Oi Luis
Parabéns pelas tuas respostas nas entrevistas.
Gostei bastante da tua reposta na questão 3 da segunda entrevista (aula
ativa, com aparência de bagunça).
E também gostei da resposta na questão 6 da segunda entrevista,
abordando a questão dos critérios de avaliação das informações que
encontramos na Internet.
Abraços!
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Paulo Francisco Slomp
http://www.ufrgs.br/psicoeduc
[email protected]
Acionado com Software Livre
http://www.ufrgs.br/soft-livre-edu
Jenny Horta escreveu:
Oi Luis! Se você viajou, acho que estamos no mesmo voo!! Adorei. penso
que é por aí mesmo o caminho. Principalmente quando diz /"pois a criança
está fazendo uma leitura do mundo, ela percebe que essa "máquina" (não
gosto muito do termo máquina") é muito importante"
/Percebo que, começando bem cedo, com um uso direcionado e voltado para
a construção de significados e conhecimento, o uso do computador oferece
uma nova "janela" para ampliar a leitura de mundo e o letramento das
crianças. Elas não verão, aos 15 ou 20 anos, o computador como um
brinquedinho de adolescente apenas para bater papo ou postar abobrinha
no orkut. Usarão de forma muito mais natural e intuitiva, as ferramentas
disponíveis, a web2.0 etc, de forma mais consciente e valiosa.
Meu filho caçula (7 anos) foi alfabetizado em frente ao PC... manuseia-o
com mais desenvoltura (resguardado as proporções, claro) que o de 23
anos. Talvez seja uma teoria louca, mas, observo gradativamente esta
evolução em geral nas crianças do meu pequeno universo de trabalho.
Será que estou enganada?
/
/Jenny Horta
http://melhorart.blogspot.com
http://escolaedificar.blogspot.com
Linux user:#474916
Ubuntu user: #23036
Luis Dhein escreveu:
Olá colegas. Quero compartilhar o resultado de duas entrevistas que
tive o prazer de conceder, durante essa semana, sobre a informática
educativa..
Quero compartilhar com vocês, para ver se viajei demais.
Gostaria de ter a opinião de vocês.
ENTREVISTA 1
*Questão 1) Você acha importante a informática no currículo escolar?*
Essa pergunta é bem complexa e tem gerado muitas discussões. Temos
vistos que algumas cidades tem colocado a informática como componente
curricular. Pessoalmente penso que quando colocamos a informática como
componente curricular, estamos correndo o risco de perder muito do
potencial que a informática tem enquanto linguagem, enquanto espaço de
aprendizagem. Então, sou da opinião que a informática é uma
possibilidade, nunca antes vista, de ampliar, re-significarmos a
prática educativa. Cabe colocar também, que quando pensamos em
informática na educação não falamos em ensinar a criança que o word ou
Writer servem para escrever textos, mas falamos de um ambiente de
aprendizagem, falamos de hipertexto, hipermídia, de redes de
conhecimentos e relações, das dimensões potencializadores das
comunidades virtuais. E muitas dessas coisas não fazem parte do
currículo da escola.
*Questão 2) Onde você baseia-se para a elaboração de um plano de aula?*
Parece-me que essa pergunta carrega um ar de provocação. Onde um
professor se baseia para pensar sua aula? Bom, essa é uma pergunta que
todos os professores devem fazer, inclusive os professores de
informática. Pois bem, geralmente os professores de informática
trabalham em conjunto com os professores titulares da turma, mas isso
é uma opção. Então a aula de informática, pelo menos aqui em Ivoti, é
pensada junto com o professor titular da turma. O planejamento é
colaborativo. Sempre pensamos em uma forma de aproveitar o potencial
da informática. Vamos pegar um exemplo: O professor da 4 ª série está
trabalhando o tema água, aí pensamos como fazer um trabalho
significativo envolvendo a informática de forma significativa. Podemos
criar um vídeo documentando pesquisa, saídas de campo. Podemos criar
um blog para compartilhar nossas descobertas com outras turmas, de
alguma outra escola. Temos uma rede de informações incrível que é a
internet, mas precisamos pensar bem como vamos utilizá-la. Temos sites
com informações atualizadas, com vídeos, áudios. Então temos um mundo
de possibilidades de fazer um trabalho muito significativa e
potencializador de aprendizagens, utilizando a informática não só como
um recurso, mas como uma linguagem que amplia as relações que matemos
com o conhecimento. E aí por de trás de todo esse trabalho existe
sempre uma fundamentação teórica. Autores como Papert, Piaget,
Vygotsky, Freire, e uma gama enorme de estudos recentes que vem
apontando para o potencial da linguagem digital.
