Slomp e Jenny. Agradeço muito as colocações e observações de vocês. Quase morri de medo para responder essas questões. A primeira vez é sempre assim.
Forte abraço. 2009/12/4 Paulo Francisco Slomp <[email protected]> > > Oi Luis > > Parabéns pelas tuas respostas nas entrevistas. > > Gostei bastante da tua reposta na questão 3 da segunda entrevista (aula > ativa, com aparência de bagunça). > > E também gostei da resposta na questão 6 da segunda entrevista, abordando a > questão dos critérios de avaliação das informações que encontramos na > Internet. > > Abraços! > > _______________________________________ > Paulo Francisco Slomp > http://www.ufrgs.br/psicoeduc > [email protected] > Acionado com Software Livre > http://www.ufrgs.br/soft-livre-edu > > > Jenny Horta escreveu: > >> Oi Luis! Se você viajou, acho que estamos no mesmo voo!! Adorei. penso que >> é por aí mesmo o caminho. Principalmente quando diz /"pois a criança está >> fazendo uma leitura do mundo, ela percebe que essa "máquina" (não gosto >> muito do termo máquina") é muito importante" >> /Percebo que, começando bem cedo, com um uso direcionado e voltado para a >> construção de significados e conhecimento, o uso do computador oferece uma >> nova "janela" para ampliar a leitura de mundo e o letramento das crianças. >> Elas não verão, aos 15 ou 20 anos, o computador como um brinquedinho de >> adolescente apenas para bater papo ou postar abobrinha no orkut. Usarão de >> forma muito mais natural e intuitiva, as ferramentas disponíveis, a web2.0 >> etc, de forma mais consciente e valiosa. >> Meu filho caçula (7 anos) foi alfabetizado em frente ao PC... manuseia-o >> com mais desenvoltura (resguardado as proporções, claro) que o de 23 anos. >> Talvez seja uma teoria louca, mas, observo gradativamente esta evolução em >> geral nas crianças do meu pequeno universo de trabalho. >> Será que estou enganada? >> / >> /Jenny Horta >> http://melhorart.blogspot.com >> http://escolaedificar.blogspot.com >> Linux user:#474916 >> Ubuntu user: #23036 >> >> >> Luis Dhein escreveu: >> >>> Olá colegas. Quero compartilhar o resultado de duas entrevistas que tive >>> o prazer de conceder, durante essa semana, sobre a informática educativa.. >>> Quero compartilhar com vocês, para ver se viajei demais. >>> Gostaria de ter a opinião de vocês. >>> >>> ENTREVISTA 1 >>> >>> *Questão 1) Você acha importante a informática no currículo escolar?* >>> Essa pergunta é bem complexa e tem gerado muitas discussões. Temos vistos >>> que algumas cidades tem colocado a informática como componente curricular. >>> Pessoalmente penso que quando colocamos a informática como componente >>> curricular, estamos correndo o risco de perder muito do potencial que a >>> informática tem enquanto linguagem, enquanto espaço de aprendizagem. Então, >>> sou da opinião que a informática é uma possibilidade, nunca antes vista, de >>> ampliar, re-significarmos a prática educativa. Cabe colocar também, que >>> quando pensamos em informática na educação não falamos em ensinar a criança >>> que o word ou Writer servem para escrever textos, mas falamos de um ambiente >>> de aprendizagem, falamos de hipertexto, hipermídia, de redes de >>> conhecimentos e relações, das dimensões potencializadores das comunidades >>> virtuais. E muitas dessas coisas não fazem parte do currículo da escola. >>> >>> *Questão 2) Onde você baseia-se para a elaboração de um plano de aula?* >>> Parece-me que essa pergunta carrega um ar de provocação. Onde um >>> professor se baseia para pensar sua aula? Bom, essa é uma pergunta que todos >>> os professores devem fazer, inclusive os professores de informática. Pois >>> bem, geralmente os professores de informática trabalham em conjunto com os >>> professores titulares da turma, mas isso é uma opção. Então a aula de >>> informática, pelo menos aqui em Ivoti, é pensada junto com o professor >>> titular da turma. O planejamento é colaborativo. Sempre pensamos em uma >>> forma de aproveitar o potencial da informática. Vamos pegar um exemplo: O >>> professor da 4 ª série está