Oi Luis! Se você viajou, acho que estamos no mesmo voo!! Adorei. penso que é por aí mesmo o caminho. Principalmente quando diz /"pois a criança está fazendo uma leitura do mundo, ela percebe que essa "máquina" (não gosto muito do termo máquina") é muito importante" /Percebo que, começando bem cedo, com um uso direcionado e voltado para a construção de significados e conhecimento, o uso do computador oferece uma nova "janela" para ampliar a leitura de mundo e o letramento das crianças. Elas não verão, aos 15 ou 20 anos, o computador como um brinquedinho de adolescente apenas para bater papo ou postar abobrinha no orkut. Usarão de forma muito mais natural e intuitiva, as ferramentas disponíveis, a web2.0 etc, de forma mais consciente e valiosa. Meu filho caçula (7 anos) foi alfabetizado em frente ao PC... manuseia-o com mais desenvoltura (resguardado as proporções, claro) que o de 23 anos. Talvez seja uma teoria louca, mas, observo gradativamente esta evolução em geral nas crianças do meu pequeno universo de trabalho.
Será que estou enganada?
/
/Jenny Horta
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Luis Dhein escreveu:
Olá colegas. Quero compartilhar o resultado de duas entrevistas que tive o prazer de conceder, durante essa semana, sobre a informática educativa..
Quero compartilhar com vocês, para ver se viajei demais.
Gostaria de ter a opinião de vocês.

ENTREVISTA 1

*Questão 1) Você acha importante a informática no currículo escolar?*
Essa pergunta é bem complexa e tem gerado muitas discussões. Temos vistos que algumas cidades tem colocado a informática como componente curricular. Pessoalmente penso que quando colocamos a informática como componente curricular, estamos correndo o risco de perder muito do potencial que a informática tem enquanto linguagem, enquanto espaço de aprendizagem. Então, sou da opinião que a informática é uma possibilidade, nunca antes vista, de ampliar, re-significarmos a prática educativa. Cabe colocar também, que quando pensamos em informática na educação não falamos em ensinar a criança que o word ou Writer servem para escrever textos, mas falamos de um ambiente de aprendizagem, falamos de hipertexto, hipermídia, de redes de conhecimentos e relações, das dimensões potencializadores das comunidades virtuais. E muitas dessas coisas não fazem parte do currículo da escola.

*Questão 2) Onde você baseia-se para a elaboração de um plano de aula?*
Parece-me que essa pergunta carrega um ar de provocação. Onde um professor se baseia para pensar sua aula? Bom, essa é uma pergunta que todos os professores devem fazer, inclusive os professores de informática. Pois bem, geralmente os professores de informática trabalham em conjunto com os professores titulares da turma, mas isso é uma opção. Então a aula de informática, pelo menos aqui em Ivoti, é pensada junto com o professor titular da turma. O planejamento é colaborativo. Sempre pensamos em uma forma de aproveitar o potencial da informática. Vamos pegar um exemplo: O professor da 4 ª série está trabalhando o tema água, aí pensamos como fazer um trabalho significativo envolvendo a informática de forma significativa. Podemos criar um vídeo documentando pesquisa, saídas de campo. Podemos criar um blog para compartilhar nossas descobertas com outras turmas, de alguma outra escola. Temos uma rede de informações incrível que é a internet, mas precisamos pensar bem como vamos utilizá-la. Temos sites com informações atualizadas, com vídeos, áudios. Então temos um mundo de possibilidades de fazer um trabalho muito significativa e potencializador de aprendizagens, utilizando a informática não só como um recurso, mas como uma linguagem que amplia as relações que matemos com o conhecimento. E aí por de trás de todo esse trabalho existe sempre uma fundamentação teórica. Autores como Papert, Piaget, Vygotsky, Freire, e uma gama enorme de estudos recentes que vem apontando para o potencial da linguagem digital.