*Questão 3) Na sua percepção, a partir de que idade é importante a
iniciação na informática?*
Fico pensando o que se entende por iniciação. Desde que as crianças
nascem elas já tem iniciação frente ao mundo da informática, frente ao
mundo digital, basta olharmos para a sala de parto e pós-parto. Mas,
pegando um exemplo mais concreto, basta olharmos como as crianças
brincam com os computadores que são colocados geralmente nas
brinquedotecas, ou nas salas de educação infantil. Observem bem como
elas percebem o computador, como elas o usam, quantas representações
sociais estão presentes nessas brincadeiras. Isso no meu ponto de
vista é uma iniciação muito significativa, pois a criança está fazendo
uma leitura do mundo, ela percebe que essa "máquina" (não gosto muito
do termo máquina") é muito importante. Vale a pena fazer esse
exercício. Então é difícil dizer qual a idade mais adequada de inciar.
Acredito que a questão que devemos investigar é como essa iniciação é
feita, como deve ser feita, se é que precisa ser "feita. Arrisco até
dizer que não somos mais nós que fizemos essa iniciação frente ao
mundo digital, pois de certa forma para abrir os olhos. E olhando para
a prática, tenho alunos de três anos que pilotam a parte máquina do
computador com uma desenvultura incrível. Então o que precisa ser
minha preocupação é o desenvolvimento cognitivo dessa criança, como
vou fazer para que essa informática seja educativa, seja
significativa, potencializadora de aprendizagens para essa criança.
*Questão 4) Que importância você dá para a informática?*
Penso que já é possível perceber a minha visão de informática
educativa, nas questões anteriores. Mas, acho que ainda cabem algumas
colocações. Penso que a escola ainda está distante da dinâmica da
sociedade do século XXI. Então vejo a informática como uma grande
possibilidade de repensarmos a educação, a escola, a maneira como
aprendemos. Vale a pena ler o livro do Hugo Assmann, Redes Digitais e
Metamorfose do Aprender.
ENTREVISTA 2
Questão 1) Quanto tempo trabalha na área de informática, qual é sua
formação?
Primeiro gostaria de colocar que é um prazer estar concedendo esta
entrevista. Pois bem, já trabalho com informática na educação desde
2006. Bom, quanto a formação, iniciei fazendo o curso Técnico em
Informática Educativa no Instituto de Educação Ivoti, fiz uma extensão
universitária em Robótica Educativa pelo ISEI. Em 2007, fiz um curso
de Qualificação profissional na FACCAT de Taquara, essa qualificação
foi muito importante pois ela tratava de informática educativa com
ênfase na utilização do Software Livre na Educação. E atualmente estou
cursando Pedagogia no ISEI.
Questão 2) Qual a idade de crianças com as quais trabalha?
Atualmente trabalho com crianças de 4 anos à 15 anos. Mas, já
trabalhei com terceira idade e projetos de inclusão digital.
Questão 3) Que metodologia você utiliza a informática dentro da sala
de aula?
É uma pergunta interessante. O trabalho está sempre baseado na
perspectiva de envolver os alunos em projetos coletivos, que envolvam
criação e compartilhamento. A aula Magna, baseada na linearidade e na
estruturação total, onde nada está fora de ordem, não funciona com
informática e sua dinâmica. Ou melhor, a aula Magna limita o potencial
de uma aula envolvendo a informática. Pois a informática trabalha com
uma outra dinâmica, a dinâmica rizomática, dos rizomas, da desordem,
da busca, do movimento. Isso não quer dizer que a aula seja uma
bagunça, um caos, mas sim quer dizer que a aula envolve movimento,
investigação, relações. Envolve as multimídias audivisuais, os
hipertextos, envolve o um movimento cognitivo intenso. E o papel do
professor é muito importante nessa dinãmica de trabalho, pois ele faz
a mediação, cria as situações, os momentos de trocas em grupos, os
momentos individuais, os momentos de compartilhamento. Por isso, tenho
afirmado que nessa nova dinâmica da sociedade do século XXI, da era
das redes, aprender não é mais um movimento solitário e silencioso,
aprender passou a exigir movimento, tornou-se algo constante e
colaborativo. Acredito muito nessa perspectiva. Pois bem, essa é
metodologia que utilizamos nas aulas de informática. Uma metodologia
mais dinâmica, flexível, reflexiva. Muitos ainda pensam que isso é
bagunça e não aula. Aí fico pensando será que a aula bagunça, mas
bagunça construtiva, com muitos movimentos de relações de trocas, de
dúvidas, de investigações, é mais cosntrutiva do que a aula baseada no
"domínio da turma", do silêncio.
Questão 4) De que forma você utiliza a informática dentro da sala de
aula, no processo de ensino aprendizagem?
Acredito que boa parte dessa pergunta já foi respondida na questão
anterior, mas tem algumas questões que são interessantes. Quando
olhamos para a informática dentro da escola, infelizmente percebemos
que ela está limitada ao laboratório de informática. Então, muitas
vezes, só se usa informática na aula de informática, que é geralmente
uma vez por semana. Aí temos um problema. Como tornar esse uso
significativo, se vamos apenas uma vez por semana para o laboratório?