trabalhando o tema água, aí pensamos como fazer >>> um trabalho significativo envolvendo a informática de forma significativa. >>> Podemos criar um vídeo documentando pesquisa, saídas de campo. Podemos criar >>> um blog para compartilhar nossas descobertas com outras turmas, de alguma >>> outra escola. Temos uma rede de informações incrível que é a internet, mas >>> precisamos pensar bem como vamos utilizá-la. Temos sites com informações >>> atualizadas, com vídeos, áudios. Então temos um mundo de possibilidades de >>> fazer um trabalho muito significativa e potencializador de aprendizagens, >>> utilizando a informática não só como um recurso, mas como uma linguagem que >>> amplia as relações que matemos com o conhecimento. E aí por de trás de todo >>> esse trabalho existe sempre uma fundamentação teórica. Autores como Papert, >>> Piaget, Vygotsky, Freire, e uma gama enorme de estudos recentes que vem >>> apontando para o potencial da linguagem digital. >>> >>> *Questão 3) Na sua percepção, a partir de que idade é importante a >>> iniciação na informática?* >>> Fico pensando o que se entende por iniciação. Desde que as crianças >>> nascem elas já tem iniciação frente ao mundo da informática, frente ao mundo >>> digital, basta olharmos para a sala de parto e pós-parto. Mas, pegando um >>> exemplo mais concreto, basta olharmos como as crianças brincam com os >>> computadores que são colocados geralmente nas brinquedotecas, ou nas salas >>> de educação infantil. Observem bem como elas percebem o computador, como >>> elas o usam, quantas representações sociais estão presentes nessas >>> brincadeiras. Isso no meu ponto de vista é uma iniciação muito >>> significativa, pois a criança está fazendo uma leitura do mundo, ela percebe >>> que essa "máquina" (não gosto muito do termo máquina") é muito importante. >>> Vale a pena fazer esse exercício. Então é difícil dizer qual a idade mais >>> adequada de inciar. Acredito que a questão que devemos investigar é como >>> essa iniciação é feita, como deve ser feita, se é que precisa ser "feita. >>> Arrisco até dizer que não somos mais nós que fizemos essa iniciação frente >>> ao mundo digital, pois de certa forma para abrir os olhos. E olhando para a >>> prática, tenho alunos de três anos que pilotam a parte máquina do computador >>> com uma desenvultura incrível. Então o que precisa ser minha preocupação é o >>> desenvolvimento cognitivo dessa criança, como vou fazer para que essa >>> informática seja educativa, seja significativa, potencializadora de >>> aprendizagens para essa criança. >>> >>> *Questão 4) Que importância você dá para a informática?* >>> Penso que já é possível perceber a minha visão de informática educativa, >>> nas questões anteriores. Mas, acho que ainda cabem algumas colocações. Penso >>> que a escola ainda está distante da dinâmica da sociedade do século XXI. >>> Então vejo a informática como uma grande possibilidade de repensarmos a >>> educação, a escola, a maneira como aprendemos. Vale a pena ler o livro do >>> Hugo Assmann, Redes Digitais e Metamorfose do Aprender. >>> >>> >>> ENTREVISTA 2 >>> >>> Questão 1) Quanto tempo trabalha na área de informática, qual é sua >>> formação? >>> >>> Primeiro gostaria de colocar que é um prazer estar concedendo esta >>> entrevista. Pois bem, já trabalho com informática na educação desde 2006. >>> Bom, quanto a formação, iniciei fazendo o curso Técnico em Informática >>> Educativa no Instituto de Educação Ivoti, fiz uma extensão universitária em >>> Robótica Educativa pelo ISEI. Em 2007, fiz um curso de Qualificação >>> profissional na FACCAT de Taquara, essa qualificação foi muito importante >>> pois ela tratava de informática educativa com ênfase na utilização do >>> Software Livre na Educação. E atualmente estou cursando Pedagogia no ISEI. >>> >>> Questão 2) Qual a idade de crianças com as quais trabalha? >>> >>> Atualmente trabalho com crianças de 4 anos à 15 anos. Mas, já trabalhei >>> com terceira idade e projetos de inclusão digital. >>> >>> Questão 3) Que metodologia você utiliza a informática