*Questão 3) Na sua percepção, a partir de que idade é importante a iniciação na informática?* Fico pensando o que se entende por iniciação. Desde que as crianças nascem elas já tem iniciação frente ao mundo da informática, frente ao mundo digital, basta olharmos para a sala de parto e pós-parto. Mas, pegando um exemplo mais concreto, basta olharmos como as crianças brincam com os computadores que são colocados geralmente nas brinquedotecas, ou nas salas de educação infantil. Observem bem como elas percebem o computador, como elas o usam, quantas representações sociais estão presentes nessas brincadeiras. Isso no meu ponto de vista é uma iniciação muito significativa, pois a criança está fazendo uma leitura do mundo, ela percebe que essa "máquina" (não gosto muito do termo máquina") é muito importante. Vale a pena fazer esse exercício. Então é difícil dizer qual a idade mais adequada de inciar. Acredito que a questão que devemos investigar é como essa iniciação é feita, como deve ser feita, se é que precisa ser "feita. Arrisco até dizer que não somos mais nós que fizemos essa iniciação frente ao mundo digital, pois de certa forma para abrir os olhos. E olhando para a prática, tenho alunos de três anos que pilotam a parte máquina do computador com uma desenvultura incrível. Então o que precisa ser minha preocupação é o desenvolvimento cognitivo dessa criança, como vou fazer para que essa informática seja educativa, seja significativa, potencializadora de aprendizagens para essa criança.

*Questão 4) Que importância você dá para a informática?*
Penso que já é possível perceber a minha visão de informática educativa, nas questões anteriores. Mas, acho que ainda cabem algumas colocações. Penso que a escola ainda está distante da dinâmica da sociedade do século XXI. Então vejo a informática como uma grande possibilidade de repensarmos a educação, a escola, a maneira como aprendemos. Vale a pena ler o livro do Hugo Assmann, Redes Digitais e Metamorfose do Aprender.


ENTREVISTA 2

Questão 1) Quanto tempo trabalha na área de informática, qual é sua formação?

Primeiro gostaria de colocar que é um prazer estar concedendo esta entrevista. Pois bem, já trabalho com informática na educação desde 2006. Bom, quanto a formação, iniciei fazendo o curso Técnico em Informática Educativa no Instituto de Educação Ivoti, fiz uma extensão universitária em Robótica Educativa pelo ISEI. Em 2007, fiz um curso de Qualificação profissional na FACCAT de Taquara, essa qualificação foi muito importante pois ela tratava de informática educativa com ênfase na utilização do Software Livre na Educação. E atualmente estou cursando Pedagogia no ISEI.

Questão 2) Qual a idade de crianças com as quais trabalha?

Atualmente trabalho com crianças de 4 anos à 15 anos. Mas, já trabalhei com terceira idade e projetos de inclusão digital.

Questão 3) Que metodologia você utiliza a informática dentro da sala de aula?

É uma pergunta interessante. O trabalho está sempre baseado na perspectiva de envolver os alunos em projetos coletivos, que envolvam criação e compartilhamento. A aula Magna, baseada na linearidade e na estruturação total, onde nada está fora de ordem, não funciona com informática e sua dinâmica. Ou melhor, a aula Magna limita o potencial de uma aula envolvendo a informática. Pois a informática trabalha com uma outra dinâmica, a dinâmica rizomática, dos rizomas, da desordem, da busca, do movimento. Isso não quer dizer que a aula seja uma bagunça, um caos, mas sim quer dizer que a aula envolve movimento, investigação, relações. Envolve as multimídias audivisuais, os hipertextos, envolve o um movimento cognitivo intenso. E o papel do professor é muito importante nessa dinãmica de trabalho, pois ele faz a mediação, cria as situações, os momentos de trocas em grupos, os momentos individuais, os momentos de compartilhamento. Por isso, tenho afirmado que nessa nova dinâmica da sociedade do século XXI, da era das redes, aprender não é mais um movimento solitário e silencioso, aprender passou a exigir movimento, tornou-se algo constante e colaborativo. Acredito muito nessa perspectiva. Pois bem, essa é metodologia que utilizamos nas aulas de informática. Uma metodologia mais dinâmica, flexível, reflexiva. Muitos ainda pensam que isso é bagunça e não aula. Aí fico pensando será que a aula bagunça, mas bagunça construtiva, com muitos movimentos de relações de trocas, de dúvidas, de investigações, é mais cosntrutiva do que a aula baseada no "domínio da turma", do silêncio.

Questão 4) De que forma você utiliza a informática dentro da sala de aula, no processo de ensino aprendizagem?