Por isso, temos enfatizado que precisamos romper esse paradigma.
Precisamos de uma espaço aberto, que possibilite movimentos de acesso
livre. Ainda não temos condições, mas é importante começar a reforçar
a ideia de termos a informática dentro da sala de aula. Acredito que a
informática precisa estar presente no planejamento dos professores, na
prática diária. Pois a informática é uma possibilidade incrível de
ampliar horizontes, potencializar aprendizagens, resignificando a
prática educativa. E quando você coloca a dimensão do processo de
ensino-aprendizagem, precisamos colocar a dimensão do hipertexto, do
virtual, das comunidades, das hipermídias, da colaboratividade, da
inventividade, das relações que a informática traz para potencializar
o processo de ensino-aprendizagem. Para citar alguns exemplos: temos
utilizados blogs, para fomentar a inteligência coeltiva, por meio de
construções coletivas via blogs e Avas, videos documentários
registrando pesquisas, desenvolvendo softwares para registrar e
resignificar conhecimentos, explorando o mundo audivisual trabalhando
sensibilidade, e ainda utilizando a internet como uma grande fonte de
informações atualizadas e de possibilidades interativas. Bom acredito
que é por esse caminho que estamos "desenhando" o nosso trabalho aqui
na rede de Ivoti.
Questão 5) Quais benefícios o uso da informática trás para a educação?
Quem é beneficiado com isso? Por quê?
Bom, novamente, acredito que já respondi boa parte da dimensão
presente aqui nessa pergunta. mas me chama atenção o fato de você
perguntar quem é o beneficiado. Todos são beneficiados. Não só a
escola, mas toda a sociedade, pois a escola tem a chance de se
aproximar da dinâmica da nova sociedade das redes que vem se
configurando no século XXI. Mas, penso ser importante colcoar que esse
benefício só vai se efetivar se a escola souber fazer um trabalho
significativo com a informática, rompendo os traços da linearidade e
da perspectiva do aprender em silêncio, ultrapassando a dimensão da
aula magna. Pois bem, tendo consciência da responsabilidade que temos
como educadores, podemos dizer que todos são benificiados. Professores
são beneficiados pois a informática oferece uma oportunidade incrível
de ampliar e resignificar a sua prática pedagógica. O aluno tem a
possibilidade de se envolver em projetos colaborativos, tem a
possibilidade de criar e re-criar usando tecnologias do seu tempo e
muito mais dependendo do trabalho do professor.
Então, os benefícios vão depender do uso que será feito.
Questão 6) A gente sabe que a informática aproxima alunos e
professores com as trocas de experiências e informações. Como você
aproveita estas informações que são trazidas para dentro da sala de aula?
Bem, essa pergunta nos leva a uma discussão bem interessante, complexa
e extensa, que nos provoca a refletir sobre metodologias que usamos.
Mas, quero aproveitar e pegar um outro caminho que considero
importante que é a dimensão do professor nesse contexto. Bom, então
temos um universo de informações, que não tem fim, que cresce a cada
dia, mas como lidamos com essas informações é de fato a questão chave.
Como enfatizei nas perguntas anteriores, somos nós professores a peça
chave para uma informática educativa significativa potencializadora. O
professor precisa ensinar seus alunos a ter critérios, essa é a grande
questão que precisamos discutir. Quais são os critérios que utilizamos
para avaliar as informações. Como estabelecemos esses critérios? É uma
dimensão bem complexa, mas necessária, urgente. Se conseguirmos
trabalhar na perspectiva de ajudar nosso aluno a ter critérios,
estaremos dando um passo muito importante para umt rabalho
significativo. Temos na teoria de Ausebel uma dimensão que pode nos
ajudar, que é a aprendizagem significativa. Ausebel e Novak estão no
raíz da ideia dos mapas conceituais. Tenho visto estudos muito
interessantes sobre o uso de mapas conceituais para fomentar pesquisas
na internet e a criação de critérios para slecionar informações. Numa
perspectiva mais metodológica temos as Webquest como uma metodologia
poderosa para fomentar a criação de critérios para pesquisas na
Internet e outros meios de informação. Ou seja, já tem muita gente
criando e propondo estratégias para uma aprendizagem que fomente a
criação de crtérios. E novamente o professor é muito importante para
que a efetivação de um processo de ensino que promova a criação de
critérios.
Foi um prazer conceder essa entrevista, e espero que eu tenho
contribuido um pouco para essa discussão tão importante que envolve a
informática educativa.
Abraços, Luis.
--
Att.
Prof. Téc. Luís C.
Blog: http://baguncacognitiva.blogspot.com
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