual é sua
formação?

Primeiro gostaria de colocar que é um prazer estar concedendo esta
entrevista. Pois bem, já trabalho com informática na educação desde 2006.
Bom, quanto a formação, iniciei fazendo o curso Técnico em Informática
Educativa no Instituto de Educação Ivoti, fiz uma extensão universitária em
Robótica Educativa pelo ISEI. Em 2007, fiz um curso de Qualificação
profissional na FACCAT de Taquara, essa qualificação foi muito importante
pois ela tratava de informática educativa com ênfase na utilização do
Software Livre na Educação. E atualmente estou cursando Pedagogia no ISEI.

Questão 2) Qual a idade de crianças com as quais trabalha?

Atualmente trabalho com crianças de 4 anos à 15 anos. Mas, já trabalhei com
terceira idade e projetos de inclusão digital.

Questão 3) Que metodologia você utiliza a informática dentro da sala de
aula?

É uma pergunta interessante. O trabalho está sempre baseado na perspectiva
de envolver os alunos em projetos coletivos, que envolvam criação e
compartilhamento. A aula Magna, baseada na linearidade e na estruturação
total, onde nada está fora de ordem, não funciona com informática e sua
dinâmica. Ou melhor, a aula Magna limita o potencial de uma aula envolvendo
a informática. Pois a informática trabalha com uma outra dinâmica, a
dinâmica rizomática, dos rizomas, da desordem, da busca, do movimento. Isso
não quer dizer que a aula seja uma bagunça, um caos, mas sim quer dizer que
a aula envolve movimento, investigação, relações. Envolve as multimídias
audivisuais, os hipertextos, envolve o um movimento cognitivo intenso. E o
papel do professor é muito importante nessa dinãmica de trabalho, pois ele
faz a mediação, cria as situações, os momentos de trocas em grupos, os
momentos individuais, os momentos de compartilhamento. Por isso, tenho
afirmado que nessa nova dinâmica da sociedade do século XXI, da era das
redes, aprender não é mais um movimento solitário e silencioso, aprender
passou a exigir movimento, tornou-se algo constante e colaborativo. Acredito
muito nessa perspectiva. Pois bem, essa é metodologia que utilizamos nas
aulas de informática. Uma metodologia mais dinâmica, flexível, reflexiva.
Muitos ainda pensam que isso é bagunça e não aula. Aí fico pensando será que
a aula bagunça, mas bagunça construtiva, com muitos movimentos de relações
de trocas, de dúvidas, de investigações, é mais cosntrutiva do que a aula
baseada no "domínio da turma", do silêncio.

Questão 4) De que forma você utiliza a informática dentro da sala de aula,
no processo de ensino aprendizagem?

Acredito que boa parte dessa pergunta já foi respondida na questão anterior,
mas tem algumas questões que são interessantes. Quando olhamos para a
informática dentro da escola, infelizmente percebemos que ela está limitada
ao laboratório de informática. Então, muitas vezes, só se usa informática na
aula de informática, que é geralmente uma vez por semana. Aí temos um
problema. Como tornar esse uso significativo, se vamos apenas uma vez por
semana para o laboratório? Por isso, temos enfatizado que precisamos romper
esse paradigma. Precisamos de uma espaço aberto, que possibilite movimentos
de acesso livre. Ainda não temos condições, mas é importante começar a
reforçar a ideia de termos a informática dentro da sala de aula. Acredito
que a informática precisa estar presente no planejamento dos professores, na
prática diária. Pois a informática é uma possibilidade incrível de ampliar
horizontes, potencializar aprendizagens, resignificando a prática educativa.
E quando você coloca a dimensão do processo de ensino-aprendizagem,
precisamos colocar a dimensão do hipertexto, do virtual, das comunidades,
das hipermídias, da colaboratividade, da inventividade, das relações que a
informática traz para potencializar o processo de ensino-aprendizagem. Para
citar alguns exemplos: temos utilizados blogs, para fomentar a inteligência
coeltiva, por meio de construções coletivas via blogs e Avas, videos
documentários registrando pesquisas, desenvolvendo softwares para registrar
e resignificar conhecimentos, explorando o mundo audivisual trabalhando
sensibilidade, e ainda utilizando a internet como uma grande fonte de
informações atualizadas e de possibilidades interativas. Bom acredito que é
por esse caminho que estamos "desenhando" o nosso trabalho aqui na rede de
Ivoti.

Questão 5) Quais benefícios o uso da informática trás para a educação? Quem
é beneficiado com isso? Por quê?

Bom, novamente, acredito que já respondi boa parte da dimensão presente aqui
nessa pergunta. mas me chama atenção o fato de você perguntar quem é o
beneficiado. Todos são beneficiados. Não só a escola, mas toda a sociedade,
pois a escola tem a chance de se aproximar da dinâmica da nova sociedade das
redes que vem se configurando no século XXI. Mas, penso ser importante
colcoar que esse benefício só vai se efetivar se a escola souber fazer um
trabalho significativo com a informática, rompendo os traços da linearidade
e da perspectiva do aprender em silêncio, ultrapassando a dimensão da aula
magna. Pois bem, tendo consciência da responsabilidade que temos como
educadores, podemos dizer que todos são benificiados. Professores são
beneficiados pois a informática oferece uma oportunidade incrível de ampliar
e resignificar a sua prática pedagógica. O aluno tem a possibilidade de se
envolver em projetos colaborativos, tem a possibilidade de criar e re-criar
usando tecnologias do seu tempo e muito mais dependendo do trabalho do
professor.
Então, os benefícios vão depender do uso que será feito.

Questão 6) A gente sabe que a informática aproxima alunos e professores com
as trocas de experiências e informações. Como você aproveita estas
informações que são trazidas para dentro da sala de aula?

Bem, essa pergunta nos leva a uma discussão bem interessante, complexa e
extensa, que nos provoca a refletir sobre metodologias que usamos. Mas,
quero aproveitar e pegar um outro caminho que considero importante que é a
dimensão do professor nesse contexto. Bom, então temos um universo de
informações, que não tem fim, que cresce a cada dia, mas como lidamos com
essas informações é de fato a questão chave. Como enfatizei nas perguntas
anteriores, somos nós professores a peça chave para uma informática
educativa significativa potencializadora. O professor precisa ensinar seus
alunos a ter critérios, essa é a grande questão que precisamos discutir.
Quais são os critérios que utilizamos para avaliar as informações. Como
estabelecemos esses critérios? É uma dimensão bem complexa, mas necessária,
urgente. Se conseguirmos trabalhar na perspectiva de ajudar nosso aluno a
ter critérios, estaremos dando um passo muito importante para umt rabalho
significativo. Temos na teoria de Ausebel uma dimensão que pode nos ajudar,
que é a aprendizagem significativa. Ausebel e Novak estão no raíz da ideia
dos mapas conceituais. Tenho visto estudos muito interessantes sobre o uso
de mapas conceituais para fomentar pesquisas na internet e a criação de
critérios para slecionar informações. Numa perspectiva mais metodológica
temos as Webquest como uma metodologia poderosa para fomentar a criação de
critérios para pesquisas na Internet e outros meios de informação. Ou seja,
já tem muita gente criando e propondo estratégias para uma aprendizagem que
fomente a criação de crtérios. E novamente o professor é muito importante
para que a efetivação de um processo de ensino que promova a criação de
critérios.


Foi um prazer conceder essa entrevista, e espero que eu tenho contribuido um
pouco para essa discussão tão importante que envolve a informática
educativa.
Abraços, Luis.



-- 
Att.
Prof. Téc. Luís C.
Blog: http://baguncacognitiva.blogspot.com
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