Acredito que boa parte dessa pergunta já foi respondida na questão anterior, mas tem algumas questões que são interessantes. Quando olhamos para a informática dentro da escola, infelizmente percebemos que ela está limitada ao laboratório de informática. Então, muitas vezes, só se usa informática na aula de informática, que é geralmente uma vez por semana. Aí temos um problema. Como tornar esse uso significativo, se vamos apenas uma vez por semana para o laboratório? Por isso, temos enfatizado que precisamos romper esse paradigma. Precisamos de uma espaço aberto, que possibilite movimentos de acesso livre. Ainda não temos condições, mas é importante começar a reforçar a ideia de termos a informática dentro da sala de aula. Acredito que a informática precisa estar presente no planejamento dos professores, na prática diária. Pois a informática é uma possibilidade incrível de ampliar horizontes, potencializar aprendizagens, resignificando a prática educativa. E quando você coloca a dimensão do processo de ensino-aprendizagem, precisamos colocar a dimensão do hipertexto, do virtual, das comunidades, das hipermídias, da colaboratividade, da inventividade, das relações que a informática traz para potencializar o processo de ensino-aprendizagem. Para citar alguns exemplos: temos utilizados blogs, para fomentar a inteligência coeltiva, por meio de construções coletivas via blogs e Avas, videos documentários registrando pesquisas, desenvolvendo softwares para registrar e resignificar conhecimentos, explorando o mundo audivisual trabalhando sensibilidade, e ainda utilizando a internet como uma grande fonte de informações atualizadas e de possibilidades interativas. Bom acredito que é por esse caminho que estamos "desenhando" o nosso trabalho aqui na rede de Ivoti.

Questão 5) Quais benefícios o uso da informática trás para a educação? Quem é beneficiado com isso? Por quê?

Bom, novamente, acredito que já respondi boa parte da dimensão presente aqui nessa pergunta. mas me chama atenção o fato de você perguntar quem é o beneficiado. Todos são beneficiados. Não só a escola, mas toda a sociedade, pois a escola tem a chance de se aproximar da dinâmica da nova sociedade das redes que vem se configurando no século XXI. Mas, penso ser importante colcoar que esse benefício só vai se efetivar se a escola souber fazer um trabalho significativo com a informática, rompendo os traços da linearidade e da perspectiva do aprender em silêncio, ultrapassando a dimensão da aula magna. Pois bem, tendo consciência da responsabilidade que temos como educadores, podemos dizer que todos são benificiados. Professores são beneficiados pois a informática oferece uma oportunidade incrível de ampliar e resignificar a sua prática pedagógica. O aluno tem a possibilidade de se envolver em projetos colaborativos, tem a possibilidade de criar e re-criar usando tecnologias do seu tempo e muito mais dependendo do trabalho do professor.
Então, os benefícios vão depender do uso que será feito.

Questão 6) A gente sabe que a informática aproxima alunos e professores com as trocas de experiências e informações. Como você aproveita estas informações que são trazidas para dentro da sala de aula?

Bem, essa pergunta nos leva a uma discussão bem interessante, complexa e extensa, que nos provoca a refletir sobre metodologias que usamos. Mas, quero aproveitar e pegar um outro caminho que considero importante que é a dimensão do professor nesse contexto. Bom, então temos um universo de informações, que não tem fim, que cresce a cada dia, mas como lidamos com essas informações é de fato a questão chave. Como enfatizei nas perguntas anteriores, somos nós professores a peça chave para uma informática educativa significativa potencializadora. O professor precisa ensinar seus alunos a ter critérios, essa é a grande questão que precisamos discutir. Quais são os critérios que utilizamos para avaliar as informações. Como estabelecemos esses critérios? É uma dimensão bem complexa, mas necessária, urgente. Se conseguirmos trabalhar na perspectiva de ajudar nosso aluno a ter critérios, estaremos dando um passo muito importante para umt rabalho significativo. Temos na teoria de Ausebel uma dimensão que pode nos ajudar, que é a aprendizagem significativa. Ausebel e Novak estão no raíz da ideia dos mapas conceituais. Tenho visto estudos muito interessantes sobre o uso de mapas conceituais para fomentar pesquisas na internet e a criação de critérios para slecionar informações. Numa perspectiva mais metodológica temos as Webquest como uma metodologia poderosa para fomentar a criação de critérios para pesquisas na Internet e outros meios de informação. Ou seja, já tem muita gente criando e propondo estratégias para uma aprendizagem que fomente a criação de crtérios. E novamente o professor é muito importante para que a efetivação de um processo de ensino que promova a criação de critérios.


Foi um prazer conceder essa entrevista, e espero que eu tenho contribuido um pouco para essa discussão tão importante que envolve a informática educativa.
Abraços, Luis.



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Att.
Prof. Téc. Luís C.
Blog: http://baguncacognitiva.blogspot.com
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