dentro da sala de >>> aula? >>> >>> É uma pergunta interessante. O trabalho está sempre baseado na >>> perspectiva de envolver os alunos em projetos coletivos, que envolvam >>> criação e compartilhamento. A aula Magna, baseada na linearidade e na >>> estruturação total, onde nada está fora de ordem, não funciona com >>> informática e sua dinâmica. Ou melhor, a aula Magna limita o potencial de >>> uma aula envolvendo a informática. Pois a informática trabalha com uma outra >>> dinâmica, a dinâmica rizomática, dos rizomas, da desordem, da busca, do >>> movimento. Isso não quer dizer que a aula seja uma bagunça, um caos, mas sim >>> quer dizer que a aula envolve movimento, investigação, relações. Envolve as >>> multimídias audivisuais, os hipertextos, envolve o um movimento cognitivo >>> intenso. E o papel do professor é muito importante nessa dinãmica de >>> trabalho, pois ele faz a mediação, cria as situações, os momentos de trocas >>> em grupos, os momentos individuais, os momentos de compartilhamento. Por >>> isso, tenho afirmado que nessa nova dinâmica da sociedade do século XXI, da >>> era das redes, aprender não é mais um movimento solitário e silencioso, >>> aprender passou a exigir movimento, tornou-se algo constante e colaborativo. >>> Acredito muito nessa perspectiva. Pois bem, essa é metodologia que >>> utilizamos nas aulas de informática. Uma metodologia mais dinâmica, >>> flexível, reflexiva. Muitos ainda pensam que isso é bagunça e não aula. Aí >>> fico pensando será que a aula bagunça, mas bagunça construtiva, com muitos >>> movimentos de relações de trocas, de dúvidas, de investigações, é mais >>> cosntrutiva do que a aula baseada no "domínio da turma", do silêncio. >>> >>> Questão 4) De que forma você utiliza a informática dentro da sala de >>> aula, no processo de ensino aprendizagem? >>> >>> Acredito que boa parte dessa pergunta já foi respondida na questão >>> anterior, mas tem algumas questões que são interessantes. Quando olhamos >>> para a informática dentro da escola, infelizmente percebemos que ela está >>> limitada ao laboratório de informática. Então, muitas vezes, só se usa >>> informática na aula de informática, que é geralmente uma vez por semana. Aí >>> temos um problema. Como tornar esse uso significativo, se vamos apenas uma >>> vez por semana para o laboratório? Por isso, temos enfatizado que precisamos >>> romper esse paradigma. Precisamos de uma espaço aberto, que possibilite >>> movimentos de acesso livre. Ainda não temos condições, mas é importante >>> começar a reforçar a ideia de termos a informática dentro da sala de aula. >>> Acredito que a informática precisa estar presente no planejamento dos >>> professores, na prática diária. Pois a informática é uma possibilidade >>> incrível de ampliar horizontes, potencializar aprendizagens, resignificando >>> a prática educativa. E quando você coloca a dimensão do processo de >>> ensino-aprendizagem, precisamos colocar a dimensão do hipertexto, do >>> virtual, das comunidades, das hipermídias, da colaboratividade, da >>> inventividade, das relações que a informática traz para potencializar o >>> processo de ensino-aprendizagem. Para citar alguns exemplos: temos >>> utilizados blogs, para fomentar a inteligência coeltiva, por meio de >>> construções coletivas via blogs e Avas, videos documentários registrando >>> pesquisas, desenvolvendo softwares para registrar e resignificar >>> conhecimentos, explorando o mundo audivisual trabalhando sensibilidade, e >>> ainda utilizando a internet como uma grande fonte de informações atualizadas >>> e de possibilidades interativas. Bom acredito que é por esse caminho que >>> estamos "desenhando" o nosso trabalho aqui na rede de Ivoti. >>> >>> Questão 5) Quais benefícios o uso da informática trás para a educação? >>> Quem é beneficiado com isso? Por quê? >>> >>> Bom, novamente, acredito que já respondi boa parte da dimensão presente >>> aqui nessa pergunta. mas me chama atenção o fato de você perguntar quem é o >>> beneficiado. Todos são beneficiados. Não só a escola, mas toda a sociedade, >>> pois a escola tem a chance de se aproximar da dinâmica da nova sociedade das >>> redes que vem se configurando no século XXI. Mas, penso ser importante >>> colcoar que esse benefício só vai se efetivar se a escola souber fazer um >>> trabalho significativo com a informática, rompendo os traços da linearidade >>> e da perspectiva do aprender em silêncio, ultrapassando a dimensão da aula >>> magna. Pois bem, tendo consciência da responsabilidade que temos como >>> educadores, podemos dizer que todos são benificiados. Professores são >>> beneficiados pois a informática oferece uma oportunidade incrível de ampliar >>> e resignificar a sua prática pedagógica. O aluno tem a possibilidade de se >>> envolver em projetos colaborativos, tem a possibilidade de criar e re-criar >>> usando tecnologias do seu tempo e muito mais dependendo do trabalho do >>> professor. >>> Então, os benefícios vão depender do uso que será feito. >>> >>> Questão 6) A gente sabe que a informática aproxima alunos e professores >>> com as trocas de experiências e informações. Como você aproveita estas >>> informações que são trazidas para dentro da sala de aula? >>> >>> Bem, essa pergunta nos leva a uma discussão bem interessante, complexa e >>> extensa, que nos provoca a refletir sobre metodologias que usamos. Mas, >>> quero aproveitar e pegar um outro caminho que considero importante que é a >>> dimensão do professor nesse contexto. Bom, então temos um universo de >>> informações, que não tem fim, que cresce a cada dia, mas como lidamos com >>> essas informações é de fato a questão chave. Como enfatizei nas perguntas >>> anteriores, somos nós professores a peça chave para uma informática >>> educativa significativa potencializadora. O professor precisa ensinar seus >>> alunos a ter critérios, essa é a grande questão que precisamos discutir. >>> Quais são os critérios que utilizamos para avaliar as informações. Como >>> estabelecemos esses critérios? É uma dimensão bem complexa, mas necessária, >>> urgente. Se conseguirmos trabalhar na perspectiva de ajudar nosso aluno a >>> ter critérios, estaremos dando um passo muito importante para umt rabalho >>> significativo. Temos na teoria de Ausebel uma dimensão que pode nos ajudar, >>> que é a aprendizagem significativa. Ausebel e Novak estão no raíz da ideia >>> dos mapas conceituais. Tenho visto estudos muito interessantes sobre o uso >>> de mapas conceituais para fomentar pesquisas na internet e a criação de >>> critérios para slecionar informações. Numa perspectiva mais metodológica >>> temos as Webquest como uma metodologia poderosa para fomentar a criação de >>> critérios para pesquisas na Internet e outros meios de informação. Ou seja, >>> já tem muita gente criando e propondo estratégias para uma aprendizagem que >>> fomente a criação de crtérios. E novamente o professor é muito importante >>> para que a efetivação de um processo de ensino que promova a criação de >>> critérios. >>> >>> >>> Foi um prazer conceder essa entrevista, e espero que eu tenho contribuido >>> um pouco para essa discussão tão importante que envolve a informática >>> educativa. >>> Abraços, Luis. >>> >>> >>> >>> -- >>> Att. >>> Prof. Téc. Luís C. >>> Blog: http://baguncacognitiva.blogspot.com >>> ------------------------------------------------------------------------ >>> >>> _______________________________________________ >>> Geral mailing list >>> [email protected] >>> http://listas.sleducacional.org/listinfo.cgi/geral-sleducacional.org >>> >>> >> >> >> ------------------------------------------------------------------------ >> >> >> _______________________________________________ >> Geral mailing list >> [email protected] >> http://listas.sleducacional.org/listinfo.cgi/geral-sleducacional.org >> > > _______________________________________________ > Geral mailing list > [email protected] > http://listas.sleducacional.org/listinfo.cgi/geral-sleducacional.org > -- Att. Prof. Téc. Luís C. Blog: http://baguncacognitiva.blogspot.com
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